Pedro Ferreira .. Contra Fatos
UNIVERSIDADE OU POLITÉCNICO? O EMPREGO NÃO QUER SABER
23 de setembro de 2026Agora que os estudantes do ensino superior já voltaram às universidades, que a polémica dos exames nacionais e a guerra dos rankings dos cursos baseados nas médias de acesso já acalmaram, é altura de voltar ao tema do acesso ao ensino superior e das escolhas que, todos os anos, estudantes e famílias fazem sobre que caminho seguir quando decidem frequentar um curso superior.
Muitos dirão que agora não é altura para isso, só lá mais para o final do ano lectivo. Pois, por experiência, permitam-me discordar. Agora é que é o momento, quando se inicia um novo ciclo, e não quando o ciclo está a terminar. Agora é que é o momento para reflectir calmamente, e não quando o ruído é tanto que nem nos ouvimos pensar.
É incontornável, e legítimo diga-se, pensar no curso a seguir na óptica do retorno que se poderá ter no final do percurso; pensar a escolha do curso como um recurso que nos poderá dar mais e melhores oportunidades no mercado de trabalho. Mas a questão “que curso escolher” vem quase sempre acompanhada por outras como “que universidade?”, “universidade ou politécnico?”, “público ou privado?”.
Para ajudar nesta tarefa difícil, um estudo da Fundação Belmiro de Azevedo sobre os diplomados e o mercado de trabalho dá-nos dados esclarecedores, baseados na realidade, e sem o viés dos nossos pré-conceitos. E alguns deles serão até surpreendentes.
Em primeiro lugar, a área de estudo é o que mais influencia o sucesso no mercado de trabalho. Cursos relacionados com Engenharia, Indústrias Transformadoras e Construção têm mais probabilidade de emprego (10% mais) que outras áreas. Outro factor que influencia aquele sucesso (embora este deva ser trabalhado depois de ingressar) é a média de conclusão, com estudantes com melhores médias a terem mais probabilidade de emprego.
Curiosamente, o ter ou não mestrado é um factor relevante, sobretudo durante o primeiro ano após o fim da formação, mas ao fim de 5 anos essa relevância desaparece. Ou seja, o mestrado é um trunfo na entrada no mercado de trabalho, mas depois disso, haverá outros factores que contam mais.
Curiosamente, factores sempre tão calorosamente discutidos, como se a instituição é universidade ou politécnico, ou se é pública ou privada, não tem relevo para a probabilidade de emprego, a 1 ou a 5 anos após o fim da formação. O preconceito tantas vezes presente de que estudar numa universidade pública é melhor que estudar num politécnico ou numa universidade privada não tem qualquer suporte na realidade, pelo menos no que diz respeito ao sucesso na entrada no mercado de trabalho.
Por isso, o conselho é simples: se está envolvido (ou vai estar) nesta escolha, para além das questões financeiras, pondere sobretudo a área do curso em que vai apostar. Se é universitário ou politécnico, público ou privado, é pouco relevante. A pressão social pode ser difícil de gerir (afinal de contas, estudar numa universidade é mais bem visto numa conversa de amigos), mas lembre-se: não é a pressão social que lhe vai arranjar emprego.
Muitos dirão que agora não é altura para isso, só lá mais para o final do ano lectivo. Pois, por experiência, permitam-me discordar. Agora é que é o momento, quando se inicia um novo ciclo, e não quando o ciclo está a terminar. Agora é que é o momento para reflectir calmamente, e não quando o ruído é tanto que nem nos ouvimos pensar.
É incontornável, e legítimo diga-se, pensar no curso a seguir na óptica do retorno que se poderá ter no final do percurso; pensar a escolha do curso como um recurso que nos poderá dar mais e melhores oportunidades no mercado de trabalho. Mas a questão “que curso escolher” vem quase sempre acompanhada por outras como “que universidade?”, “universidade ou politécnico?”, “público ou privado?”.
Para ajudar nesta tarefa difícil, um estudo da Fundação Belmiro de Azevedo sobre os diplomados e o mercado de trabalho dá-nos dados esclarecedores, baseados na realidade, e sem o viés dos nossos pré-conceitos. E alguns deles serão até surpreendentes.
Em primeiro lugar, a área de estudo é o que mais influencia o sucesso no mercado de trabalho. Cursos relacionados com Engenharia, Indústrias Transformadoras e Construção têm mais probabilidade de emprego (10% mais) que outras áreas. Outro factor que influencia aquele sucesso (embora este deva ser trabalhado depois de ingressar) é a média de conclusão, com estudantes com melhores médias a terem mais probabilidade de emprego.
Curiosamente, o ter ou não mestrado é um factor relevante, sobretudo durante o primeiro ano após o fim da formação, mas ao fim de 5 anos essa relevância desaparece. Ou seja, o mestrado é um trunfo na entrada no mercado de trabalho, mas depois disso, haverá outros factores que contam mais.
Curiosamente, factores sempre tão calorosamente discutidos, como se a instituição é universidade ou politécnico, ou se é pública ou privada, não tem relevo para a probabilidade de emprego, a 1 ou a 5 anos após o fim da formação. O preconceito tantas vezes presente de que estudar numa universidade pública é melhor que estudar num politécnico ou numa universidade privada não tem qualquer suporte na realidade, pelo menos no que diz respeito ao sucesso na entrada no mercado de trabalho.
Por isso, o conselho é simples: se está envolvido (ou vai estar) nesta escolha, para além das questões financeiras, pondere sobretudo a área do curso em que vai apostar. Se é universitário ou politécnico, público ou privado, é pouco relevante. A pressão social pode ser difícil de gerir (afinal de contas, estudar numa universidade é mais bem visto numa conversa de amigos), mas lembre-se: não é a pressão social que lhe vai arranjar emprego.

