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OPINIÃO
SUSTENTABILIDADE DE ÁGUEDA: AVANÇOS E DESAFIOS
Os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) são uma iniciativa da Organização das Nações Unidas (ONU) que, a partir de 2015, definiu aqueles que deveriam ser os objectivos dos países para os 15 anos seguintes – a denominada Agenda 2030. Os ODS incluem 17 objectivos e 169 metas, que integram desafios económicos, sociais e ambientais.
O desempenho nestes objectivos permite perceber até que ponto cada país, região ou município está a cumprir a estratégia de se tornar mais sustentável.
Dez anos volvidos (dois terços do horizonte temporal definido) qual é o desempenho do Município de Águeda relativamente aos 17 objectivos de desenvolvimento sustentável?
A iniciativa “ODSlocal”, uma plataforma que permite visualizar e monitorizar os progressos de cada município, oferece informação interessante para esta análise.
O concelho de Águeda apresenta um desempenho desigual ao longo dos 17 objectivos. A “erradicação da pobreza”, a “educação de qualidade” e a “indústria, inovação e infraestruturas” são os 3 objectivos em que Águeda se salienta pela positiva. Por outro lado, a “protecção da vida terrestre”, a “igualdade de género” e o “trabalho digno e crescimento económico” são os que se destacam pelo menor desempenho.
Observados à lupa, na “erradicação da pobreza” Águeda destaca-se na redução dos beneficiários de RSI e no aumento de alojamentos servidos por águas residuais. Já na “educação de qualidade”, o destaque vai para indicadores como o número de estabelecimentos públicos e privados do Ensino Pré-Escolar e para o aumento da taxa real de escolarização (pré-escolar e básico). Finalmente, na “indústria, inovação e infraestruturas”, o destaque vai para indicadores relacionados com o investimento em inovação ou o acesso à Internet de banda larga.
Onde ainda há muito trabalho para fazer é na “protecção da vida terrestre”. Indicadores como o crescimento da proporção de área ardida, ou a propoção de florestas de eucalipto, são áreas que têm de exigir mais foco e esforço do concelho. Embora menos dramática, outra área sensível é o “trabalho digno e crescimento económico”. Aqui aspectos como número de estabelecimentos bancários (em queda), ou a taxa de atração líquida de população empregada por conta de outrem (em queda) são motivos de preocupação. Finalmente, na “igualdade de género”, o concelho tem de melhorar especialmente ao nível da violência doméstica contra cônjuge ou análogos.
Naturalmente, o desempenho em alguns indicadores depende sobretudo de políticas nacionais, onde o município tem pouca intervenção. Ainda assim, muitos indicadores podem ser melhorados através da acção das políticas regionais e municipais. Que Águeda caminha para ser um município verdadeiramente sustentável, é um facto; mas também não é menos verdade que ainda há muito trabalho para fazer em áreas bem identificadas. Porque a sustentabilidade tem muitas faces, e nenhuma deve ser descurada.

Nota: o autor escreve segundoo antigo acordo ortográfico
A POLÍTICA NUM "ATRELADO"
O país tem andado entretido nas últimas semanas a discutir um “atrelado”, um “monte alentejano”, uma “piscina tanque”, uma “digitalização turbulenta” dos exames nacionais e uma invasão a esse mini capitólio de “malas roubadas” que é o gabinete parlamentar do chefe da oposição André Ventura.
Quando acontece este tipo de tragédias, o país político e mediático vive na sombra recorrente da estratégia populista do Chega, das entrevistas e conferências de imprensa, das comissões de inquérito, das auditorias, das averiguações preventivas e da investigação criminal, como se a governação estivesse sob suspeita permanente. Depois queixem-se!
Muito se escreveu e opinou sobre os casos, em concreto, do Ministro da Educação Fernando Alexandre, e do Ministro da Administração Interna Luís Neves que, goste-se ou não do estilo, na minha opinião são os dois melhores e mais capazes ministros deste governo.
O primeiro, com a política de digitalização dos exames é acusado de ser um perigoso conservador neoliberal que privilegia os “procedimentos” digitais, a libertação de trabalho aos professores e a reorganização do caos que é o Ministério da Educação.
O segundo, com anos de experiência no serviço público de combate ao crime organizado e violento na Direção da Polícia Judiciária, é acusado de descurar procedimentos administrativos e éticos, de privilegiar a informalidade e o pragmatismo, em detrimento do rigor formalista e institucional que se espera de um governante.
Nesta voragem mediática e invejosa pela caça aos ministros que humanamente têm falhas, e que por isso não têm alternativa senão a demissão, o país esquece-se de debater a Educação, a Administração Pública, a Justiça, as desigualdades, as reformas do Estado, o PRR e o futuro, ficando-se pela pastosa e insuportável espuma dos dias.
Quando ligo o televisor para ver as notícias do dia, relembro de imediato os “casos” e “casinhos” dos Governos de António Costa (o computador do assessor do Galamba, a demissão do Eduardo Cabrita por causa do atropelamento na auto estrada, etc., o dinheiro em notas no gabinete do PM), e verifico que o padrão de qualidade nos governos do país, não passa pelo conteúdo mas pela forma, e a qualidade dos governantes não passa pela competência mas pelas pequenas falhas procedimentais ou éticas.
Fernando Alexandre assumiu os erros e pediu desculpas como o faziam António Costa e Guterres, sendo o primeiro hoje Presidente do Conselho Europeu e o segundo Secretario Geral das Nações Unidas, não havendo memória de tanta indignação hipócrita das brigadas do moralismo saloio.
Luís Neves assumiu irregularidades evidentes, disse ao país que esteve sempre do lado do bem contra o mal, poupou dinheiro ao país despachando uma “galera”, não entregou declarações de interesses porque nunca lhas pediram, e não pediu licença para transformar o tanque do Alentejo numa piscina que afinal é um tanque porque, diria eu, tinha muito mais que fazer e efetivamente fez na direção do combate ao crime em Portugal sem nunca ter sido corrompido.
Assim se vão queimando profissionais de excelência nesse grande atoleiro da inveja, da vingança e da perseguição mesquinha em que está transformada a Politica radical em Portugal.
E assim se vão afastando da Politica os melhores e, como diz Miguel Sousa Tavares - "qualquer dia temos de arranjar um governo de frades franciscanos com voto de pobreza", e diria eu, levá-los ao Poder num atrelado. 
A INVEJA SERÁ MESMO UM VÍCIO PORTUGUÊS?
O historiador José Eduardo Franco escreve, baseando-se nomeadamente nos dizeres do Padre António Vieira e outros autores, que a inveja é mais forte no povo português que nos outros povos. Talvez. Mas…
Assim que alguém se destaca, se evidencia, desencadeia ódio e críticas imerecidas muitas vezes. Mas vejamos e comparemos o que é comparável ou pelo menos o que está ao nosso alcance comparar. Quando muitos Portugueses gostam de exibir o sucesso financeiro, o Francês desenvolveu uma estratégia que consiste em não falar nos ganhos: falar do património até mesmo do ordenado (tanto mais se for consequente) é tabu para ele. Certamente porque tem consciência da inveja que isso poderá desencadear quando o Português pouco se importa. Poderíamos concluir, baseando-nos nestes comportamentos, que, no fundo, o Francês seria mais invejoso do que o Português.
