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OPINIÃO
COMUNICAR COM SENTIDO É EDUCAR PARA O FUTURO
A passagem de Marcelo Rebelo de Sousa por duas escolas secundárias de Águeda foi um momento de comunicação rara — direta, desarmada e profundamente humana — num tempo em que comunicar com os jovens é, talvez, um dos maiores desafios das lideranças públicas.

Num mundo saturado de ruído, polarização e mensagens instantâneas, a capacidade de parar, escutar e falar com sentido ganha um valor acrescido. E foi precisamente isso que aconteceu: uma intervenção que recusou o registo burocrático e optou por um discurso de proximidade, pedagógico, alinhado com a própria identidade de quem nunca deixou de se assumir como professor.

Mais do que um conjunto de conselhos, o que ficou foi uma visão do futuro — exigente, incerta, mas também cheia de possibilidades. A ideia de que o futuro será radicalmente diferente do presente não é nova, mas ganha outra densidade quando dirigida a quem está a começar o seu caminho. Viver mais, viver mais depressa, viver num mundo global e digital: três dimensões que obrigam a uma capacidade constante de adaptação. E aqui reside uma das mensagens centrais — a mudança deixou de ser exceção para passar a ser regra.

Mas talvez o ponto mais relevante desta comunicação tenha sido a insistência na noção de vocação. Num tempo em que o percurso académico é muitas vezes tratado como uma escolha definitiva e linear, a ideia de que o caminho se constrói, se ajusta e até se reinventa ao longo da vida é libertadora. O curso como instrumento, não como destino. A vocação como processo, não como rótulo.

Há, neste ponto, uma rutura silenciosa com modelos antigos: o emprego para a vida, a estabilidade como objetivo único, a previsibilidade como valor máximo. Hoje, como foi sublinhado, a falta de mudança pode ser sinal não de segurança, mas de estagnação. E essa é uma mensagem particularmente importante para uma geração que cresce entre a pressão das expectativas e a ansiedade do desconhecido.

Outro eixo fundamental foi o equilíbrio entre razão, emoção e ação. Saber pensar não chega. Sentir não basta. Decidir é indispensável. Esta tríade — cabeça, coração e vontade — surge como uma bússola num tempo em que a informação é abundante, mas a clareza nem sempre acompanha.

E depois, talvez o mais essencial: o autoconhecimento. Num contexto onde tantas escolhas parecem influenciadas por expectativas externas — família, amigos, sociedade — a chamada de atenção para a necessidade de cada jovem se conhecer a si próprio é, simultaneamente, simples e profundamente transformadora. Não há dois percursos iguais porque não há duas pessoas iguais.

Mas há ainda uma outra dimensão que merece destaque: a ideia de comunidade. “Nenhum de nós é uma ilha” não soou como uma frase feita porque há uma intenção nela — é um princípio estruturante. A realização pessoal constrói-se na relação com os outros. Numa época marcada por individualismos e bolhas digitais, esta é uma mensagem de enorme atualidade.

Marcelo Rebelo de Sousa é, nesse sentido, um exemplo de alguém que não se fechou sobre si próprio. Mesmo após o ciclo mais intenso da sua vida política, não desapareceu da esfera pública nem se refugiou no silêncio. Pelo contrário, inicia agora uma nova presença ativa, interventiva e próxima, procurando ser útil.

Importa, por isso, sublinhar o momento em que esta comunicação acontece. Num tempo de incerteza global, de rápidas transformações tecnológicas e de fragilidades sociais evidentes, ouvir uma mensagem que valoriza a educação, a capacidade de adaptação, a empatia e o sentido de propósito é necessário.

