Pedro Ferreira .. Contra Fatos
UM BREVE RETRATO DE ÁGUEDA
06 de maio de 2026O concelho de Águeda conta com quase 48 mil residentes. São mais 1233 que em 2021, sobretudo à custa do saldo migratório (+1850 pessoas), porque apenas com base no saldo natural (diferença entre nascimentos e mortes), Águeda teria agora menos 617 residentes. Embora esteja alinhada no crescimento (2,7%) com a realidade nacional (3,2%), Águeda encontra-se abaixo da média.
Os índices de envelhecimento mostram que em Águeda existem mais idosos que jovens: para cada jovem, existem 2,27 idosos. Este valor aumentou relativamente aos últimos Censos realizados em 2021, altura em que este índice era de 2,13. Não parece nada, mas em 4 anos é um aumento de quase 7%.
O índice de sustentabilidade potencial também não é famoso. Este indicador mostra-nos o número de residentes em idade activa (15-64 anos) para cada idoso. Quanto mais alto for o número de população activa, face à população idosa, maior é o indicador de sustentabilidade. Em 2021, este índice situava-se em 2,39 tendo caído em 2024 para 2,30. Quer isto dizer que a sustentabilidade populacional em Águeda tem vindo a diminuir e situa-se abaixo da média nacional (2,59).
No que respeita à habitação, existem ligeiramente menos novas casas para habitação, ou seja, contruiu-se menos nos últimos anos. Em 2018-2020 foram 175, já em 2022-2024, foram 171, uma diferença de -4. Mas, se conjugarmos esta diminuição de casas com o aumento da população, é fácil perceber que existe uma pressão habitacional no concelho. Se a esta pressão da procura juntarmos o preço das casas, facilmente se percebe o grande problema que Águeda tem em termos de habitação. O valor mediano da avaliação bancária das casas para habitação familiar situa-se nos 1.088 euros por m2, uma subida de quase 35% face a 2021. Nos concelhos vizinhos, só Oliveira do Bairro teve uma subida (ligeiramente) superior, a rondar os 36% (ainda assim com um valor por m2 ligeiramente inferior – 1.087 euros).
Os trabalhadores por conta de outrem do concelho têm uma escolaridade média a rondar os 10 anos (actualmente a escolaridade obrigatória é o 12º ano). Quase metade (46,6%) não tem o ensino secundário e apenas 18,3% tem o ensino superior. O salário médio dos trabalhadores do concelho ronda os 1.280 euros, 180 euros abaixo da média nacional. Quando comparado com 5 concelhos vizinhos, Águeda é o 3º com menor escolaridade e o 2º com menor ganho mensal. Já em matéria de desemprego, o concelho tinha, em final de 2024, uma taxa de desemprego de 3,9%, a segunda maior dos 5 concelhos vizinhos já referidos.
Em modo fotográfico, Águeda viu a sua população crescer, mas também a viu envelhecer. Os indicadores são ilustrativos do problema que a habitação representa no concelho, não só pela falta de oferta, mas também pelos valores pouco ajustados aos rendimentos dos aguedenses. Em termos de educação e mercado de trabalho, os elevados níveis de emprego (sempre desejáveis) escondem uma baixa escolaridade, que contribui para explicar os baixos níveis salariais.
Nota: o autor escreve segundo o antigo acordo ortográfico
Os índices de envelhecimento mostram que em Águeda existem mais idosos que jovens: para cada jovem, existem 2,27 idosos. Este valor aumentou relativamente aos últimos Censos realizados em 2021, altura em que este índice era de 2,13. Não parece nada, mas em 4 anos é um aumento de quase 7%.
O índice de sustentabilidade potencial também não é famoso. Este indicador mostra-nos o número de residentes em idade activa (15-64 anos) para cada idoso. Quanto mais alto for o número de população activa, face à população idosa, maior é o indicador de sustentabilidade. Em 2021, este índice situava-se em 2,39 tendo caído em 2024 para 2,30. Quer isto dizer que a sustentabilidade populacional em Águeda tem vindo a diminuir e situa-se abaixo da média nacional (2,59).
No que respeita à habitação, existem ligeiramente menos novas casas para habitação, ou seja, contruiu-se menos nos últimos anos. Em 2018-2020 foram 175, já em 2022-2024, foram 171, uma diferença de -4. Mas, se conjugarmos esta diminuição de casas com o aumento da população, é fácil perceber que existe uma pressão habitacional no concelho. Se a esta pressão da procura juntarmos o preço das casas, facilmente se percebe o grande problema que Águeda tem em termos de habitação. O valor mediano da avaliação bancária das casas para habitação familiar situa-se nos 1.088 euros por m2, uma subida de quase 35% face a 2021. Nos concelhos vizinhos, só Oliveira do Bairro teve uma subida (ligeiramente) superior, a rondar os 36% (ainda assim com um valor por m2 ligeiramente inferior – 1.087 euros).
Os trabalhadores por conta de outrem do concelho têm uma escolaridade média a rondar os 10 anos (actualmente a escolaridade obrigatória é o 12º ano). Quase metade (46,6%) não tem o ensino secundário e apenas 18,3% tem o ensino superior. O salário médio dos trabalhadores do concelho ronda os 1.280 euros, 180 euros abaixo da média nacional. Quando comparado com 5 concelhos vizinhos, Águeda é o 3º com menor escolaridade e o 2º com menor ganho mensal. Já em matéria de desemprego, o concelho tinha, em final de 2024, uma taxa de desemprego de 3,9%, a segunda maior dos 5 concelhos vizinhos já referidos.
Em modo fotográfico, Águeda viu a sua população crescer, mas também a viu envelhecer. Os indicadores são ilustrativos do problema que a habitação representa no concelho, não só pela falta de oferta, mas também pelos valores pouco ajustados aos rendimentos dos aguedenses. Em termos de educação e mercado de trabalho, os elevados níveis de emprego (sempre desejáveis) escondem uma baixa escolaridade, que contribui para explicar os baixos níveis salariais.
Nota: o autor escreve segundo o antigo acordo ortográfico