As duas opiniões estarão erradas porque, se analisarmos bem, os dois povos não são invejosos pela mesma coisa. Para o Francês, o que é suposto ser mais invejado, são os sucessos financeiros, o nível de vida, a riqueza do vizinho. Para o Português, o dinheiro do vizinho não é o que desencadeia mais inveja, não. Chega até a sentir respeito e admiração por quem alcançou uma boa situação de forma fortuita: ganho na lotaria, herança… O que o espírito português não consegue aceitar com facilidade é a energia de que é capaz quem se evidencia. No fundo, porque sabe que os bens materiais são efémeros, vêm-nos ter às mãos e deixam-nos também com facilidade. Agora quem tem energia suficiente para lutar, se opor, avançar na vida, fazer obras grandes ou pequenas… Esse é o verdadeiro alvo da inveja portuguesa.
Que outro povo tem a vivencia, a história do povo português, que trouxe mundos ao mundo, teve ouro a potes para depois tudo perder e passar a ser um dos povos mais pobres da Europa ? Talvez essa experiência o levasse a não colocar a riqueza acima de tudo. Em contrapartida, sabe que a energia de que alguns são capazes, superando falta de recursos, ás vezes até de formação, é o mais valioso porque é um dote que resiste aos infortúnios e dificuldades desta vida.
O problema é que essa lucidez pode acabar por ser negativa porque poderá aniquilar o próprio desejo, isto é matar o pintainho no ovo.
A NUDEZ
Iniciamos com uma pequena referência ao Erasmo que foi o tema da última crónica. No Cap. 12, "Do Quarto de Dormir": “Quando se despir, quando se levantar, não se esqueça do decoro e cuidado para não expôr aos olhos de outras pessoas qualquer coisa que a moralidade e a natureza exigem que seja ocultada.
Se dividir a cama com um companheiro, deite-se sossegadamente. Não mexa o corpo pois isto pode descobri-lo ou causar inconveniência ao campanheiro, puxando dele as cobertas.”
Mais, num livro inglês da segunda metade do séc. XV, a condição social também determinava o “melhor lado”:
“E se assim acontecer, à noite ou em qualquer tempo,
De teres que te deitar com qualquer homem que seja superior a ti,
Reserva-lhe o lado da cama que mais seja do agrado dele,
E deita-te no outro lado, pois é aquele o teu quinhão;”
A intimidade estava agora confinada ao quarto de dormir mas não fora sempre assim.
Era inteiramente normal receber visitantes em quartos com camas, e as próprias camas tinham valor de prestigio relacionado com sua opulencia.
As pessoas passavam a noite no quarto, com família e amigos.
Aqueles que não dormiam vestidos despiam-se integralmente.
A nudez ainda não constituía um problema.
É no banho, principalmente nos balneários públicos que esta naturalidade em mostrar o corpo nú está ainda longe da fronteira da vergonha.
Sabemos hoje que os cavaleiros medievais eram atendidos no banho por mulheres; do mesmo modo, eram elas que lhes levavam à cama a bebida de despedida da noite.
Era prática comum, pelo menos nas cidades, despir-se em casa antes de ir para banhos. "É muito frequente ver o pai, apenas usando uns calções, acompanhado da esposa e dos filhos nus, correr pelas ruas, de sua casa para os banhos.”
A partir do séc XVI esta vida ao natural vai desaparecendo, primeiro nas classes altas e muito mais devagar nas baixas. Até então a vista do corpo nú era um lugar mais comum do que na era moderna.
A vergonha passou a acompanhar formas de comportamento que antes haviam estado livres desse sentimento.
Sorvendo dos textos bíblicos, "percebendo que estavam nus. ficaram envergonhados", dá-se um avanço em direcção à fronteira da vergonha, a mais recato, como diversas vezes ao longo da História.
Desaparece a despreocupação em mostrar-se nu, como também em satisfazer as necessidades corporais na frente dos outros. Tornando-se menos comum na vida social esse espectáculo adquire uma nova importância.
A descrição do corpo passa para a arte, é o sonho como objecto, uma imagem onírica, os desejos não realizados.
A relação com o corpo deixou de ser ingénua e tornou-se sentimental.

O autor escreve segundo o antigo Acordo Ortográfico.
SESSÃO LEGISLATIVA
Cada Deputado é eleito pelo Povo a quem deve dar conta do seu trabalho. Os anglo-saxónicos têm uma expressão, “being accountable”, que, podemos traduzir como “ser escrutinável”, “prestar contas”. Hoje, concluída esta sessão legislativa, pretendo fazê-lo!
Fui escolhido pela liderança do Grupo Parlamentar para coordenador do partido na 3ª Comissão (Comissão Parlamentar de Defesa Nacional), além de membro suplente na 2ª Comissão (Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas) e na 13ª (Comissão Parlamentar da Reforma do Estado e do Poder Local). Com o requerimento potestativo de constituição da Comissão Parlamentar de Inquérito aos Negócios dos Incêndios Rurais, fui também designado coordenador e deputado relator.
Todavia, não nos podemos esquecer de quem nos elegeu directamente, os eleitores dos distritos. Fui, assim, chamado a intervir na Comissão Parlamentar de Agricultura e Pescas para defender o Projecto de Resolução sobre a fileira da lã. Um produto fundamental para a região das Beiras e Serra da Estrela, que não pode ser um prejuízo, deverá ser uma mais-valia.
Dando conta do trabalho produzido ao longo desta sessão legislativa na Comissão de Defesa, o grupo parlamentar do Partido Chega viu aprovado um projecto de lei que irá garantir a gratuitidade do transporte em todo o território nacional aos antigos combatentes e suas viúvas. Nunca nos esquecemos de quem serviu a Pátria.
Foi também aprovado na generalidade, estando a ser discutido na especialidade, um projecto de lei que prevê a criação da reserva voluntária nas Forças Armadas. Quando em todo o ocidente, os países constituem Forças de Reserva, Portugal tem-se mantido afastado dessa tendência. Com os ajustes que o projecto de lei irá sofrer em sede de especialidade, estamos certos de que esta reserva se constituirá num modelo de prestação de serviço militar que aproximará Portugal dos restantes países do mundo livre.
Vimos também aprovados alguns projectos de resolução, como o da optimização do apoio administrativo-logístico nas Forças Armadas, o da transformação do Dia da Defesa Nacional e, finalmente, o reconhecimento do serviço prestado aos portugueses pelas tripulações de salva-vidas, com o aumento das suas remunerações.
