Paulo Matos
PORQUE NÃO HÁ DEBATE POLÍTICO EM ÁGUEDA?
30 de setembro de 2026O debate público, nas suas vertentes informativa e formativa, está crispado como nunca e, as pessoas, aparentando felicidade, estão verdadeiramente zangadas, revelando níveis altos de intolerância aos governos e aos políticos, em muitos casos reagindo com indiferença ou desprezo, mas na maior parte dos casos com a ignorância arrogante do populismo, da demagogia e da raiva que faz as manchetes nas redes sociais.
A polícia do pensamento que tudo cancela e tudo critica, funciona como se não houvesse amanhã e a catástrofe estivesse sempre iminente.
Ao nível local é confrangedor constatar a crescente perda de influência e de prestígio da Assembleia Municipal, fórum por excelência da democracia local, que nos últimos anos tem vindo a diminuir a qualidade e experiência dos seus protagonistas, e dos seus debates, que não representam condignamente a sociedade local e os seus anseios.
Há quanto tempo a Assembleia Municipal de Águeda não organiza debates públicos sobre temas locais, regionais ou nacionais, convidando personalidades de relevo nacional ou local, realizando eventos de participação pública, exposições de arte, apresentação de livros ou ações de formação dos autarcas?
Não sabemos se a Assembleia Municipal de Águeda integra a Associação Nacional de Assembleias Municipais, ou se está sequer a par do que esta Associação vai fazendo para acelerar a alteração da legislação autárquica, para tornar as Assembleias Municipais em verdadeiros parlamentos locais suscetíveis de poderem apresentar moções de censura ou de confiança aos executivos municipais, permitindo dessa forma o escrutínio democrático?
Por outro lado, é sintomática a diminuição do espaço informativo, mesmo na Soberania do Povo, sobre as sessões da assembleia municipal e o seu impacto sobre a política local em geral, com a redução da participação dos partidos locais na vida pública, e em geral com a diminuição acentuada da intervenção cívica no debate e na definição das políticas públicas.
Na última edição da Soberania foi com agrado que li um artigo de Mariana Ferreira dos Santos, nova colunista que aproveito para saudar, sobre o debate necessário acerca do “vazio urbano”, do “legado industrial e a alma urbana de Águeda”, chamando a atenção para a necessidade do Município definir, orientar, e “criar os instrumentos adequados” para mobilizar e incentivar a participação nesse debate público.
A colunista refere, e eu concordo, que é necessária a “ambição de ir mais longe”, para além das festividades (Agitágueda e Pai Natal) e, acrescento eu, para além do efémero, da imagem e dos pedidos de relatórios financeiros (necessários) sobre os custos das obras e dos eventos.
A nova colunista centra o seu artigo na cidade, sem falar das freguesias que também precisam de preencher alguns “vazios”, mas lança um debate positivo, sugerindo o que todos concordam - como a criação de “espaços verdes e zonas de fruição comum, habitação municipal a custos controlados, recuperação do edifício devoluto e dinamização do comércio tradicional” – mas que poucos ousam dizer como fazer!
E ninguém questiona porque não há uma primeira página com a pergunta: o que é feito do projetado e tão badalado “Museu da Industria de Águeda”?
Infelizmente, a notícia não é a inauguração prevista do novo Mercado Municipal, mas o estudo que “aponta para mais de 281 mil euros em custos anuais”!
Também foi assim com o Centro de Artes de Águeda, que hoje é uma referência no país.
Vivemos numa sociedade do imediato, do escandaloso, do acessório, do ruído surdo, da gritaria insuportável, da falta de memória, da falta de projetos de futuro ou de futuros alternativos, da falta de respeito pelo outro e pela diferença, da ausência de debate sério sobre as questões da “cidade” (polis).
A polícia do pensamento que tudo cancela e tudo critica, funciona como se não houvesse amanhã e a catástrofe estivesse sempre iminente.
Ao nível local é confrangedor constatar a crescente perda de influência e de prestígio da Assembleia Municipal, fórum por excelência da democracia local, que nos últimos anos tem vindo a diminuir a qualidade e experiência dos seus protagonistas, e dos seus debates, que não representam condignamente a sociedade local e os seus anseios.
Há quanto tempo a Assembleia Municipal de Águeda não organiza debates públicos sobre temas locais, regionais ou nacionais, convidando personalidades de relevo nacional ou local, realizando eventos de participação pública, exposições de arte, apresentação de livros ou ações de formação dos autarcas?
Não sabemos se a Assembleia Municipal de Águeda integra a Associação Nacional de Assembleias Municipais, ou se está sequer a par do que esta Associação vai fazendo para acelerar a alteração da legislação autárquica, para tornar as Assembleias Municipais em verdadeiros parlamentos locais suscetíveis de poderem apresentar moções de censura ou de confiança aos executivos municipais, permitindo dessa forma o escrutínio democrático?
Por outro lado, é sintomática a diminuição do espaço informativo, mesmo na Soberania do Povo, sobre as sessões da assembleia municipal e o seu impacto sobre a política local em geral, com a redução da participação dos partidos locais na vida pública, e em geral com a diminuição acentuada da intervenção cívica no debate e na definição das políticas públicas.
Na última edição da Soberania foi com agrado que li um artigo de Mariana Ferreira dos Santos, nova colunista que aproveito para saudar, sobre o debate necessário acerca do “vazio urbano”, do “legado industrial e a alma urbana de Águeda”, chamando a atenção para a necessidade do Município definir, orientar, e “criar os instrumentos adequados” para mobilizar e incentivar a participação nesse debate público.
A colunista refere, e eu concordo, que é necessária a “ambição de ir mais longe”, para além das festividades (Agitágueda e Pai Natal) e, acrescento eu, para além do efémero, da imagem e dos pedidos de relatórios financeiros (necessários) sobre os custos das obras e dos eventos.
A nova colunista centra o seu artigo na cidade, sem falar das freguesias que também precisam de preencher alguns “vazios”, mas lança um debate positivo, sugerindo o que todos concordam - como a criação de “espaços verdes e zonas de fruição comum, habitação municipal a custos controlados, recuperação do edifício devoluto e dinamização do comércio tradicional” – mas que poucos ousam dizer como fazer!
E ninguém questiona porque não há uma primeira página com a pergunta: o que é feito do projetado e tão badalado “Museu da Industria de Águeda”?
Infelizmente, a notícia não é a inauguração prevista do novo Mercado Municipal, mas o estudo que “aponta para mais de 281 mil euros em custos anuais”!
Também foi assim com o Centro de Artes de Águeda, que hoje é uma referência no país.
Vivemos numa sociedade do imediato, do escandaloso, do acessório, do ruído surdo, da gritaria insuportável, da falta de memória, da falta de projetos de futuro ou de futuros alternativos, da falta de respeito pelo outro e pela diferença, da ausência de debate sério sobre as questões da “cidade” (polis).

