Pedro Ferreira .. Contra Fatos
Ecologia à portuguesa
24 de junho de 2026Desde o dia 10 de abril que o programa “Volta” está activo, uma iniciativa do governo português que visa aumentar a reciclagem de plástico e alumínio. Cada vez que o leitor comprar bebidas em embalagens de plástico ou lata, poderá devolvê-las. Uma máquina instalada nos hipermercados aderentes receberá as embalagens. Para incentivar este comportamento o programa devolve 10 cêntimos por cada embalagem entregue.
Até aqui parece interessante: as embalagens são recicladas; o consumidor é recompensado pelo comportamento cívico; o ambiente sai a ganhar. Parece uma excelente solução!
Não se entusiasme já, caro leitor, porque a história ainda não terminou.
Estes produtos vão aumentar 10 cêntimos. Da próxima vez que for ao hipermercado comprar um pack de 6 águas de meio litro, conte pagar mais 60 cêntimos. Dir-se-á que o preço não vai aumentar, que se trata de um valor que é reembolsado aquando da devolução (semelhante ao que acontecia com a tara das garrafas de vidro ou ainda acontece com as botijas de gás).
Na verdade, não é bem assim. No caso das botijas de gás, devolvemos a botija vazia e trazemos uma cheia – não é o caso das embalagens. Além disso, as garrafas de vidro até podiam estar sem rótulo, e isso não era problema na devolução. Neste caso não será assim, o que nos leva a outro “detalhe”.
Na devolução, as garrafas ou latas terão de estar em perfeito estado incluindo o código de barras do produto. Quer isto dizer que os bens mais preciosos que vai passar a ter em casa serão garrafas e latas vazias, guardadas com o maior dos cuidados para evitar estragos. Vai ainda passar a acumular sacos com garrafas e latas à espera da próxima ida ao hipermercado, para as poder trocar pelos 10 cêntimos.
A devolução não é feita em dinheiro, mas em vouchers para voltar a gastar em produtos. Portanto, e na prática, o leitor deixará de ser dono do seu dinheiro, porque será obrigado a gastá-lo no hipermercado.
Finalmente, o que acontece aos 10 cêntimos das embalagens que, por algum motivo, não forem devolvidas? Pode parecer insignificante, mas, em Portugal, consomem-se anualmente cerca de 2,1 mil milhões de garrafas de plástico. Ora se destas, 25% não forem devolvidas, são mais de 52 milhões de euros por ano que o consumidor pagou, mas nunca mais vai ver...
A devolução (que não é uma devolução) é um embuste: porque é um valor que o consumidor já pagou; porque se o consumidor por algum motivo não devolver ou a máquina não aceitar a embalagem, o que não era um aumento de preço torna-se... num aumento de preço; finalmente, porque ninguém explica para onde vão esses 10 cêntimos caso não sejam devolvidos ao consumidor.
Por tudo isto, o programa “Volta” mais parece ser algo a que, infelizmente, estamos habituados: uma manobra para obrigar, mais uma vez, o cidadão a pagar algo que o Estado, com os nossos impostos, já deveria fazer. E, pelo caminho, alguém vai arrecadar mais uns milhões...
Até aqui parece interessante: as embalagens são recicladas; o consumidor é recompensado pelo comportamento cívico; o ambiente sai a ganhar. Parece uma excelente solução!
Não se entusiasme já, caro leitor, porque a história ainda não terminou.
Estes produtos vão aumentar 10 cêntimos. Da próxima vez que for ao hipermercado comprar um pack de 6 águas de meio litro, conte pagar mais 60 cêntimos. Dir-se-á que o preço não vai aumentar, que se trata de um valor que é reembolsado aquando da devolução (semelhante ao que acontecia com a tara das garrafas de vidro ou ainda acontece com as botijas de gás).
Na verdade, não é bem assim. No caso das botijas de gás, devolvemos a botija vazia e trazemos uma cheia – não é o caso das embalagens. Além disso, as garrafas de vidro até podiam estar sem rótulo, e isso não era problema na devolução. Neste caso não será assim, o que nos leva a outro “detalhe”.
Na devolução, as garrafas ou latas terão de estar em perfeito estado incluindo o código de barras do produto. Quer isto dizer que os bens mais preciosos que vai passar a ter em casa serão garrafas e latas vazias, guardadas com o maior dos cuidados para evitar estragos. Vai ainda passar a acumular sacos com garrafas e latas à espera da próxima ida ao hipermercado, para as poder trocar pelos 10 cêntimos.
A devolução não é feita em dinheiro, mas em vouchers para voltar a gastar em produtos. Portanto, e na prática, o leitor deixará de ser dono do seu dinheiro, porque será obrigado a gastá-lo no hipermercado.
Finalmente, o que acontece aos 10 cêntimos das embalagens que, por algum motivo, não forem devolvidas? Pode parecer insignificante, mas, em Portugal, consomem-se anualmente cerca de 2,1 mil milhões de garrafas de plástico. Ora se destas, 25% não forem devolvidas, são mais de 52 milhões de euros por ano que o consumidor pagou, mas nunca mais vai ver...
A devolução (que não é uma devolução) é um embuste: porque é um valor que o consumidor já pagou; porque se o consumidor por algum motivo não devolver ou a máquina não aceitar a embalagem, o que não era um aumento de preço torna-se... num aumento de preço; finalmente, porque ninguém explica para onde vão esses 10 cêntimos caso não sejam devolvidos ao consumidor.
Por tudo isto, o programa “Volta” mais parece ser algo a que, infelizmente, estamos habituados: uma manobra para obrigar, mais uma vez, o cidadão a pagar algo que o Estado, com os nossos impostos, já deveria fazer. E, pelo caminho, alguém vai arrecadar mais uns milhões...

