Otília Silva .. Olhares cruzados
A INVEJA SERÁ MESMO UM VÍCIO PORTUGUÊS?
05 de agosto de 2026O historiador José Eduardo Franco escreve, baseando-se nomeadamente nos dizeres do Padre António Vieira e outros autores, que a inveja é mais forte no povo português que nos outros povos. Talvez. Mas…
Assim que alguém se destaca, se evidencia, desencadeia ódio e críticas imerecidas muitas vezes. Mas vejamos e comparemos o que é comparável ou pelo menos o que está ao nosso alcance comparar. Quando muitos Portugueses gostam de exibir o sucesso financeiro, o Francês desenvolveu uma estratégia que consiste em não falar nos ganhos: falar do património até mesmo do ordenado (tanto mais se for consequente) é tabu para ele. Certamente porque tem consciência da inveja que isso poderá desencadear quando o Português pouco se importa. Poderíamos concluir, baseando-nos nestes comportamentos, que, no fundo, o Francês seria mais invejoso do que o Português.
As duas opiniões estarão erradas porque, se analisarmos bem, os dois povos não são invejosos pela mesma coisa. Para o Francês, o que é suposto ser mais invejado, são os sucessos financeiros, o nível de vida, a riqueza do vizinho. Para o Português, o dinheiro do vizinho não é o que desencadeia mais inveja, não. Chega até a sentir respeito e admiração por quem alcançou uma boa situação de forma fortuita: ganho na lotaria, herança… O que o espírito português não consegue aceitar com facilidade é a energia de que é capaz quem se evidencia. No fundo, porque sabe que os bens materiais são efémeros, vêm-nos ter às mãos e deixam-nos também com facilidade. Agora quem tem energia suficiente para lutar, se opor, avançar na vida, fazer obras grandes ou pequenas… Esse é o verdadeiro alvo da inveja portuguesa.
Que outro povo tem a vivencia, a história do povo português, que trouxe mundos ao mundo, teve ouro a potes para depois tudo perder e passar a ser um dos povos mais pobres da Europa ? Talvez essa experiência o levasse a não colocar a riqueza acima de tudo. Em contrapartida, sabe que a energia de que alguns são capazes, superando falta de recursos, ás vezes até de formação, é o mais valioso porque é um dote que resiste aos infortúnios e dificuldades desta vida.
O problema é que essa lucidez pode acabar por ser negativa porque poderá aniquilar o próprio desejo, isto é matar o pintainho no ovo.
Assim que alguém se destaca, se evidencia, desencadeia ódio e críticas imerecidas muitas vezes. Mas vejamos e comparemos o que é comparável ou pelo menos o que está ao nosso alcance comparar. Quando muitos Portugueses gostam de exibir o sucesso financeiro, o Francês desenvolveu uma estratégia que consiste em não falar nos ganhos: falar do património até mesmo do ordenado (tanto mais se for consequente) é tabu para ele. Certamente porque tem consciência da inveja que isso poderá desencadear quando o Português pouco se importa. Poderíamos concluir, baseando-nos nestes comportamentos, que, no fundo, o Francês seria mais invejoso do que o Português.
As duas opiniões estarão erradas porque, se analisarmos bem, os dois povos não são invejosos pela mesma coisa. Para o Francês, o que é suposto ser mais invejado, são os sucessos financeiros, o nível de vida, a riqueza do vizinho. Para o Português, o dinheiro do vizinho não é o que desencadeia mais inveja, não. Chega até a sentir respeito e admiração por quem alcançou uma boa situação de forma fortuita: ganho na lotaria, herança… O que o espírito português não consegue aceitar com facilidade é a energia de que é capaz quem se evidencia. No fundo, porque sabe que os bens materiais são efémeros, vêm-nos ter às mãos e deixam-nos também com facilidade. Agora quem tem energia suficiente para lutar, se opor, avançar na vida, fazer obras grandes ou pequenas… Esse é o verdadeiro alvo da inveja portuguesa.
Que outro povo tem a vivencia, a história do povo português, que trouxe mundos ao mundo, teve ouro a potes para depois tudo perder e passar a ser um dos povos mais pobres da Europa ? Talvez essa experiência o levasse a não colocar a riqueza acima de tudo. Em contrapartida, sabe que a energia de que alguns são capazes, superando falta de recursos, ás vezes até de formação, é o mais valioso porque é um dote que resiste aos infortúnios e dificuldades desta vida.
O problema é que essa lucidez pode acabar por ser negativa porque poderá aniquilar o próprio desejo, isto é matar o pintainho no ovo.