Porque, no fundo, mais do que inspirar, esta intervenção recorda algo essencial: comunicar com sentido é, também, educar para o futuro.
MUITA PARRA E POUCA UVA
Passamos uma vida a trabalhar”. Ouvimos (e dizemos) muitas vezes esta frase. Traduz frequentemente a ideia de que trabalhamos muitas horas (demasiadas!).
De facto, os portugueses são, no contexto europeu, dos que mais horas passam a trabalhar, ou pelo menos no trabalho. Em média, um português trabalha cerca de 1735 horas por ano. Mais que Portugal, só mesmo Malta, Roménia, Polónia, Chipre, Grécia e Croácia. No extremo oposto, ou seja, os países onde menos horas se trabalha na Europa, estão Alemanha, Noruega, Dinamarca, Países Baixos, Áustria e Luxemburgo.
Existe aqui um primeiro padrão: os países onde mais se trabalha são os menos desenvolvidos e desempenhos económicos mais modestos. Até certo ponto, poderíamos dizer que faz sentido. Se os queres apanhar, tens de correr mais que eles: para “apanhar o comboio” do desenvolvimento, têm de trabalhar mais horas para se poderem equiparar aos países mais desenvolvidos, onde cada trabalhador trabalha bem menos horas por ano.
Na teoria parece tudo certo, na prática nem por isso. Isto porque quando olhamos para os números da produtividade, o cenário não é nada animador para países onde se trabalham muitas horas. Na realidade, a produtividade por hora, traduzida e uniformizada em dólares, é muito menor nos países onde se trabalham mais horas que nos países onde se trabalham menos horas. Nos países onde mais se trabalha, e já enumerados em cima, a produtividade situa-se entre os 38 e os 46 dólares por hora.
Em Portugal, especificamente, cada trabalhador trabalha 1735 horas por ano e produz o equivalente a cerca de 43 dólares por hora. Na Alemanha, cada trabalhador trabalha 1335 horas por ano (menos 400 horas por ano!) e produz cerca do dobro (83 dólares/hora). A situação da Noruega é ainda mais acentuada: trabalha-se 1412 horas/ano e cada trabalhador produz o equivalente a 130 dólares/hora: uma produtividade 3 vezes superior à portuguesa.
Trabalhar muito, não é sinónimo de trabalhar bem. Existem muitos outros factores que, por muitas horas que trabalhemos, estarão sempre a corroer o esforço individual e colectivo do país. Uma economia assente num tecido empresarial de pequenas (e frágeis) empresas, em sectores tradicionais de baixo valor acrescentado e com pouca capacidade de inovação; ao nível do Estado, a burocracia e uma organização (tradicional e ultrapassada) da administração pública; ao nível das empresas, a mentalidade e práticas de gestão absoletas, dignas de um filme de Charlie Chaplin dos anos 30; e, sim, ao nível individual, a falta de ambição, ética de trabalho e profissionalismo. Tudo isto, misturado num cozinhado de sabor amargo, continua a colocar Portugal na cauda da Europa.
Mas amanhã é dia de trabalho e voltaremos a trabalhar muitas horas...
Nota: o autor escreve
segundo o antigo acordo ortográfico
ALIMENTAÇÃO: UMA QUESTÃO DE EXIGÊNCIA
Dos alimentos farás a tua medicina”, dizia Hipócrates, médico grego nascido em 460 antes de Cristo, que já estabelecia a relação entre a saúde e a alimentação.
Hoje, mais do que nunca, esta frase do pai da medicina deve soar-nos ao ouvido. Comemos cada vez mais, por falta de tempo e por facilidade, o que compramos nos supermercados ou seja produtos fabricados por industriais preocupados, antes de mais, em maximizar o lucro.
Convém, por isso, consultar a composição dos alimentos que compramos e deixar nas prateleiras tudo o que contém conservantes, corantes e estabilizadores. Entre os mais problemáticos encontram-se os nitratos e nitritos (E249, E250, E251, E252), mas existem muitos outros “E…”.
Devíamos fazer o possível para evitar gastar dinheiro em produtos potencialmente prejudiciais à saúde.
“O que iremos comer então?”, dir-me-ão. E é verdade: não é fácil encontrar nos supermercados portugueses iogurtes naturais, quer dizer sem açúcar e sem espessantes. Muitos produtos contêm carragenina (E407), um aditivo controverso, associado a problemas intestinais. Da mesma forma, é difícil encontrar fiambre sem nitritos, substâncias associadas a um maior risco de certos cancros, nomeadamente do cólon e do estômago. E que dizer da carne? Mesmo sendo regulamentada, levanta questões quanto ao uso de antibióticos e às condições de produção.
Convém tornarmo-nos mais exigentes. Fazer o esforço de cozinhar produtos naturais. Voltar ao talho, onde o carniceiro tem o dever de conhecer a proveniência da carne que vende.
Se não formos exigentes com a qualidade da nossa alimentação, pomos em risco a nossa saúde. E, como dizia a minha sempiterna avozinha, mais vale prevenir do que remediar.
Verificar cada lata, cada embalagem não é perda de tempo! O que poderá ser mais precioso do que a saúde?
Sabemos hoje que a alimentação está implicada em muitas das doenças que nos afetam: doenças cardiovasculares, obesidade, osteoporose, diabetes tipo 2, colesterol elevado, poliartrite reumatoide, doenças inflamatórias do intestino, alergias e até depressão.
Quanto mais exigentes nos tornarmos, mais hipóteses teremos de ver a nossa saúde respeitada. No fim de contas, ela começa no prato. Por isso não deve a oferta fazer o consumidor mas sim o consumidor fazer a oferta.
MAIS-VALIAS EM HERANÇAS: ENQUADRAMENTO LEGAL E ALTERAÇÕES RECENTES
O regime fiscal das heranças tem sido objeto de clarificações recentes, no que respeita à tributação em sede de IRS.
Nos termos do artigo 10.º do Código do IRS (CIRS), são consideradas mais-valias os ganhos resultantes da alienação onerosa de direitos reais sobre bens imóveis. No entanto, importa distinguir o momento da aquisição e o tipo de bem ou direito transmitido.
De acordo com o artigo 45.º do CIRS, no caso de bens adquiridos por herança, o valor de aquisição corresponde ao valor que serviu de base à liquidação do Imposto do Selo.
Uma das principais alterações recentes decorre da interpretação consolidada pelo Supremo Tribunal Administrativo, nomeadamente no âmbito de decisões proferidas em 2025, que vieram clarificar o enquadramento da alienação do quinhão hereditário, retirando a sua venda da esfera da tributação em IRS, por não se estar a transmitir um bem imóvel concreto, mas sim um direito abstrato sobre a herança.
Contudo, quando ocorre a partilha da herança e os bens passam a integrar a esfera jurídica do herdeiro, a sua posterior alienação já se encontra sujeita ao regime geral de mais-valias, nos termos do artigo 10.º do CIRS. De forma simples, importa reter 3 ideias essenciais:

1. Herdar não paga imposto
A transmissão de bens por herança para cônjuges e
descendentes continua isenta de imposto. No entanto,
a questão fiscal pode surgir mais tarde, quando esses
bens são vendidos.

2.Nova clarificação importante
Uma das principais novidades prende-se com a venda
do chamado “quinhão hereditário”, ou seja, a parte que
um herdeiro detém numa herança ainda não partilhada.
Nestes casos, ficou clarificado que essa venda não está
sujeita a tributação em IRS como mais-valia, por não
corresponder à venda de um bem concreto, mas sim de
um direito.