Ao longo deste ano legislativo muito se fez, mas muito há ainda por fazer. Deixamos uma certeza, na próxima sessão legislativa continuaremos a trabalhar, ainda com mais entusiasmo, por Portugal e pelos Portugueses.

O autor, por opção própria, escreve com a grafia anterior ao acordo ortográfico.
UM CONTO DE DUAS CIDADES: A LUTA PARTILHADA PELO "ÁGUEDA-AVEIRO"
É com grande entusiasmo que todos recebemos a notícia de que o concurso público internacional para a empreitada do Eixo Rodoviário Águeda–Aveiro foi lançado este mês. Particularmente, e apesar de ter nascido já neste século, sei bem que, quando falamos deste projeto, falamos também de uma luta antiga.
Para Águeda, esta infraestrutura representa uma ligação indispensável à capital de distrito, face às limitações atuais, mas é também um ponto estratégico de ligação aos portos, à ferrovia e à rede rodoviária transeuropeia, através da A1 e da A25. Para Aveiro, constitui uma oportunidade decisiva para consolidar o seu papel enquanto capital de distrito, reforçar o seu potencial como hub logístico intermodal de âmbito regional e nacional e aprofundar a ligação entre dois territórios com mercados de consumo, trabalho e produção fortes e altamente complementares. Para ambos os concelhos, este é um investimento estruturante que abre um novo horizonte de desenvolvimento: pela atração de investimento privado, tanto para o tecido empresarial como para a habitação; pela criação e expansão de oportunidades de negócio; pela geração de emprego; e, em última análise, pela melhoria da qualidade de vida das populações.
Para quem pense que o interesse de um jovem nesta questão se resume a facilitar o acesso aos centros comerciais ou à praia, engana-se. Num mundo cada vez mais competitivo, especialmente para uma geração que continua a enfrentar uma taxa de desemprego muito superior à média nacional, 19,1% face aos 6,1% da taxa geral, segundo dados do Banco de Portugal, e que é constantemente confrontada com a perspetiva da emigração, palavras como crescimento, eficiência e resiliência assumem um significado muito concreto. Torna-se, por isso, essencial aproveitar todo o potencial dos nossos territórios para induzir crescimento económico e criar novas oportunidades de emprego. O Eixo Rodoviário responde precisamente a esses objetivos, ao reduzir tempos de deslocação, aumentar a segurança rodoviária e aumentar a capacidade logística das nossas infraestruturas, diminui significativamente os custos de contexto e a capacidade logística para qualquer um que queira empreender, trabalhar e viver na nossa região.
Este avanço, alcançado graças a um trabalho longo e dedicado, que levou à cooperação entre os nossos municípios, deve também servir de exemplo. Cabe-nos, enquanto cidadãos, independentemente das nossas circunstâncias ou convicções políticas, continuar a reivindicar por este investimento estratégico para toda a região. Temos de nos preparar para o potencial transformador que esta ligação poderá trazer às nossas terras e compreender que, tal como Roma e Pavia não se fizeram num dia, também o Eixo Rodoviário Águeda–Aveiro exigirá perseverança, cooperação institucional e o compromisso de todos para que se torne, finalmente, uma realidade.
DESENGARRAFADOS @ ÁGUEDA.PT
Apesar das intermitências climáticas deste verão, a verdade é que o pico da época estival nos leva, inevitavelmente, à habitual “silly season” noticiosa. E como não pretendo ser a excepção a esta prática ancestral, o tema que trago hoje tem o seu quê de “silly”, sem deixar de ser sério…
No dia em que escrevo estas linhas, está a dar os últimos suspiros a edição deste ano da “festa do regime”. Deixo para mais tarde uma reflexão sobre a necessidade de “reinventar” o Agitágueda, e vou focar-me num “irritante” que me apoquenta há alguns anos. A mim e, pelo que percebo, a muita gente: refiro-me à proibição, por motivos de segurança, de garrafas de vidro nas mesas das tasquinhas.
Há decisões que, embora bem-intencionadas, acabam por transmitir uma mensagem contraditória. A regra determina que as tasquinhas podem vender espumante, mas não podem deixar a garrafa na mesa do cliente. O procedimento é simples: a garrafa é retirada da mesa, ficando guardada no balcão, e os responsáveis vão servindo o vinho aos poucos.
O espumante é um dos produtos mais emblemáticos da nossa região. Faz parte da identidade da Bairrada, representa o trabalho de produtores locais e constitui um dos principais cartões de visita da gastronomia e do enoturismo. Em muitos eventos de concelhos vizinhos, é habitual ver garrafas de espumante nas mesas, contribuindo para a sua promoção e para a valorização da experiência de quem visita. Neste contexto, a proibição causa alguma estranheza. O visitante pode comprar espumante, mas a garrafa desaparece imediatamente da sua vista. Perde-se o impacto visual da marca, do rótulo, da origem e da própria experiência de partilhar uma garrafa à mesa, algo que faz parte da cultura vínica portuguesa e bairradina.
Os eventos populares são também uma montra do território. Servem para mostrar o que de melhor se produz localmente e reforçar a identidade da região. Esconder um dos seus produtos mais nobres parece caminhar no sentido contrário desse objetivo.
Naturalmente, a segurança em eventos públicos deve ser uma prioridade. Qualquer medida destinada a proteger visitantes e participantes merece ser ponderada e respeitada. Contudo, importa questionar se esta solução é a mais equilibrada e se os seus efeitos colaterais foram devidamente avaliados. Já me disseram que isto decorre da realização dos concertos no mesmo espaço das refeições (aqui está um dos tais aspectos a “reinventar”), mas faço notar que, mesmo sem garrafas, estão garfos e facas metálicas sobre as mesas. Será uma garrafa uma potencial “arma” mais letal que uma faca? E não poderiam, como aconteceu no passado, permitir as garrafas nas mesas para quem está a jantar, pelo menos até às 22:30, horas dos espectáculos?
Talvez seja tempo de refletir sobre esta regra e avaliar se continua a fazer sentido. Porque promover o espumante da Bairrada passa também por lhe dar visibilidade. E um produto que é motivo de orgulho dificilmente pode cumprir esse papel quando tem de permanecer escondido…

Nota: O autor escreve de acordo com a antiga grafia, que é como quem diz, em português.
PIMENTO
O pimento é um alimento que marca a sua presença de forma assídua nas mesas portuguesas, nesta altura do ano a acompanhar as tão típicas sardinhas assadas. Para além da cor e do sabor que traz aos pratos é também um hortícola com interesse nutricional assinalável.
Este alimento pode apresentar diferentes cores, como verde, amarelo, laranja ou vermelho, consoante a variedade e o grau de maturação. Estas diferenças não são apenas visuais, já que ao longo da maturação também se verificam alterações na sua composição nutricional, com aumento de vários compostos bioativos, em particular carotenoides, como a luteína e a zeaxantina, conhecidos pelas suas propriedades antioxidantes e pelo seu papel na saúde ocular.
