Otília Silva .. Olhares cruzados
O PRIMEIRO AUTOR DA HUMANIDADE... FOI UMA AUTORA
30 de abril de 2026Considera-se tradicionalmente que Homero foi o primeiro autor ocidental. Pensa-se que escreveu a Ilíada e a Odisseia. Cognominado “o Poeta”, Homero viveu muito provavelmente no final do século VIII antes de Cristo. No entanto, não foi o primeiro autor da humanidade. A primeira poeta foi, segundo consta, uma mulher: Enheduana, princesa da dinastia de Akkad, em Ur, uma das cidades mais importantes da Mesopotâmia, no atual Iraque, entre o rio Eufrates e o Golfo Pérsico. Viveu no século XXIII antes de Cristo.
No entanto, apenas alguns eruditos o salientam. Porquê?
Porque uma parte da humanidade permaneceu, durante séculos, determinada a manter a outra em posição de inferioridade.
Como compreender que Marie Curie, cientista e laureada com o Prémio Nobel, tenha vivido sensivelmente na mesma época que o célebre escritor Guy de Maupassant, que escrevia, em 1885 que se queria impor a mulher médica quando esta nem sequer era capaz de ser boa pintora, sendo apenas capaz de pintar “abanadores, pratos ou retratos medíocres”?
Importa salientar que, um jornal português da mesma época, publicava um artigo sobre o caso duma jovem estudante de medicina — a única mulher num anfiteatro cheio de homens — que se suicidou por não conseguir suportar o assédio, o desprezo e as humilhações dos colegas.
Quantas escritoras foram ignoradas? Quantas viram a sua obra espezinhada para sustentar a ideia de que a inteligência e a criatividade eram apanágio masculino? Como foi possível ser-se cego ao ponto de não ver que essa pretensa superioridade masculina teve um custo exorbitante para a humanidade?
A Revolução Francesa mostrou que as mulheres combateram ao lado dos homens para tomar a Bastilha e derrubar os privilégios da nobreza. Contudo, logo após a vitória, os homens afastaram-nas das decisões e dos debates da República. A magnífica Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão de 1789 não incluiu as mulheres. E, quando Olympe de Gouges tentou, em 1791, acrescentar a Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã, foi presa e guilhotinada em praça pública.
Há quem pense que estas considerações são inúteis, porque hoje homens e mulheres têm os mesmos direitos e os mesmos deveres. Será isso verdade?
Na sociedade francesa, fala-se de um possível retrocesso nesse domínio: muitos jovens afirmam cada vez mais uma suposta superioridade masculina, apesar dos esforços do governo para promover a igualdade. Esta questão cruza-se no entanto com outras bem mais polémicas que deixaremos para outra ocasião.
No entanto, apenas alguns eruditos o salientam. Porquê?
Porque uma parte da humanidade permaneceu, durante séculos, determinada a manter a outra em posição de inferioridade.
Como compreender que Marie Curie, cientista e laureada com o Prémio Nobel, tenha vivido sensivelmente na mesma época que o célebre escritor Guy de Maupassant, que escrevia, em 1885 que se queria impor a mulher médica quando esta nem sequer era capaz de ser boa pintora, sendo apenas capaz de pintar “abanadores, pratos ou retratos medíocres”?
Importa salientar que, um jornal português da mesma época, publicava um artigo sobre o caso duma jovem estudante de medicina — a única mulher num anfiteatro cheio de homens — que se suicidou por não conseguir suportar o assédio, o desprezo e as humilhações dos colegas.
Quantas escritoras foram ignoradas? Quantas viram a sua obra espezinhada para sustentar a ideia de que a inteligência e a criatividade eram apanágio masculino? Como foi possível ser-se cego ao ponto de não ver que essa pretensa superioridade masculina teve um custo exorbitante para a humanidade?
A Revolução Francesa mostrou que as mulheres combateram ao lado dos homens para tomar a Bastilha e derrubar os privilégios da nobreza. Contudo, logo após a vitória, os homens afastaram-nas das decisões e dos debates da República. A magnífica Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão de 1789 não incluiu as mulheres. E, quando Olympe de Gouges tentou, em 1791, acrescentar a Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã, foi presa e guilhotinada em praça pública.
Há quem pense que estas considerações são inúteis, porque hoje homens e mulheres têm os mesmos direitos e os mesmos deveres. Será isso verdade?
Na sociedade francesa, fala-se de um possível retrocesso nesse domínio: muitos jovens afirmam cada vez mais uma suposta superioridade masculina, apesar dos esforços do governo para promover a igualdade. Esta questão cruza-se no entanto com outras bem mais polémicas que deixaremos para outra ocasião.