3.Atenção às diferenças
Esta isenção não se aplica a todas as situações. Sempre
que seja vendido um bem específico herdado (por exemplo,
um imóvel já identificado), continua a existir tributação
de mais-valias em IRS, nos termos gerais.
Em síntese, a distinção entre a venda do quinhão hereditário e a venda de bens concretos herdados é essencial para determinar o enquadramento fiscal aplicável, sendo recomendável uma análise caso a caso à luz da legislação vigente e da jurisprudência recente.
O MEU PAI
Nos verdes anos raramente ia às aulas. Acompanhava o meu pai nas longas viagens por Angola.
Partíamos do Luso (Moxico) em direcção ao infinito, Henrique de Carvalho, Malanje, Novo Redondo, Silva Porto, Huambo, Benguela, Lobito, Sá da Bandeira, Serpa Pinto.
Por aqueles dias o Luíz Gonzaga Grego Júnior, assim registado por ter herdado o nome do meu avô, era o relações públicas da UNITA.
Juntava o dinheiro dos empresários e comerciantes para as colunas militares poderem circular, sem serem atacadas nas zonas sob influência do movimento do Galo Negro.
Fomos à Jamba muitas vezes, sempre de noite, não havia lixo no chão de terra, as luzes eram amarelas, mais baixas do que o arvoredo.
Não era uma cidadela mas também não era um bairro. Nunca vi as mulheres e as crianças que lá viviam.
Soube da guerra civil porque fomos para a escola apressadamente fazer o exame da 4ª classe. Todos queriam regressar.
Os militares portugueses tomaram posição favorável ao MPLA, não participaram no conflito mas facilitaram o equipamento e a logística.
O MPLA e UNITA combatiam rua a rua, casa a casa, ficando os mortos, e os feridos deixados à sua sorte, pelas ruas.
Lá pelo final da tarde, o meu pai e eu miúdo, com nove anitos, recolhíamos os feridos e leváva-mo-los para o Hospital. Depois, os mortos.
A guerra parava, mesmo não jogando o Benfica. A âmbulância improvisada era um Mazda 616, AAF-18-29, cor de laranja, era a última esperança para muitos.
A UNITA, entretanto, tinha cercado e capturado uma figura importante na região do Moxico, o Lúcio Lara. A ala branca e mulata do MPLA que viria a perder a luta interna para os negros do Eduardo dos Santos.
Foi com a intervenção directa do meu pai junto do Dr. Savimbi que foi permitida a libertação e o regresso a Luanda.
Antes de embarcar com a minha mãe e a minha irmã para Nova Lisboa e para a ponte aérea, abracei o meu pai. Não sabia se o voltaria a ver.
Despedi-me do Dr. Savimbi com um beijo na barba farta, como das outras vezes. Desejou-nos boa viagem. Nunca tinha voado num barriga de ginguba, o Noratlas.
Com a família a salvo em Portugal ainda antes da Independência, e com o sonho da via para a paz agora desfeito, decidiu regressar.
A Diamang, a companhia dos diamantes de Angola, tinha uma casa em Saurimo, a norte, e escritórios ainda mais a norte, no Dundo.
O meu pai ficou com as chaves de ambas e esperou pelas tropas do MPLA que entretanto tinham tomado as cidades, para as entregar ao responsável do MPLA.
Iniciou a viagem por terra, via Zâmbia. Levava uma carta, um salvo conduto, assinada pelo Savimbi. Organizou uma coluna de refugiados, velhos, mulheres e crianças.
Alternava a liderança da caravana com dois missionários negros.
Perto da fronteira foram parados pelas tropas da Zâmbia. De nada valeu a carta. Foi feito prisioneiro juntamente com os dois padres.
Foram torturados durante onze dias, as cicatrizes das baionetas eram bem visíveis no corpo. Foi identificado entetanto e resgatado pela Cruz Vermelha.
Fui ter com ele à estação de Campanhã, no Porto, 40Kg num corpo de 1,85m.
“O mundo vai acabar. E eu até sei quando. Posso dizer, não há razão para fazer segredo”. Do livro do Rui Zink, Apocalipse Nau.
Quando o meu pai morreu permaneci entre dois mundos, hesitante, a anomia tomou conta de mim. O luto foi demorado e em silêncio.
Abandonei a condição de filho e assumi a de pai. Em rigor nunca até então tinha percebido a sua importância na minha vida.
Sinto muito a falta do meu pai, do tempo que não passámos juntos. Vai para dezanove anos que não está comigo.
Dói-me muito a tua ausência. Fazes hoje 100 anos paizinho.
O autor escreve segundo o antigo
Acordo Ortográfico.
ENTRE O ESSENCIAL E A DITADURA DO IMEDIATO: QUE FUTURO ESTAMOS A CONSTRUIR?
Nem todo o investimento se mede em dinheiro — e muito menos em popularidade. Há investimentos que se medem em consciência. E talvez nunca tenha sido tão evidente como hoje, num tempo em que o valor das coisas parece depender mais do número de “likes” do que do impacto real na vida das pessoas.
Basta olhar para a reação do público aos conteúdos disponibilizados. Publicações sobre episódios de tensão, dramatização e intriga, frequentemente amplificando fraturas inconsequentes ou pretensas conquistas, geram reações imediatas: multiplicam-se os gostos, as partilhas e os comentários. O impulso é rápido, quase automático. Em contrapartida, notícias sobre trabalho consistente, investimento estrutural ou melhorias concretas — aquelas que verdadeiramente moldam o quotidiano coletivo — passam muitas vezes despercebidas.
As IPSS são um exemplo evidente dessa realidade. Estruturas essenciais, transversais a todas as gerações, que garantem respostas sociais onde elas são mais necessárias. Quando investem, quando modernizam, quando melhoram condições para utentes e profissionais, o reconhecimento público é, na maioria das vezes, reduzido. Não que o impacto seja menor; porém, não gera o mesmo tipo de estímulo imediato.
Este padrão não é inocente. Ele revela uma forma de olhar o mundo: privilegia-se o que provoca emoção instantânea em detrimento do que exige atenção, contexto e sentido de continuidade. E esse padrão tem consequências — aquilo a que damos visibilidade influencia aquilo que ganha prioridade.
É aqui que a política entra, não como um desvio mas como consequência direta deste comportamento coletivo. Se a atenção pública se concentra no imediato, no polémico e no emocional, é natural que a ação política sinta essa pressão.
Coloca-se então a questão essencial: orientar a governação para perseguir objetivos pessoais ou pelo interesse coletivo? Decidir para o imediato ou para o futuro? Medir o sucesso pelo artifício da popularidade momentânea ou pela consistência das decisões?
Quando o critério dominante passa a ser o retorno rápido, corre-se o risco de desvalorizar aquilo que realmente sustenta a sociedade — precisamente o tipo de trabalho que as IPSS (que se dá como exemplo) representam: contínuo, exigente, muitas vezes invisível, mas estrutural.
No fundo, o problema é o mesmo, seja no jornalismo, nas instituições ou na política: a dificuldade em valorizar o que não é imediato, o que não faz ruído, o que não se transforma facilmente em aplauso.
É por isso que a responsabilidade não é apenas coletiva — é também individual. Cada “like”, cada partilha, cada comentário é uma escolha. E cada escolha contribui para definir o que conta.
Há investimentos feitos em tempo, em disponibilidade e em compromisso. Horas para além do horário, recursos próprios colocados ao serviço de causas que ultrapassam o interesse individual. Quem o faz não procura reconhecimento fácil — fá-lo porque acredita, porque respeita, porque entende o valor do que está a construir.
Esse compromisso merece mais do que indiferença. Devia transmitir respeito! Fortalecemos a comunidade que integramos quando há respeito pelo nosso trabalho e pelo dos outros!
No fim, cada um fica com aquilo que escolhe valorizar — e amplificar. E talvez esteja na altura de percebermos que dignidade, consistência e impacto real não são conteúdos virais. Não se compra nem se ludribia! Mas são, sem dúvida, os que mais importam.
Entre o imediato — já quase uma ditadura — e o essencial: que futuro estamos a construir?
INDISCIPLINA NA ESCOLA: UM DESAFIO ATUAL
A indisciplina nas escolas tem-se afirmado, nos últimos anos, como um dos principais desafios enfrentados pela comunidade educativa. Comportamentos disruptivos, falta de respeito pelas regras e dificuldades na convivência em sala de aula são apenas alguns dos sinais de uma realidade que preocupa professores, pais e responsáveis educativos.
Mais do que um problema isolado, a indisciplina reflete transformações sociais mais amplas. A forma como os jovens se relacionam com a autoridade, a influência das redes sociais, a dinâmica familiar e até o ritmo acelerado da vida moderna contribuem para um contexto em que a escola enfrenta novas exigências e desafios.
Neste cenário, o papel da educação torna-se ainda mais crucial. A escola não é apenas um espaço de transmissão de conhecimentos, mas também um lugar de formação cívica, emocional e social. É aqui que se constroem valores como o respeito, a responsabilidade e a empatia, fundamentais para a vida em sociedade.
Os professores assumem, neste contexto, uma função insubstituível. Para além de ensinarem conteúdos, são mediadores de conflitos, modelos de comportamento e, muitas vezes, referências afetivas para os alunos. A sua capacidade de estabelecer relações de confiança e de motivar os estudantes pode fazer a diferença no combate à indisciplina. No entanto, este trabalho exige reconhecimento, apoio institucional e condições adequadas para ser plenamente eficaz.
Por outro lado, o envolvimento dos pais é igualmente determinante. A educação começa em casa, e a articulação entre família e escola é essencial para garantir coerência nas mensagens transmitidas aos jovens. Contudo, é importante sublinhar que os problemas do contexto familiar não devem ser transportados para o espaço escolar. Quando isso acontece, podem gerar conflitos desnecessários e prejudicar o ambiente educativo.
Na verdade, muitos alunos demonstram capacidade para resolver os seus próprios conflitos de forma mais simples e eficaz do que os adultos. Frequentemente, são os pais que acabam por prolongar ou agravar situações, entrando em confronto entre si e, inadvertidamente, dando um exemplo negativo aos mais jovens. A escola deve ser um espaço de equilíbrio, onde prevaleçam o diálogo, o respeito e o bom senso.
Importa também sublinhar que a disciplina não deve ser entendida apenas como imposição de regras, mas como construção de sentido. Os alunos precisam compreender o porquê das normas e sentir-se parte integrante da comunidade escolar. Estratégias pedagógicas mais participativas, baseadas no diálogo e na inclusão, têm demonstrado resultados positivos na promoção de ambientes mais respeitadores e colaborativos.
Enfrentar a indisciplina é, portanto, uma responsabilidade coletiva. Exige o compromisso de escolas, professores, pais e da sociedade em geral. Investir na educação é investir no futuro.
Num tempo de mudanças constantes, reforçar o valor da educação e dignificar o papel dos professores é mais urgente do que nunca. Só assim será possível transformar desafios em oportunidades e construir uma escola à altura das exigências do presente e do futuro.
NEGÓCIOS DOS INCÊNDIOS RURAIS
Iniciaram-se as audições a entidades ligadas ao estudo, gestão e combate aos incêndios no âmbito da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre os negócios dos incêndios rurais entre 2017 e 2025. Esta CPI foi constituída potestativamente pelo Grupo Parlamentar do Partido CHEGA, ou seja, sem hipótese de rejeição pelos restantes partidos.
O objeto desta comissão parlamentar de inquérito é abrangente e vai desde a avaliação e investigação da utilização de fundos públicos destinados ao combate aos incêndios rurais, tendo em conta a adjudicação de meios aéreos, ou violação da concorrência com proveitos ilícitos, até à análise do processo de gestão, prevenção e combate aos incêndios, passando pelos interesses económicos que possam estar por trás desta catástrofe que teima em repetir-se ano após ano, bem como analisar as falhas nos avisos às populações e na rede SIRESP, criada precisamente para servir de rede de emergência nacional.
Esta CPI foi criada de forma potestativa, pois os grupos parlamentares dos partidos constituintes do “bloco central” se mostraram contrários à sua formação. Sendo requerida desta forma, torna-se obrigatória a sua constituição. Tal prerrogativa é permitida a cada grupo parlamentar somente uma vez em cada sessão legislativa. O Partido CHEGA considerou este tema suficientemente relevante para avançar com essa figura regimental já nesta sessão legislativa.
A Comissão tem 180 dias, prorrogáveis por mais 90, para apresentar as suas conclusões, em forma de relatório, a ser votado em sessão plenária.
Estamos certos de que da análise das audições, sejam elas escritas ou efetuadas de forma presencial, irão resultar conclusões sobre os interesses que podem existir por trás destes eventos, extremamente violentos e traumatizantes para as populações onde, por vezes, veem esfumar-se o fruto do trabalho de uma vida.
O Partido CHEGA teve isso bem ciente quando requereu a comissão. Já os “partidos do sistema” se mostraram relutantes ou mesmo em oposição à pretensão. Porquê? Porque não quiseram os partidos do “bloco central” apoiar a constituição desta CPI? Porque se opuseram? Porque tentaram arranjar “mil e uma desculpas” para que a comissão não avançasse?
Sabendo-se o objeto da comissão parlamentar de inquérito, talvez se possa compreender porquê.
Agora é deixar correr as audições, estar atento e, no final concluiremos.
Para já, fica uma certeza, existe quem mostra coragem e não tem medo de afrontar o “sistema” ou os seus protetores!!!
PRIMAVERA E OS PARASITAS EXTERNOS NOS ANIMAIS DE COMPANHIA
Com a chegada da primavera, os dias tornam-se mais longos, as temperaturas sobem e a natureza ganha nova vida. No entanto, esta estação traz também um aumento significativo de atividade de parasitas externos, representando um risco acrescido para a saúde dos nossos animais de companhia e consequentemente, para toda a família.
Os parasitas externos (ectoparasitas) mais comuns são as carraças, pulgas, ácaros e mosquitos, representando todos eles doença para os nossos animais, algumas delas muito graves, tais como dermatite alérgica à picada de pulga, “febre” da carraça ou leishmaniose.
A prevenção continua a ser a forma mais eficaz de proteger os nossos animais. Assim, o uso regular de desparasitantes externos e repelentes torna-se fundamental, sempre de acordo com a indicação do seu médico veterinário assistente.
A higiene dos locais de passeio, das zonas de descanso e a verificação regular do pelo é fundamental para confirmar que não há parasitas no seu animal.
A desparasitação externa não deve ser encarada como uma medida sazonal, mas sim como parte integrante dos cuidados básicos de saúde do nosso animal, durante todo o ano. Proteger o seu animal é também proteger a sua família, uma vez que alguns destes parasitas podem afetar humanos.
Nesta primavera, desfrute do bom tempo com o seu companheiro de quatro patas, mas não se esqueça que a prevenção continua a ser a melhor forma de garantir o bem-estar e saúde de todos.
SE ISTO É VIVER MELHOR, PORQUE É QUE NOS SENTIMOS SEMPRE TÃO CANSADOS?
O despertador toca. Ainda antes de sair da cama, já há notificações para ver, mensagens por responder, pequenos assuntos que pedem atenção. O dia começa e começa com pressa.
Entre trabalho, compromissos e tarefas que parecem não ter fim, as horas passam sem darmos conta. Há sempre mais qualquer coisa para fazer, mais um detalhe por resolver, mais uma preocupação à espera. E, quando finalmente chega ao fim, o que sobra, muitas vezes, é apenas cansaço.
Não é um cansaço fora do normal. É aquele que se tornou habitual. Que aparece todos os dias, quase sem surpresa. Que se instala e vai ficando, como se fizesse parte da rotina.
Pelo meio, pequenas coisas vão sendo adiadas. Um café com mais tempo. Uma conversa sem interrupções. Um momento de pausa. Não porque não sejam importantes, mas porque raramente parecem urgentes.
E assim, quase sem darmos conta, vamos vivendo a um ritmo constante, onde parar começa a parecer um luxo e abrandar uma exceção.
Mas talvez a questão não esteja apenas na quantidade de coisas que fazemos. Talvez esteja na forma como ocupamos os nossos dias, na forma como distribuímos o tempo, a atenção e a energia.
Porque, no meio dessa pressa contínua, aquilo que mais nos sustenta é muitas vezes o primeiro a ficar para depois. O descanso que não chega, o tempo que não se dá, a presença que se adia.
E talvez seja por isso que, mesmo quando tudo parece estar a funcionar, algo continua a não encaixar.
Viver melhor não será só ter mais facilidades. Será também conseguir reconhecer o que realmente importa e não o deixar sempre para mais tarde.
Porque, no meio de tudo o que fazemos, há uma pergunta simples que merece, pelo menos, um momento de atenção: se isto é viver melhor… porque é que nos sentimos sempre tão cansados?
Talvez seja essa a pergunta que ainda não tivemos tempo de responder.
COMO UM PEQUENO PAÍS CONSTRUIU UM IMPÉRIO GLOBAL - E O QUE ISSO NOS ENSINA HOJE
Portugal representava apenas 0,23% da população mundial no século XVI. Mesmo assim, conseguiu criar e manter durante séculos um império enorme, espalhado por vários continentes, com territórios distantes e sem comunicação rápida. Ordens da Coroa podiam demorar meses ou anos a chegar. Porque é que não houve mais rebeliões e deslealdades?