Do ponto de vista nutricional, destaca-se pelo teor de vitamina C, A e E, fibra e potássio. Em algumas variedades, como o pimento vermelho cru, o teor de vitamina C pode mesmo ultrapassar o da laranja quando comparados por 100g de alimento. A vitamina C destaca-se pela sua capacidade antioxidante, contribui para a formação de colagénio e para a absorção do ferro de origem vegetal.
A presença de carotenoides e vitaminas antioxidantes ajuda a explicar parte dos seus benefícios. Estes compostos estão associados à proteção das células contra o stress oxidativo e a um contributo positivo para a saúde ocular e da pele. No caso da luteína e da zeaxantina, sabe-se que se acumulam na retina, onde desempenham um papel relevante.
O seu teor em fibra também o torna útil no contexto de uma alimentação promotora da saúde digestiva.
Na cozinha, o pimento é um alimento bastante versátil. Pode ser consumido cru, assado, estufado, incluído em saladas, sopas, entre muitas outras opções. Integrado com regularidade em refeições simples e equilibradas é uma forma prática de acrescentar cor, sabor e valor nutricional ao prato.
QUANDO O SISTEMA ERRA, QUEM PROTEGE OS ALUNOS?
Nas últimas semanas, o país assistiu aos sucessivos problemas que marcaram os exames nacionais. Perante as dificuldades verificadas, o Ministério da Educação assumiu uma posição clara: nenhum aluno pode ser prejudicado por falhas do sistema. Entre as medidas anunciadas, foi reconhecido que um estudante que conheça a classificação de um exame na véspera da 2.ª fase poderá não reunir as condições emocionais necessárias para realizar uma nova prova em igualdade de circunstâncias. É um princípio com o qual dificilmente alguém discordará.
Mas então surge uma pergunta inevitável: porque é que esse mesmo princípio parece deixar de ser relevante quando o impacto emocional resulta de falhas ocorridas durante a realização do próprio exame?
Foi precisamente esse o entendimento do Júri Nacional de Exames ao indeferir o pedido para que uma aluna com dislexia realizasse o exame de Português na 2.ª fase com efeitos na 1.ª fase de candidatura ao ensino superior. A decisão fundamenta-se no facto de a situação ter ficado "esclarecida e regularizada em cerca de 15 minutos" e de a aluna ter beneficiado, no final, de todas as adaptações previamente autorizadas.
Mas a verdadeira questão nunca foi o relógio. Foi aquilo que aconteceu durante esses trinta minutos (ou os quinze admitidos pela escola).
Uma aluna que entrou na sala para realizar um dos exames mais importantes da sua vida viu ser colocado em causa um direito previamente reconhecido. Em vez de encontrar um ambiente de tranquilidade e segurança, assistiu a interrupções, esclarecimentos e sucessivas verificações sobre uma medida que deveria estar garantida antes do início da prova. O problema administrativo foi resolvido. O impacto emocional não desapareceu por isso.
Um parecer técnico da psicóloga que acompanha a aluna explica que situações desta natureza podem comprometer a atenção, a concentração e a memória de trabalho, afetando a disponibilidade cognitiva necessária para uma prova desta exigência. Curiosamente, é exatamente este princípio que o próprio Ministério invoca quando procura proteger outros alunos das consequências emocionais de falhas do sistema. Não se trata de pedir privilégios nem tratamentos de exceção. Trata-se apenas de aplicar, com coerência, o mesmo princípio de equidade a todos.
Seria fácil terminar este texto colocando esta jovem no papel de vítima. Mas essa seria, talvez, a maior injustiça.Os acontecimentos que viveu não definem quem ela é. Definem apenas um momento do seu percurso. Como tantas pessoas, terá de adaptar planos, encontrar novos caminhos e transformar a adversidade em aprendizagem. A verdadeira educação também se faz dessa capacidade de resiliência Contudo, essa não pode ser a resposta das instituições. Aos alunos cabe superar desafios; ao sistema educativo cabe garantir que esses desafios resultam da exigência académica e não de falhas organizativas.
É por isso que fica uma pergunta que ultrapassa este caso e que merece a reflexão de todos: como podem as famílias confiar plenamente na escola pública quando, em determinadas circunstâncias, é o próprio sistema que gera a desigualdade que deveria prevenir?
A confiança não se constrói com a ideia de um sistema infalível. Constrói-se quando as instituições reconhecem os seus erros, os corrigem e colocam sempre a justiça acima do procedimento. Só assim a escola continuará a ser aquilo que deve ser: um lugar onde todos os alunos encontram igualdade de oportunidades, segurança e confiança para construir o seu futuro.
POR UM OLHAR MAIS ALARGADO
É, talvez, penoso sairmos do nosso cubiculozinho, onde nos vamos entretendo, no dia a dia, com problemas pessoais comezinhos, olhando o deambular dos mais próximos e esquecendo as desgraças que grassam pelo mundo além.
Podemos até lamentar situações catastróficas que nos apavoram e fazem temer e tremer. Lemos jornais e ouvimos noticiários televisivos e até julgaremos, por vezes, que tudo não passa de uma orquestração para nos abstermos do que há de grave ou se encherem colunas de papel, como, ainda, dar ênfase às imagens do visor, à nossa frente
Nestes tempos é fácil passarmos as nossas umbreiras e viajar pelos vários Continentes e, num abrir e fechar de olhos ficarmos embrulhados em tudo quanto é drástico neste planeta.
Porém, qual é o nosso sentimento perante tamanha negatividade humana que atinge tanto os pobres e ricos, como o mundo do trabalho e da cultura, da crença e da falta de Fé, de desporto ou da arte?
Certamente, nem sempre daremos apreço aos esforços dos quais se ouve falar, feitos em ordem a poder-se debelar a ruína e a morte.
Os difíceis problemas humanos universais parecem aumentar com o (sub)desenvolvimento cultural de parte da Humanidade que se convencerá nada ter a ver com quanto se passa fora dos âmbitos populacionais de alguns cantos.
Claro que sempre assim acontecerá, mas, uma vez mais bem informados, tudo isso nos deveria incomodar interiormente, lembrando a possibilidade de descobrir alguns meios de ajuda. Há campanhas de recursos com o fito de eliminar determinados estragos mundiais. Mas é muito pouco, convenhamos.
Alguns “leaders” internacionais vão suscitando convénios para haver resoluções nos casos mais intricados e, mesmo assim, nalgumas circunstâncias, acabam por recrudescer outras dificuldades e crueldades.
Eu pertenço, como tu e muita gente, a uma Igreja preocupada por alertar as consciências e fazer que as comunidades se sintam empenhadas em lançar os diversos laços de ajuda. Mas nada substitui a preocupação pessoal quando, imprudentemente, nos alheamos dos acontecimentos infelizes, pensando que tudo decorre longe de nós.
