Otília Silva .. Olhares cruzados
UM LUSO DESCENDENTE RESPONSÁVEL?
23 de setembro de 2026Sábado, dia 5 de setembro, a Torre Eiffel, monumento emblemático da França, foi palco de um episódio de sexismo. Uma delegação do movimento hindu BAPS — um movimento apoiado pelo primeiro-ministro da Índia e extremamente rico — encontrava-se em Paris para a inauguração do maior templo hinduísta da Europa, construído em Bussy-Saint-Georges, não muito longe do parque Disneylândia, e visitava a Torre Eiffel.
O pedido da delegação para que não houvesse mulheres presentes foi atendido, e cerca de vinte funcionárias da Torre Eiffel foram obrigadas a deixar o seu lugar a colegas homens. Humilhadas, decidiram entrar em greve e, na segunda-feira, a Torre Eiffel ficou fechada.
Na pátria da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, que, como é evidente, inclui os direitos das mulheres, o incidente causou grande comoção. A SETE (Sociedade de Exploração da Torre Eiffel) pediu desculpas e assegurou que iria investigar o caso.
Entretanto, a mídia deu a entender que teria sido o próprio Executivo, que vende aviões de guerra à Índia, a dar a ordem para que o pedido da delegação fosse atendido. O diretor-geral da SETE, Patrick Branco Ruivo, alto funcionário e lusodescendente, declarou que a direção nunca tinha pedido, nem sequer pensado em pedir, às funcionárias que se escondessem. Reconheceu, no entanto, a adaptação do dispositivo ao pedido da delegação hindu.
Com um pouco mais de honestidade e sem aquilo a que os franceses chamam «langue de bois» (um discurso político hipócrita e vazio), teria reconhecido que, sim, as mulheres tinham sido afastadas a pedido da delegação hinduísta — o que é perfeitamente intolerável, tendo em conta que, para além dos direitos do homem e do cidadão, o primeiro artigo da Constituição francesa estabelece que a França é uma República indivisível, laica, democrática e social. A laicidade implicava, portanto, que não se desse seguimento ao pedido de afastamento das mulheres por motivos religiosos.
Mais uma vez se vê que a sociedade francesa está a conhecer uma evolução perigosa no que diz respeito aos direitos das mulheres. Mais uma vez se vê que os princípios são muito frágeis perante o poder do dinheiro.
É pena que o responsável tenha ligações a Portugal. Talvez esteja, todavia, a servir de bode expiatório para proteger outros colocados mais acima na pirâmide do poder.
O pedido da delegação para que não houvesse mulheres presentes foi atendido, e cerca de vinte funcionárias da Torre Eiffel foram obrigadas a deixar o seu lugar a colegas homens. Humilhadas, decidiram entrar em greve e, na segunda-feira, a Torre Eiffel ficou fechada.
Na pátria da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, que, como é evidente, inclui os direitos das mulheres, o incidente causou grande comoção. A SETE (Sociedade de Exploração da Torre Eiffel) pediu desculpas e assegurou que iria investigar o caso.
Entretanto, a mídia deu a entender que teria sido o próprio Executivo, que vende aviões de guerra à Índia, a dar a ordem para que o pedido da delegação fosse atendido. O diretor-geral da SETE, Patrick Branco Ruivo, alto funcionário e lusodescendente, declarou que a direção nunca tinha pedido, nem sequer pensado em pedir, às funcionárias que se escondessem. Reconheceu, no entanto, a adaptação do dispositivo ao pedido da delegação hindu.
Com um pouco mais de honestidade e sem aquilo a que os franceses chamam «langue de bois» (um discurso político hipócrita e vazio), teria reconhecido que, sim, as mulheres tinham sido afastadas a pedido da delegação hinduísta — o que é perfeitamente intolerável, tendo em conta que, para além dos direitos do homem e do cidadão, o primeiro artigo da Constituição francesa estabelece que a França é uma República indivisível, laica, democrática e social. A laicidade implicava, portanto, que não se desse seguimento ao pedido de afastamento das mulheres por motivos religiosos.
Mais uma vez se vê que a sociedade francesa está a conhecer uma evolução perigosa no que diz respeito aos direitos das mulheres. Mais uma vez se vê que os princípios são muito frágeis perante o poder do dinheiro.
É pena que o responsável tenha ligações a Portugal. Talvez esteja, todavia, a servir de bode expiatório para proteger outros colocados mais acima na pirâmide do poder.