Não foi principalmente pela força. Embora os portugueses tenham tido superioridade naval durante muito tempo, o império não se sustentou apenas por ameaças. A chave esteve no alinhamento de interesses.
A Coroa portuguesa criou um sistema inteligente de recompensas: distribuía cargos, terras, títulos, privilégios e honras a quem servisse bem o império. Em troca, exigia lealdade, tributos e serviços militares. Este mecanismo transformava potenciais rivais em parceiros. Francisco de Almeida, por exemplo, podia ter tentado tornar-se independente como vice-rei da Índia. Mas isso significaria perder tudo: estatuto, futuro da família e proteção da Coroa. Preferiu negociar.
O historiador Francisco Bethencourt explica bem este ponto: o império português era uma rede "frouxa", baseada em compromissos constantes entre o poder central e as elites locais. No Brasil, a "nobreza da terra" (grandes senhores de engenho); em África, os chefes e reis africanos (os chamados potentados); na Ásia, mercadores e líderes locais. Todos recebiam benefícios em troca de colaboração.
Não era um controlo rígido de Lisboa, mas uma espécie de pacto: "tu ajudas-me a manter o império e eu dou-te poder e recompensas no teu território".
Outros fatores ajudaram — a Igreja, o comércio marítimo, a miscigenação —, mas o sistema de incentivos foi central. Como diria o investidor Charlie Munger: "Mostra-me o incentivo e eu mostro-te o resultado".
Esta lição é universal. Qualquer organização — empresa, associação, equipa — enfrenta o mesmo desafio: os incentivos estão alinhados? Ou existem interesses escondidos que puxam em direções diferentes e geram desperdício, desmotivação ou até ruturas?
Muitas vezes, os problemas que parecem de "falta de empenho" são, na verdade, falhas no sistema de incentivos. Custos de agência invisíveis que ninguém diagnostica.
Faça-se estas perguntas simples: Todos têm interesse real em dar o seu melhor? Quais são os incentivos perversos que podem estar a sabotar os resultados?
DOIS SANGUES, A MESMA RAÍZ: O AMOR
Passamos, muitas vezes, sobre a vida sem darmos conta da importância ou sentido dela, nas suas vicissitudes humanas, materiais ou divinas. Andamos num entorpecimento permanente e distraído e quando acordamos de um marasmo espiritual, por momentos, descobrimos a perda dos valores e dons que nos são concedidos como algo que constrói o nosso caminho sério, honesto e único – o caminho da Verdade.
Contudo, é-nos dada sempre uma oportunidade de recuperação das nossas debilitadas virtudes que parecem basear-se na Fé mas apenas numa dimensão material. Mesmo nesta vertente, se há um aproveitamento consciente e humilde, nada se perde e surge sempre a oportunidade soberana para todos colaborarem na paz, concórdia e interajuda da sociedade, mesmo que se desconheçam os seus membros, uns aos outros.
Disse, um dia, o nosso Jesus Cristo: «Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a própria vida (sangue) pelos seus amigos. Vós sois meus amigos…» Jo.15/13.
Ora, convenhamos, estamos numa época adequada que nos enquadra nesta altíssima atitude cristã.
Aproxima-se o tempo de perscrutarmos mais intimamente a entrega generosa e livre do sangue de Alguém que lavou o pecado do mundo, dando ao homem o ensejo de aproveitamento salvífico para todos os que, humildemente, procuram aceitar, ainda mesmo sem compreender, o Mistério da Cruz, onde Jesus Cristo derramou o Seu sangue para que todo o homem de boa vontade pudesse ser misteriosa e espiritualmente lavado. A maldade e inveja dos humanos são assim vencidas por uma entrega total, sem segundas intenções nem reservas dAquele que ama todos a quem convida a assumir atitudes idênticas, pois só baseando toda a existência no Amor se poderá atingir a paz e a felicidade.
Quis o mesmo nosso Deus provar a minha pessoal atenção à Sua paixão, “enviando-me” para o Hospital, onde permaneci alguns dias, no silêncio de mim mesmo, mas despertando para uma realidade, tantas vezes, levada em pouca consideração e valia.
Foi-me detectado um estado débil, pois o meu sangue havia, quase, desaparecido.
Na sala de observações e trabalhos, logo me foi aplicada uma primeira transfusão de sangue para adquirir alguma força que vencesse aquela fraqueza notória.
Como que de um sonho revelador, acordei para a Paixão de Cristo e Seu sangue “guardado” como reserva a fim de que todos tivéssemos VIDA.
Agora, sentindo correr no meu corpo um sangue que não é o original, percebo e aceito as suas recolhas como dádivas para salvar o equilíbrio físico de alguém.
Meditando, dei graças a Deus pelo sangue derramado na Cruz para nossa redenção. E, ao mesmo tempo, agradeci o amor dos que, acreditando ou não no sobrenatural, mas em gesto de despretensioso amor, dão parte do seu sangue para que a qualquer irmão, ainda que desconhecido, lhe seja salvaguardada a saúde.
Rezo por quantas pessoas que, gota a gota de amor, me libertaram, para já, de algum desconforto, como também louvo o Senhor Jesus, pelo Seu radiante sangue que nos redime da doença do pecado, se nos predispusermos a tal graça tão infinita, e é espelho para as dádivas voluntárias de sangue que significam uma enorme e feliz vontade de fazer bem, sem esperar nenhuma compensação material.
QUANDO A ESCOLA PASSA A SER RESPONSÁVEL POR TUDO
Nos últimos anos tem-se tornado cada vez mais evidente uma tendência preocupante na relação entre famílias e escola: a transferência progressiva de responsabilidades educativas quase exclusivas para a instituição escolar. Aquilo que deveria ser um trabalho conjunto, assente numa parceria sólida entre pais e professores, transforma-se muitas vezes, numa expectativa de que a escola resolva todos os problemas que envolvem as crianças e os jovens.
A escola sempre teve um papel central na formação académica e cívica dos alunos. É um espaço de aprendizagem, de socialização e de desenvolvimento de competências essenciais para a vida em sociedade. Contudo, a realidade atual mostra que, para além destas funções, espera-se cada vez mais que a escola intervenha em áreas que tradicionalmente pertenciam ao núcleo familiar.
Hoje, não raras vezes, a escola é chamada a resolver problemas familiares, conflitos emocionais, dificuldades sociais, carências afetivas e até situações económicas que ultrapassam claramente a sua esfera de atuação. Professores e outros profissionais da educação acabam por assumir funções que vão muito além do ensino: mediadores familiares, assistentes sociais improvisados, psicólogos de circunstância e, por vezes, substitutos da própria presença parental.
Este fenómeno não resulta apenas de desinteresse ou negligência por parte das famílias. Em muitos casos, está associado a contextos de trabalho exigentes, instabilidade económica ou mudanças profundas na organização das próprias famílias. No entanto, independentemente, das causas, as consequências fazem-se sentir dentro da escola.
Quando o acompanhamento familiar diminui, surgem inevitavelmente dificuldades no comportamento, na motivação e no desempenho escolar dos alunos. A falta supervisão nas rotinas de estudo, diminui o diálogo sobre a vida escolar e enfraquece a responsabilidade partilhada pelo percurso educativo das crianças e dos jovens. Perante qualquer dificuldade, a reação imediata é apontar a escola como responsável.
É importante reconhecer que a escola desempenha um papel insubstituível na sociedade, mas não pode, nem deve, substituir a família. A educação de uma criança ou de um jovem é um processo complexo que exige a presença ativa, consistente e responsável dos pais ou encarregados de educação. Sem esse envolvimento, qualquer esforço da escola fica inevitavelmente limitado.
A solução não passa por culpabilizar uns ou outros, mas por recuperar a ideia fundamental de que educar é uma responsabilidade partilhada. A escola pode ensinar, orientar e apoiar, mas precisa que as famílias estejam presentes, acompanhem, estabeleçam limites e valorizem o percurso escolar dos seus filhos.
Uma sociedade que deposita todas as expectativas educativas apenas na escola corre o risco de fragilizar um dos pilares essenciais da formação das novas gerações: a família. E sem esse equilíbrio, nenhuma escola, por mais competente que seja, conseguirá responder sozinha a todos os desafios que hoje se colocam à educação.
OS FILHOS DO HOMEM
Em 2006, “Os Filhos do Homem”, um filme protagonizado por Clive Owen, Julian Moore e Michael Cane, retrata um futuro, em 2027, em que o mundo tinha entrado em colapso porque as mulheres deixaram de conseguir engravidar. A história revolve em torno do protagonista a tentar proteger uma mulher grávida enquanto tenta levá-la em segurança para um refúgio, porque ela e o bebé representam a última esperança da Humanidade.
Propositadamente, ou não, este filme com pouco mais de 20 anos é uma alegoria daquilo que, muito em breve, estaremos a vivenciar. E os sinais já são suficientes e evidentes.
Ao longo dos últimos 20 anos, a natalidade em Portugal manteve uma tendência de queda forte na primeira metade do período e depois entrou numa fase de estabilização, mas em valores baixos. Portugal continua longe dos níveis de substituição de gerações, apesar de pequenas recuperações recentes. Em 2024, o saldo natural foi negativo, com mais mortes do que nascimentos, o que confirma que a natalidade, sozinha, não compensa o envelhecimento populacional.
Além disso, há também uma mudança clara no comportamento familiar: a maternidade está a ser adiada, e a idade média ao nascimento do primeiro filho ultrapassou os 30 anos pelo quinto ano consecutivo, chegando aos 30,3 anos em 2024.
Resultado: em 2024, havia quase dois idosos por cada jovem (192 idosos por cada 100 jovens). No mesmo ano existiam ainda 2,6 pessoas em idade ativa por cada idoso, quando há 20 anos eram cerca de 4. A manterem-se os indicadores actuais, o futuro próximo será ainda menos animador.
O impacto no país deste cenário é próximo de catastrófico, com a “solidariedade geracional” posta em causa a vários níveis. Em termos económicos, o número de jovens não será suficiente para gerar a riqueza necessária para suportar a necessidade de recursos de uma população envelhecida. Nestes recursos incluem-se pensões e reformas, cuidados de saúde e resposta social (lares, cuidados continuados e apoio domiciliário).
Menos jovens significa também menos escolas e recursos educativos, com impacto directo sobre a necessidade de professores e profissionais de educação. Mas menos jovens significa igualmente um mercado de trabalho mais curto e sem capacidade de regeneração. As empresas terão muitas dificuldades em ter acesso a mão-de-obra (qualificada ou não). E um mercado de trabalho sem mão-de-obra é como um motor sem combustível: não funciona.
Por isso, o protagonista do filme “Os Filhos do Homem” é uma metáfora daquilo que as políticas públicas e os políticos deveriam ser para um país que se encontra em estado comatoso: um vislumbre de esperança e de protecção daquilo que é mais precioso para a renovação de uma sociedade – os seus jovens.
Nota: o autor escreve
segundo o antigo acordo ortográfico
CONSCIÊNCIAS EMBOTADAS
Ouvi já, milhentas vezes, a expressão “consciências embotadas”. Valha a verdade que, em tempos, eu não lhe dava grande importância, talvez mesmo, usando-a. Por negligência ou leveza de espírito, demorei tempo a avaliar o seu significado e aceitei que outros soubessem classificar o verdadeiro conceito.
Todavia, as circunstâncias vão-se tornando mais claras e experimentadas ou meditadas e adquirem-se, assim, outros critérios de avaliações próprios e pessoais que nos abrem caminhos de entendimento sobre o empenho dos indivíduos na sociedade.
Como o tempo se vai esgotando para todos nós, corremos o risco de não nos apercebermos das realidades que surgem nos meandros de uma sociedade torpe que se esforça por colaborar com o mal universal sem lhe prestar atenção, negando, até, entender aquilo que é um desastre para toda a humanidade.
Há um fim do mundo antecipado, cuja importância negativa causa um adormecimento humano de aterrar. São circunstâncias episódicas sangrentas que entram nos olhos e ouvidos, mas não se fixam num coração consciente.
Os acontecimentos mundiais negativos são incontáveis. Parece, na verdade, que está a cumprir-se o Apocalipse, atendendo a semelhante desolação actual.
Olhando tudo quanto podemos abarcar com a nossa natural fraqueza humana, depreendemos que as épocas foram evoluindo serenamente em si mesmas e os homens aproveitaram todo o êxito material para se colocarem também numa situação de certa felicidade.
O decorrer dos dias, porém, vai arredando qualquer indivíduo das obras por ele produzidas, porque deixou de haver, entre elas, o elo de ligação. O homem faz e aperfeiçoa as coisas e, depois, parece descansar alheando-se de tudo o que foi o seu trabalho feito.
De lamentar é que, do muito que construiu, uma parte concorre para a sua destruição pessoal e parece não se mostrar qualquer esforço de recuo. Por isso, caminha-se drasticamente para um final que desconhecemos, mas que surge como inevitável.
As guerras, tenham elas a dimensão que tiverem, são o sinal aberto para a derrocada.Cifram-se em milhares de pessoas, guerreiros e não guerreiros, idosos, jovens, crianças inocentes, sacrificados sem dó nem piedade e tudo gizado na ganância e sede de poder e de bens. O ambiente social e familiar começou, há muito, e mais agora, a degradar-se. Hoje, crianças e jovens vão perdendo a noção dos valores que não lhes são comunicados nem incutidos.
E tudo o mais que se poderia enumerar. Apenas deveremos apontar como lástima as consciências embotadas que já pouco se incomodam com a tamanha e hedionda desfaçatez deste nosso mundo.
A impassibilidade ou indiferença diante de quaisquer atrocidades cósmicas são a nossa cobardia.
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OPINIÃO | Carlos Abrantes | A Coreia do Norte é fixe
Quando disse aos meus amigos que ia de férias para a Coreia do Norte a reacção não se fez esperar. Para a Coreia do Norte? Tens a certeza que queres ir para a Coreia do Norte? E ficavam a olhar para mim com aquele ar compadecido de quem acha que eu tinha perdido o tino. Com tantos destinos de sol e mar, com Mediterrâneo e Caraíbas, com Brasil e Tailândia eu escolhera a Coreia do Kim Jong-Un, Mr. Rocket Man!
E foi uma óptima escolha.
Aconselho aos ambientalistas do PAN, tão na moda, e aos amantes das grandes causas politicamente correctas, uma estadia naquele paraíso ambiental. Não sofrerão com os engarrafamentos das grandes metrópoles capitalistas porque em Pyongyang, a capital, praticamente não circulam automóveis, nem camiões, nem autocarros. Emissões de carbono zero, ou quase.
Em contrapartida vê-se muita gente a pé, a caminho do trabalho ou de lado nenhum, promovendo um estilo de vida saudável, sem complicações cardiovasculares ou de diabetes. À excepção do “querido líder”, não vi gordos. Uma vitória do povo norte coreano que, desse modo, pode dispensar a existência de serviço nacional de saúde.
Também o regime alimentar muito frugal, pobre em hidratos de carbono, proteínas, gorduras e açúcares, com consumo de carnes vermelhas zero, é um exemplo para o mundo. Daí que seja seguido de perto pela comunidade científica, nomeadamente pela Universidade de Coimbra que, numa atitude pioneira e esclarecida decretou a proibição do consumo de carne de bovino nas cantinas estudantis.
Há, no entanto, um “mas” que perturbará os nossos amigos do PAN. Os Norte coreanos gostam, e consomem, carne de cão. Em ocasiões especiais, é certo, mas comem cão. Sopa de cão, cão guisado, cão frito, mil maneiras de cozinhar cão... Tal como o PAN eles também gostam de animais. Têm uma forma diferente de gostar, mas que gostam, gostam!
E gostam também dos líderes. Não os comem, porque não podem, mas têm um carinho especial pelos líderes. Erguem-lhes estátuas monumentais. Aos três – ao avô, ao pai e ao filho. Uma democracia, nas palavras de Bernardino Soares, transmissível de pais para filhos.
É tudo em grande! São enormes as estátuas, os cemitérios, os edifícios públicos, as bibliotecas, os museus, ou os estádios. E os espectáculos e as manifestações populares de apoio, ou de pesar. E as auto-estradas, ah as auto-estradas! Com três pistas em cada sentido, viajei a partir de Pyongyang para sul até ao paralelo 38 e para norte até Myohyang. Um espanto! Sem portagens nem congestionamentos, sem aselhas nem chico-espertos. Centenas de quilómetros sem um sobressalto ou um acidente. Havia, é certo, o problema do piso esburacado e das lombas, dos peões e das cabras, das bicicletas e dos controles militares, mas fora isso era maravilhoso.
Que sossego, que segurança.
Não admira que me tenha sentido muito seguro. É fácil quando cumprimos as regras, e as regras eram claras. Podíamos circular livremente dentro do hotel. Fora do perímetro do hotel, que estava estrategicamente implantado numa pequena ilha, teríamos de estar SEMPRE acompanhados pelos nossos guias locais.
A Coreia do Norte é fixe, mas nas minhas próximas férias vou para um país democrático. Para desenjoar!
- CARLOS ABRANTES