O amor com que Deus nos dotou deverá fazer actualizar sempre o espírito da solidariedade que não pode nunca acabar.
O Papa actual, como os seus antecessores também fizeram a seu tempo, convida-nos a parar e reflectir sobre o empenho ou descuido em relação aos problemas globais que ocorrem nestes nossos tempos.
Destaco a figura deste Pastor da Igreja Católica, não desprezando a doutrinação dos outros que passaram, porque me impressionou a sua postura e preocupação por tudo, aquando nos concedeu – a mim e aos colegas de Curso – um encontro com simplicidade, serenidade e convicções firmes. Entendemos bem o seu modo de analisar este tempo que vivemos, até porque dialogou connosco, usando a Língua Portuguesa, e se preocupou em prender a nossa atenção nas vicissitudes ateias mundiais.
Ele faz admoestações diárias. É Pastor que procura alimentar a preocupação de os cristãos do mundo inteiro não deixarem de se condoer, de alguma forma, com os outros irmãos nossos que padecem as incompreensões ou perseguições movidas por quem perdeu a identidade de humanos verdadeiros. Ele afirma-se, com verdade e no porte, conhecedor da profusão de problemas prementes e interage relativamente a muitos países aos quais não vende armas, mas procura transmitir o incentivo da esperança, esforçando-se por semear o amor, a fraternidade, o respeito pela vida, a paz.
Com as preocupações que exterioriza em todas as direcções, estimula-nos a cruzar e alargar os nossos olhares, abrangendo quem sofre, atrozmente, por esse mundo além.
BREVE RETRATO DOS IMIGRANTES EM PORTUGAL
Recentemente, o INE actualizou a estimativa de população residente em Portugal e ficámos a saber que em Portugal vivem afinal 11,5 milhões de pessoas.
Num país envelhecido e com fluxos de emigração assinaláveis na última década, este número é surpreendente e só encontra explicação nos 850 mil imigrantes que entraram no país entre 2021 e 2025. Em Portugal, vivem cerca de 1,6 milhões de imigrantes, representando cerca de 14% da população residente no país.
Mas quem são, afinal, estes “novos residentes” em Portugal?
Um estudo realizado pelo Banco de Portugal (em 2024) ajuda-nos a perceber a realidade dos imigrantes que trabalham por conta de outrem.
Os imigrantes trabalhadores têm crescido todos os anos, com especial ênfase para os últimos 4, com taxas de crescimento a rondar os 40%. A média etária é de 33 anos, em claro contraste com os 42 anos da população trabalhadora portuguesa.
Por sector, o peso da população imigrante é especialmente notório na “agricultura e pesca” (4 em cada 10), no “alojamento e restauração” (3 em cada 10), “atividades administrativas” (3 em cada 10) e “construção” (2,5 em cada 10). Em todos os sectores predominam os nacionais do Brasil, à excepção da “agricultura e pescas” onde predominam os nacionais da Índia, Nepal e Bangladesh. Os imigrantes oriundos de países europeus predominam em “actividades de informação e comunicação”, “actividades de consultoria científica” e “actividades financeiras e de seguros”.
Ao nível das remunerações, em final de 2023, a remuneração mensal dos trabalhadores imigrantes jovens situava-se em 769€ e em 781€ nos trabalhadores com mais de 35 anos. Para os nacionais, as remunerações foram de 902€ e 945€, respectivamente.
Nas qualificações académicas, em 2021, a população estrangeira empregada tinha, em média, qualificações académicas mais elevadas do que a população portuguesa. No entanto, os trabalhadores portugueses mais jovens são mais qualificados do que os estrangeiros, mas os portugueses mais velhos são menos qualificados.
Naturalmente, estes dados carecem de actualizações constantes, tendo em conta as dinâmicas migratórias que Portugal tem experienciado nos últimos anos. Ainda assim, salientam-se três ideias relevantes:
1. A absorção de imigração faz-se sobretudo em sectores intensivos em mão-de-obra, onde se exigem menos qualificações e o trabalho é mais precário, como é o caso da “agricultura e pescas”, “alojamento e restauração” e “construção”.
2. Os trabalhadores imigrantes têm remunerações inferiores aos trabalhadores portugueses. Embora tal possa ser parcialmente explicado pelos sectores em que trabalham, revela também o preconceito que ainda prevalece sobre o trabalhador estrangeiro.
3. Finalmente, ao nível das qualificações académicas o dado mais revelador é o facto de os imigrantes terem qualificações mais elevadas que os portugueses. Tendo em conta os setores em que trabalham e os níveis salariais que auferem, isto poderá indiciar situações de sobrequalificação.

Nota: o autor escreve segundo o antigo acordo ortográfico
ÁGUEDA: A CIDADE DOS ESPAÇOS POR UNIR
O incêndio que recentemente chegou à Quinta dos Oliveiras e à Avenida do Emigrante trouxe sobretudo surpresa. A surpresa de ver as chamas alcançarem espaços que a cidade sempre olhou como seus, quase urbanos, e não como territórios de fronteira entre a malha construída e a floresta.
No caso da Quinta dos Oliveiras, o fogo percorreu uma encosta que alguns, desde a adolescência, imaginavam como um pulmão verde urbanizável da cidade e, desse modo, como elo natural entre diferentes patamares urbanos de Águeda. Uma ligação entre a área central e intermédia da cidade e as zonas mais elevadas da encosta, onde também se localizam equipamentos e serviços relevantes de educação, saúde e segurança, juntando-se a muitos outros espalhados pelo território menos recente.
Águeda é uma cidade pequena, desenvolvida em sucessivos patamares sobre a margem norte do rio, com poucas artérias estruturantes. Ainda assim, continua marcada por descontinuidades urbanas difíceis de ignorar. Cresceu de forma irregular, acumulando soluções parcelares e oportunidades adiadas, sem que alguma vez se tenha afirmado uma visão capaz de lhe dar outra dimensão urbanística. Requalificaram-se ruas e espaços públicos, mas continua a faltar transformação estrutural.
A Quinta dos Oliveiras permanece como um dos exemplos mais evidentes dessa descontinuidade. A ausência de ligações mais diretas - transversais à urbe - entre nascente e poente, é outro dos bloqueios que persistem e que continuam a dificultar uma verdadeira integração urbana de Paredes, Assequins e Ameal com o restante núcleo da cidade.
Talvez por isso Águeda continue pequena para a dimensão do concelho que serve. Um concelho vasto, composto por comunidades, identidades e realidades muito distintas, mas cuja sede ainda não conseguiu afirmar plenamente uma escala agregadora e integradora.
A própria Quinta dos Oliveiras faz lembrar outra velha ambição de Águeda: a ligação a Aveiro. Também ela atravessou décadas como projeto do imaginário coletivo, presente desde a infância de várias gerações, e só recentemente começou a dar passos concretos rumo à sua concretização. A Quinta espera dias melhores...
