Nuno Simões de Melo .. Opinião à direita
TRANSPARÊNCIA VERSUS "REALITY SHOW"
06 de maio de 2026No passado dia 25 de abril, na sessão solene realizada na Assembleia da República a celebrar esta data, assistimos a um discurso do Presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, que obteve reações díspares, mesmo opostas, por parte dos Deputados. Muitos aplaudiram, talvez a maioria, outros não aplaudiram e houve, inclusivamente, um Deputado, Pedro Delgado Alves que, num gesto ostensivo de repulsa, virou as costas à mesa, onde se encontrava, para além do orador já referido, o Presidente da República.
Não tecerei qualquer juízo de valor sobre a reação intempestiva do Deputado em causa, por muito que possa ser contrário ao espírito e à letra do Estatuto dos Deputados, onde se pode ler a obrigatoriedade da urbanidade no trato entre si. Irei analisar de forma sintética os argumentos de uns, espelhados no discurso de Aguiar-Branco e de outros, demonstrados pelo gesto inadequado (?) de Delgado Alves.
José Pedro Aguiar-Branco, nas palavras que dirigiu, apresentou um conjunto de ideias relacionadas com o afastamento dos melhores da política, pondo em causa, para além das parcas remunerações dos seus titulares, também a devassa a que podem estar sujeitos por, em determinada altura da sua vida, terem decidido servir Portugal exercendo um cargo político. O anátema, no seu entendimento, é tal que, a certa altura, parece ser obrigatório que toda a sua vida, dos seus familiares e até mesmo amigos, seja completamente espiolhada, indo muito além do dever de transparência que qualquer servidor público deve estar sujeito e, por maioria de razão, as estruturas superiores da administração pública e os detentores de cargos políticos. É a visão do, nas palavras do povo, “nem oito, nem oitenta”.
Entendeu Pedro Delgado Alves que o Presidente da Assembleia da República foi muito longe nas suas críticas, podendo ter caricaturado todo um sistema de transparência que se foi criando nos últimos anos. É a visão de que “transparência nunca é demais”.
Estão, assim, em cima da mesa duas maneiras de pensar sobre este assunto.
A lei favorece a transparência ou permite o “voyeurismo”?
Queremos políticos cujas ações possam ser escrutinadas, mas não devassadas, ou queremos assistir a um “reality show”?
É estreito o caminho entre um e outro. Não queremos opacidade, mas também queremos os melhores a servir a Nação, sem constrangimentos de qualquer tipo.
Estou certo de que, entre a falta de transparência e a devassa, há um rumo equilibrado que se pode percorrer.
Não tecerei qualquer juízo de valor sobre a reação intempestiva do Deputado em causa, por muito que possa ser contrário ao espírito e à letra do Estatuto dos Deputados, onde se pode ler a obrigatoriedade da urbanidade no trato entre si. Irei analisar de forma sintética os argumentos de uns, espelhados no discurso de Aguiar-Branco e de outros, demonstrados pelo gesto inadequado (?) de Delgado Alves.
José Pedro Aguiar-Branco, nas palavras que dirigiu, apresentou um conjunto de ideias relacionadas com o afastamento dos melhores da política, pondo em causa, para além das parcas remunerações dos seus titulares, também a devassa a que podem estar sujeitos por, em determinada altura da sua vida, terem decidido servir Portugal exercendo um cargo político. O anátema, no seu entendimento, é tal que, a certa altura, parece ser obrigatório que toda a sua vida, dos seus familiares e até mesmo amigos, seja completamente espiolhada, indo muito além do dever de transparência que qualquer servidor público deve estar sujeito e, por maioria de razão, as estruturas superiores da administração pública e os detentores de cargos políticos. É a visão do, nas palavras do povo, “nem oito, nem oitenta”.
Entendeu Pedro Delgado Alves que o Presidente da Assembleia da República foi muito longe nas suas críticas, podendo ter caricaturado todo um sistema de transparência que se foi criando nos últimos anos. É a visão de que “transparência nunca é demais”.
Estão, assim, em cima da mesa duas maneiras de pensar sobre este assunto.
A lei favorece a transparência ou permite o “voyeurismo”?
Queremos políticos cujas ações possam ser escrutinadas, mas não devassadas, ou queremos assistir a um “reality show”?
É estreito o caminho entre um e outro. Não queremos opacidade, mas também queremos os melhores a servir a Nação, sem constrangimentos de qualquer tipo.
Estou certo de que, entre a falta de transparência e a devassa, há um rumo equilibrado que se pode percorrer.