Quando a governança vira cartel - Parte V
Mostramos, antes de terminar esta rubrica, as 13 baixas de Ministros e Secretários de Estado deste governo da maioria absoluta do Partido Socialista (PS):
1 - Sara Guerreiro, Secretaria de Estado da Igualdade e Migrações – Baixa em 2-5-2022.
2 - Marta Temido, Ministra da Saúde - Baixa em 30-08-2022.
3 - Fátima Fonseca, Secretária de Estado da Saúde - Baixa em 30-8-2022.
4 - António Lacerda Sales, Secretário de Estado Adjunto e da Saúde - Baixa em 30-8-2022.
5 - Miguel Alves, Secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro - Baixa em 10-11-2022.
6 - Rita Marques, Secretária de Estado do Turismo - Baixa em 29-11-2022.
7 - João Neves, Secretário de Estado Adjunto e da Economia - Baixa em 29-11-2022.
8 - Alexandra Reis, Secretária de Estado do Tesouro - Baixa em 27-12-2022.
9 - Marina Gonçalves, Secretária de Estado da Habitação - Baixa em 29-12-2022.
10 - Pedro Nuno Santos, Ministro das Infraestruturas e da Habitação - Baixa em 29-12-2022.
11 - Hugo Santos Mendes, Secretário de Estado das Infraestruturas - Baixa em 29-12-2022.
12 - Rui Martinho, Secretário de Estado da Agricultura - Baixa em 4-1-2023.
13 - Carla Alves, Secretária de Estado da Agricultura - Baixa em 5-1-2023.
Tinha razão o Costa quando pediu a maioria absoluta.
O Marajá de São Bento nem precisa, sequer, de negociar à esquerda ou à direita para se tornar num autêntico rei-sol. O Estado sou eu!
Economia: Tortec inaugurou primeira fábrica no Parque Empresarial do Casarão
A Tortec - Tornearia e Peças Técnicas, do Grupo Ciclo-Fapril, inaugurou, na passada sexta-feira, dia 4 de Dezembro, as suas novas instalações no Parque Empresarial do Casarão e será a primeira empresa a instalar-se no novo polo industrial do município.
Carla Santos, directora financeira da Ciclo-Fapril, começou por relevar o desempenho do presidente do município, Gil Nadais, e do seu executivo, que, “em bom rigor, foram os impulsionadores por termos aqui edificado as instalações da Tortec”.
“Mais do que o projecto Tortec, há que enaltecer o esforço e a determinação do presidente da Câmara em fazer de Águeda uma cidade de indústria, de academia e de turismo”, salientou Carla Santos.
“Muito nos honra estar a viver este momento histórico de viragem na dinâmica industrial de Águeda, pois com toda a certeza o concelho vai reflectir a criação de valor que as empresas aqui instaladas vão gerar”, observou a directora financeira da Ciclo-Fapril.
Carla Santos considerou que o facto da Tortec ter sido a primeira empresa a edificar no Parque Empresarial do Casarão, resultou em “dificuldades acrescidas”, sublinhando, em particular, o desempenho do administrador Samuel Santos e do sócio Vitor Antunes, e de “todos os que nos ajudaram a realizar este projecto”.
“Aos nossos colegas de trabalho, esperamos que o transtorno da mudança (que será concretizada na segunda quinzena deste mês) seja superado pelo conforto que estas instalações vos venham a proporcionar. Sabemos que estão motivados com o nosso projecto de trabalho e contamos convosco para dar alma a este edifício”, sublinhou Carla Santos.