Também o incêndio na Avenida do Emigrante trouxe de volta memórias de outra expectativa antiga: a de aquela encosta vir a constituir uma das grandes áreas de expansão urbana de Águeda na mudança de século. Chegou mesmo a falar-se ali da construção do futuro hospital, com visita ministerial... O tempo passou, o novo hospital nunca avançou e hoje o desafio é garantir que o atual continue a desempenhar plenamente a sua missão. Mas aquela entrada da cidade continua a ser, em grande medida, um espaço de transição inacabada e mais um sinal das descontinuidades que persistem no desenho urbano de Águeda.
Talvez o fogo tenha apenas iluminado, durante algumas horas, questões que a cidade conhece há demasiado tempo.
ERA UM SONHO LINDO
Infelizmente, a realidade foi mais forte.
Há dez anos, acordámos na segunda-feira 11 de julho todos tristes, tristonhos, tristões. Uma vez mais, a França tinha-nos batido, desta feita na final do Euro 2016, ainda por cima por uns humilhantes cinco a zero.
E no entanto nessa noite eu tinha tido um sonho lindo. Eu conto, só peço que não se riam. Prometem? Então aqui vai.
Na noite de 10 para 11 de julho, sonhei que o Ronaldo saía lesionado ao fim de 20 minutos e que, em vez de como de costume se irem abaixo, os nossos rapazes cerravam fileiras.
O Rui Patrício fazia defesas dignas de canonização, o Pepe dizia "Vamos lá, por Portugal e pelo nosso Capitão!", o Raphael Guerreiro fazia jus ao seu nome, o João Mário dava aulas de classe em campo (como aliás já tinha dado na entrevista pré-jogo). O Renato Sanches e o Quaresma não decidiam como de outras vezes, mas estavam na luta – e o Éder marcava o golo da vitória.
Infelizmente na manhã seguinte percebi que fora só um sonho. Oh, eu ainda saí à rua com alguma esperança, para ver as primeiras páginas dos jornais, mas lá estavam as manchetes do costume. DN: "Desilusão." Público: "Portugal volta a falhar nos momentos decisivos." Correio da Manhã: "Dá cá o microfone." Observador: "Se a Selecção fosse privatizada teríamos limpo aquilo." Miguel Sousa Tavares arrasava a equipa ("Nem para apanha-bolas do Porto serviam"), António Barreto falava de "Um país sem emenda", Pacheco Pereira explicava que "O Éder não percebeu o essencial", Marcelo apagava os jogadores das selfies que tinha tirado com eles, o Eduardo Madeira ficava aliviado porque assim já não teria de ir dar uma volta nu ao Marquês, a fazer figuras tristes com aquelas bolinhas penduradas a lembrar caramelos espanhóis.
E eu, deprimido e melancólico como de costume, percebi que as nossas chances de alguma vez ganharmos uma prova de relevo eram ainda menores do que as de, um dia, um português ganhar a Eurovisão...
DEIXAR ARDER QUE É MATO (?...)
Deixa arder, que é mato” tornou-se a normalidade da Proteção Civil nos últimos dois ou três anos.
Percebemos que o objectivo é proteger pessoas e habitações; exclusivamente. Deste modo, os decisores operacionais e a responsabilidade política do governo procuram atravessar incólumes as labaredas que queimam o mundo rural.
Há um ano, aconteceram alguns casos fatais, mas foram raros e uma parte significativa resultou de acidentes. Já no que respeita a habitações, não podemos dizer o mesmo, porque o “deixa arder que é mato” tem casas misturadas ou imediatamente expostas. No balanço, o governo reclamou sucesso na proteção civil, porque apenas houve vítimas circunstanciais e as aldeias foram protegidas.
Contudo, para além da aldeia física, existe o modo de vida que permite a existência da aldeia e as actividades económicas que a sustentam; é a alma identitária que as diferencia, promove e motiva.
Em 2025, com o “deixa arder que é mato”, foi queimada a produção artesanal de queijo da serra, o mel das aldeias de xisto da Lousã, o vinho regional das Beiras, as maçãs bravo de esmolfe da montanha, o cabrito assado serrano, o pão de centeio, a aguardente de zimbro, o coelho à caçador, as castanhas e os seus derivados, o turismo de natureza do interior… ficaram aldeias intactas, mas menos sustentáveis e mais desertas.
Na semana passada, foi a nossa vez de experimentar o paradigma do “deixa arder que é mato”, dentro do município de Águeda e dos de Vouzela e Tondela, porque esta abordagem é democrática.
Tudo ardeu em volta e muitas vezes dentro de Maceira de Alcoba, da Urgueira, da Barrosa, do Salgueiro, de Cabeço de Cão, das Pousadas, de Vale do Lobo, do Casal, de Cambra, da Sernada, da Serra de Cima, de Lourizela, de Vale d´Égua, do Préstimo, de Rio de Maçãs, do Carvalhal, dos Avelais, da Corga da Serra, do Bertufo, da Boa Aldeia, de Alcafaz, da Talhada, da Castanheira do Vouga, das Massadas, de Vale da Galega, da Maçoida, da Giesteira, de Rio Covo, das Cavadas, de Vale Sobreirinho, de Vale Domingos, do Gravanço… e também com uma boa abordagem a Águeda, essa aldeia com muitas casas, ainda atafulhadas dentro dos limites da vila.
Não se constrói uma floresta diferente, sem incluir a floresta na proteção civil; tal como não se inverte a desertificação das pequenas ou grandes aldeias, sem cuidar da sustentabilidade económica e da preservação do modo de vida, que tem história milenar e ainda conserva virtudes para fixar famílias e manter as aldeias vivas, coesas e invejáveis na qualidade das suas produções e da harmonia social.
É necessário interromper a monocultura florestal?... é! Os aceiros corta-fogo são falados e prometidos há décadas?... são! Os decisores operacionais e os responsáveis políticos procuram proteger as pessoas?... sim! Importam-se com o modo de vida do mundo rural?... não! Não, até ao dia em que lhes faltar queijo da serra, cabrito, chanfana, vinho do Dão ou strudel de maçãs de Moimenta da Beira (embora sejam originárias da aldeia de Esmolfe, em Penalva do Castelo).
É a zona de conforto dos governos: não ter notícias de pessoas mortas ou de aldeias queimadas.
Nunca um ministro se lambuzou com chanfana no Teixo, trincou a textura inigualável e alva de queijo fresco do Mosteirinho ou palitou os dentes februdos de paio enfumado com madeira de carvalho negral de Alcafaz. Não chegam à mesa dos eleitos de S. Bento, mas apenas aos eleitos da vizinhança serrana e dos turistas de natureza, que se tornarão tão escassos como a chanfana, o queijo fresco ou o paio.
Uma aldeia segura é uma aldeia onde os seus habitantes e o seu modo de vida estão solidária e igualmente protegidos, sem que nenhum deles arda. É urgente rever a definição de aldeia segura.