Dia muito especial
para Gil Nadais
O presidente da Câmara Municipal de Águeda, Gil Nadais, referiu-se a “um dia, muito, muito especial”, considerando que o Parque Empresarial do Casarão foi um projecto “muito sofrido, muito laborioso e só possível graças à colaboração de muitas pessoas”, destacando o trabalho “inexcedível” do aguadense António Figueira, e o desempenho “fundamental” do vereador João Clemente.
O autarca lembrou que “foram adquiridos mais de um milhão de metros quadrados de terrenos” e anunciou que “mais empresas pretendem vir para o Parque Empresarial do Casarão”, pelo que será necessário adquirir mais terrenos.
Gil Nadais anunciou que “o LIDL irá começar a construir, em 2016”, o seu entreposto logístico, e que durante o próximo ano estarão concluídas as estruturas da Triangle´s e da Sakthi (primeiro pavilhão), para relevar um projecto que, disse, “me custou, pessoalmente, alguns comentários mais acintosos”.



Jorge Almeida está esperançado em "derrotar" a Socibeiral no Tribunal
O presidente da Câmara Municipal de Águeda, Jorge Almeida, mostrou-se confiante no diferendo judicial que opõe a autarquia à Socibeiral, relativo à construção de uma central de betão e betuminoso no Parque Empresarial do Casarão (PEC).

O líder do município foi confrontado, na passada segunda-feira, em sede de Assembleia Municipal, pelo líder da bancada do Partido Socialista (PS), José Marques Vidal, que pretendeu saber em que ponto se encontra o processo, que corre, há vários meses, no Tribunal Administrativo e Fiscal de Aveiro.
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Pai Natal gigante de Águeda é candidato a maior do mundo
Um Pai Natal com 21 metros de altura e 250 mil lâmpadas LED de baixo consumo (24 volts), instalado no Largo 1º. de Maio, é a grande atracção da época natalícia, em Águeda.
O município pretende alcançar o reconhecimento pela instalação do “Maior Pai Natal do Mundo em LED's”, assente numa estrutura em alumínio, com altura de sete andares, forrada a tapy.
Para validar e confirmar a obtenção do recorde, será necessária a deslocação a Águeda de um juiz do Guinness World Records, no sentido de verificar todas as características da infraestrutura e de deliberar acerca da atribuição do recorde.
Os custos inerentes a esta candidatura, aprovada ontem (abstenção de Paula Cardoso e voto contra de Miguel Oliveira), dia 1, na reunião do executivo, são de aproximadamente 10.000 euros.
O Pai Natal, sentado numa caixa de presente de 9 por 12 metros, pode ser visitado até ao dia 11 de Janeiro, e a sua instalação obrigou a um investimento de 49.200 euros.
No passado sábado, 28 de Novembro, o presidente do município, Gil Nadais, deu luz às estruturas espalhadas pela cidade que assinalam o Natal, num momento acompanhado por centenas de pessoas.