VOU CONSTRUIR CASA. POSSO BENEFICIAR DA REDUÇÃO DO IVA PARA 6% PREVISTA NO NOVO PACOTE HABITAÇÃO?
Sim, pode, desde que reúna as condições previstas no novo Pacote Habitação.
Uma das novidades do novo regime é a possibilidade de pedir à Autoridade Tributária a restituição da diferença entre o IVA pago ao empreiteiro à taxa normal de 23% e o IVA que resultaria da aplicação da taxa reduzida de 6% sobre a empreitada de construção da habitação própria e permanente.
Ao contrário do que muitas pessoas pensam, o empreiteiro não fatura a obra com IVA a 6%. O proprietário paga inicialmente ao empreiteiro o IVA à taxa de 23%, depois de concluída a construção, pode pedir a restituição da diferença.
O pedido deve ser apresentado no Portal das Finanças, no prazo de 12 meses após a emissão da documentação relativa ao início de utilização da habitação, dispondo a Autoridade Tributária de 150 dias para efetuar a restituição.
Um exemplo que ajuda a perceber. Imagine uma família que compra um terreno por 100.000,00 € e celebra uma empreitada de 300.000,00 € (valores sem IVA). Como o investimento total é de 400.000,00 €, abaixo do limite legal de 660.982,00 €, poderá beneficiar deste regime, desde que cumpra os restantes requisitos.
Neste caso, o empreiteiro faturará:
• Valor da empreitada: 300.000,00 €
• IVA (23%): 69.000,00 €
• Total a pagar: 369.000,00 €
Posteriormente, o proprietário poderá pedir a restituição da diferença entre o IVA pago (69.000,00 €) e o IVA que resultaria da aplicação da taxa de 6% (18.000,00 €), ou seja, 51.000,00 €.
Contudo, este benefício não é automático. Um dos principais requisitos é que o valor patrimonial tributário (VPT) da habitação ou, se for superior, o valor de aquisição do terreno acrescido dos custos de construção, excluindo o IVA, não ultrapasse 660.982,00 €. Existem ainda outras condições relativas ao destino do imóvel e aos prazos legais que devem ser cumpridas.
Eu concluiria, salientando: quem vai construir casa pode beneficiar de um apoio fiscal muito relevante, mas apenas se planear a obra tendo em conta as regras do novo regime. Um esclarecimento prévio junto de um Contabilista Certificado pode evitar a perda de um incentivo que pode representar dezenas de milhares de euros.
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OPINIÃO | Carlos Abrantes | A Coreia do Norte é fixe
Quando disse aos meus amigos que ia de férias para a Coreia do Norte a reacção não se fez esperar. Para a Coreia do Norte? Tens a certeza que queres ir para a Coreia do Norte? E ficavam a olhar para mim com aquele ar compadecido de quem acha que eu tinha perdido o tino. Com tantos destinos de sol e mar, com Mediterrâneo e Caraíbas, com Brasil e Tailândia eu escolhera a Coreia do Kim Jong-Un, Mr. Rocket Man!
E foi uma óptima escolha.
Aconselho aos ambientalistas do PAN, tão na moda, e aos amantes das grandes causas politicamente correctas, uma estadia naquele paraíso ambiental. Não sofrerão com os engarrafamentos das grandes metrópoles capitalistas porque em Pyongyang, a capital, praticamente não circulam automóveis, nem camiões, nem autocarros. Emissões de carbono zero, ou quase.
Em contrapartida vê-se muita gente a pé, a caminho do trabalho ou de lado nenhum, promovendo um estilo de vida saudável, sem complicações cardiovasculares ou de diabetes. À excepção do “querido líder”, não vi gordos. Uma vitória do povo norte coreano que, desse modo, pode dispensar a existência de serviço nacional de saúde.
Também o regime alimentar muito frugal, pobre em hidratos de carbono, proteínas, gorduras e açúcares, com consumo de carnes vermelhas zero, é um exemplo para o mundo. Daí que seja seguido de perto pela comunidade científica, nomeadamente pela Universidade de Coimbra que, numa atitude pioneira e esclarecida decretou a proibição do consumo de carne de bovino nas cantinas estudantis.
Há, no entanto, um “mas” que perturbará os nossos amigos do PAN. Os Norte coreanos gostam, e consomem, carne de cão. Em ocasiões especiais, é certo, mas comem cão. Sopa de cão, cão guisado, cão frito, mil maneiras de cozinhar cão... Tal como o PAN eles também gostam de animais. Têm uma forma diferente de gostar, mas que gostam, gostam!
E gostam também dos líderes. Não os comem, porque não podem, mas têm um carinho especial pelos líderes. Erguem-lhes estátuas monumentais. Aos três – ao avô, ao pai e ao filho. Uma democracia, nas palavras de Bernardino Soares, transmissível de pais para filhos.
É tudo em grande! São enormes as estátuas, os cemitérios, os edifícios públicos, as bibliotecas, os museus, ou os estádios. E os espectáculos e as manifestações populares de apoio, ou de pesar. E as auto-estradas, ah as auto-estradas! Com três pistas em cada sentido, viajei a partir de Pyongyang para sul até ao paralelo 38 e para norte até Myohyang. Um espanto! Sem portagens nem congestionamentos, sem aselhas nem chico-espertos. Centenas de quilómetros sem um sobressalto ou um acidente. Havia, é certo, o problema do piso esburacado e das lombas, dos peões e das cabras, das bicicletas e dos controles militares, mas fora isso era maravilhoso.
Que sossego, que segurança.
Não admira que me tenha sentido muito seguro. É fácil quando cumprimos as regras, e as regras eram claras. Podíamos circular livremente dentro do hotel. Fora do perímetro do hotel, que estava estrategicamente implantado numa pequena ilha, teríamos de estar SEMPRE acompanhados pelos nossos guias locais.
A Coreia do Norte é fixe, mas nas minhas próximas férias vou para um país democrático. Para desenjoar!
- CARLOS ABRANTES

Quando a governança vira cartel - Parte V
Mostramos, antes de terminar esta rubrica, as 13 baixas de Ministros e Secretários de Estado deste governo da maioria absoluta do Partido Socialista (PS):
1 - Sara Guerreiro, Secretaria de Estado da Igualdade e Migrações – Baixa em 2-5-2022.
2 - Marta Temido, Ministra da Saúde - Baixa em 30-08-2022.
3 - Fátima Fonseca, Secretária de Estado da Saúde - Baixa em 30-8-2022.
4 - António Lacerda Sales, Secretário de Estado Adjunto e da Saúde - Baixa em 30-8-2022.
5 - Miguel Alves, Secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro - Baixa em 10-11-2022.
6 - Rita Marques, Secretária de Estado do Turismo - Baixa em 29-11-2022.
7 - João Neves, Secretário de Estado Adjunto e da Economia - Baixa em 29-11-2022.
8 - Alexandra Reis, Secretária de Estado do Tesouro - Baixa em 27-12-2022.
9 - Marina Gonçalves, Secretária de Estado da Habitação - Baixa em 29-12-2022.
10 - Pedro Nuno Santos, Ministro das Infraestruturas e da Habitação - Baixa em 29-12-2022.
11 - Hugo Santos Mendes, Secretário de Estado das Infraestruturas - Baixa em 29-12-2022.
12 - Rui Martinho, Secretário de Estado da Agricultura - Baixa em 4-1-2023.
13 - Carla Alves, Secretária de Estado da Agricultura - Baixa em 5-1-2023.
Tinha razão o Costa quando pediu a maioria absoluta.
O Marajá de São Bento nem precisa, sequer, de negociar à esquerda ou à direita para se tornar num autêntico rei-sol. O Estado sou eu!
Economia: Tortec inaugurou primeira fábrica no Parque Empresarial do Casarão
A Tortec - Tornearia e Peças Técnicas, do Grupo Ciclo-Fapril, inaugurou, na passada sexta-feira, dia 4 de Dezembro, as suas novas instalações no Parque Empresarial do Casarão e será a primeira empresa a instalar-se no novo polo industrial do município.
Carla Santos, directora financeira da Ciclo-Fapril, começou por relevar o desempenho do presidente do município, Gil Nadais, e do seu executivo, que, “em bom rigor, foram os impulsionadores por termos aqui edificado as instalações da Tortec”.
“Mais do que o projecto Tortec, há que enaltecer o esforço e a determinação do presidente da Câmara em fazer de Águeda uma cidade de indústria, de academia e de turismo”, salientou Carla Santos.
“Muito nos honra estar a viver este momento histórico de viragem na dinâmica industrial de Águeda, pois com toda a certeza o concelho vai reflectir a criação de valor que as empresas aqui instaladas vão gerar”, observou a directora financeira da Ciclo-Fapril.
Carla Santos considerou que o facto da Tortec ter sido a primeira empresa a edificar no Parque Empresarial do Casarão, resultou em “dificuldades acrescidas”, sublinhando, em particular, o desempenho do administrador Samuel Santos e do sócio Vitor Antunes, e de “todos os que nos ajudaram a realizar este projecto”.
“Aos nossos colegas de trabalho, esperamos que o transtorno da mudança (que será concretizada na segunda quinzena deste mês) seja superado pelo conforto que estas instalações vos venham a proporcionar. Sabemos que estão motivados com o nosso projecto de trabalho e contamos convosco para dar alma a este edifício”, sublinhou Carla Santos.

Dia muito especial
para Gil Nadais
O presidente da Câmara Municipal de Águeda, Gil Nadais, referiu-se a “um dia, muito, muito especial”, considerando que o Parque Empresarial do Casarão foi um projecto “muito sofrido, muito laborioso e só possível graças à colaboração de muitas pessoas”, destacando o trabalho “inexcedível” do aguadense António Figueira, e o desempenho “fundamental” do vereador João Clemente.
O autarca lembrou que “foram adquiridos mais de um milhão de metros quadrados de terrenos” e anunciou que “mais empresas pretendem vir para o Parque Empresarial do Casarão”, pelo que será necessário adquirir mais terrenos.
Gil Nadais anunciou que “o LIDL irá começar a construir, em 2016”, o seu entreposto logístico, e que durante o próximo ano estarão concluídas as estruturas da Triangle´s e da Sakthi (primeiro pavilhão), para relevar um projecto que, disse, “me custou, pessoalmente, alguns comentários mais acintosos”.



Jorge Almeida está esperançado em "derrotar" a Socibeiral no Tribunal
O presidente da Câmara Municipal de Águeda, Jorge Almeida, mostrou-se confiante no diferendo judicial que opõe a autarquia à Socibeiral, relativo à construção de uma central de betão e betuminoso no Parque Empresarial do Casarão (PEC).

O líder do município foi confrontado, na passada segunda-feira, em sede de Assembleia Municipal, pelo líder da bancada do Partido Socialista (PS), José Marques Vidal, que pretendeu saber em que ponto se encontra o processo, que corre, há vários meses, no Tribunal Administrativo e Fiscal de Aveiro.
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Pai Natal gigante de Águeda é candidato a maior do mundo
Um Pai Natal com 21 metros de altura e 250 mil lâmpadas LED de baixo consumo (24 volts), instalado no Largo 1º. de Maio, é a grande atracção da época natalícia, em Águeda.
O município pretende alcançar o reconhecimento pela instalação do “Maior Pai Natal do Mundo em LED's”, assente numa estrutura em alumínio, com altura de sete andares, forrada a tapy.
Para validar e confirmar a obtenção do recorde, será necessária a deslocação a Águeda de um juiz do Guinness World Records, no sentido de verificar todas as características da infraestrutura e de deliberar acerca da atribuição do recorde.
Os custos inerentes a esta candidatura, aprovada ontem (abstenção de Paula Cardoso e voto contra de Miguel Oliveira), dia 1, na reunião do executivo, são de aproximadamente 10.000 euros.
O Pai Natal, sentado numa caixa de presente de 9 por 12 metros, pode ser visitado até ao dia 11 de Janeiro, e a sua instalação obrigou a um investimento de 49.200 euros.
No passado sábado, 28 de Novembro, o presidente do município, Gil Nadais, deu luz às estruturas espalhadas pela cidade que assinalam o Natal, num momento acompanhado por centenas de pessoas.






Samuel Vilela no Conselho Nacional de Juventude
Samuel Vilela, presidente da JSD de Águeda, foi nomeado para a direcção do Conselho Nacional de Juventude (CNJ), assumindo a pasta das Relações Internacionais e a representação nacional junto de instâncias europeias e internacionais.
O CNJ é a plataforma representativa das organizações de juventude a nível nacional, abrangendo as mais diversas expressões do associativismo juvenil (culturais, estudantis, partidárias, ambientais, escutistas, sindicalistas e confessionais).
Samuel Vilela, de 26 anos, encontra-se a frequentar um programa de Doutoramento na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra e conta já com uma vasta experiência ao nível associativo e político.
Já presidiu ao Núcleo de Estudantes de Relações Internacionais, foi vice-presidente da Associação Académica de Coimbra e membro do Conselho Geral da Universidade de Coimbra.
James Arthur está confirmado no Agitágueda 2015
O Agitágueda deste ano vai ter lugar de 4 a 26 de Julho, estando já confirmados os concertos dos D.A.M.A. (dia 4 de Julho), Paulo Gonzo (11), Selah Sue (17), Jimmy P (24) e James Arthur (26), cuja contratação foi aprovada na reunião camarária de ontem, dia 7 de Abril. O executivo aprovou, também, a contratação dos serviços de vigilância e segurança, com ajuste directo à empresa Protek, e o regulamento de participação nos Talentos Agitágueda.