Samuel Vilela no Conselho Nacional de Juventude
Samuel Vilela, presidente da JSD de Águeda, foi nomeado para a direcção do Conselho Nacional de Juventude (CNJ), assumindo a pasta das Relações Internacionais e a representação nacional junto de instâncias europeias e internacionais.
O CNJ é a plataforma representativa das organizações de juventude a nível nacional, abrangendo as mais diversas expressões do associativismo juvenil (culturais, estudantis, partidárias, ambientais, escutistas, sindicalistas e confessionais).
Samuel Vilela, de 26 anos, encontra-se a frequentar um programa de Doutoramento na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra e conta já com uma vasta experiência ao nível associativo e político.
Já presidiu ao Núcleo de Estudantes de Relações Internacionais, foi vice-presidente da Associação Académica de Coimbra e membro do Conselho Geral da Universidade de Coimbra.
James Arthur está confirmado no Agitágueda 2015
O Agitágueda deste ano vai ter lugar de 4 a 26 de Julho, estando já confirmados os concertos dos D.A.M.A. (dia 4 de Julho), Paulo Gonzo (11), Selah Sue (17), Jimmy P (24) e James Arthur (26), cuja contratação foi aprovada na reunião camarária de ontem, dia 7 de Abril. O executivo aprovou, também, a contratação dos serviços de vigilância e segurança, com ajuste directo à empresa Protek, e o regulamento de participação nos Talentos Agitágueda.