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OPINIÃO
DEIXAR ARDER QUE É MATO (?...)
Deixa arder, que é mato” tornou-se a normalidade da Proteção Civil nos últimos dois ou três anos.
Percebemos que o objectivo é proteger pessoas e habitações; exclusivamente. Deste modo, os decisores operacionais e a responsabilidade política do governo procuram atravessar incólumes as labaredas que queimam o mundo rural.
Há um ano, aconteceram alguns casos fatais, mas foram raros e uma parte significativa resultou de acidentes. Já no que respeita a habitações, não podemos dizer o mesmo, porque o “deixa arder que é mato” tem casas misturadas ou imediatamente expostas. No balanço, o governo reclamou sucesso na proteção civil, porque apenas houve vítimas circunstanciais e as aldeias foram protegidas.
Contudo, para além da aldeia física, existe o modo de vida que permite a existência da aldeia e as actividades económicas que a sustentam; é a alma identitária que as diferencia, promove e motiva.
Em 2025, com o “deixa arder que é mato”, foi queimada a produção artesanal de queijo da serra, o mel das aldeias de xisto da Lousã, o vinho regional das Beiras, as maçãs bravo de esmolfe da montanha, o cabrito assado serrano, o pão de centeio, a aguardente de zimbro, o coelho à caçador, as castanhas e os seus derivados, o turismo de natureza do interior… ficaram aldeias intactas, mas menos sustentáveis e mais desertas.
Na semana passada, foi a nossa vez de experimentar o paradigma do “deixa arder que é mato”, dentro do município de Águeda e dos de Vouzela e Tondela, porque esta abordagem é democrática.
Tudo ardeu em volta e muitas vezes dentro de Maceira de Alcoba, da Urgueira, da Barrosa, do Salgueiro, de Cabeço de Cão, das Pousadas, de Vale do Lobo, do Casal, de Cambra, da Sernada, da Serra de Cima, de Lourizela, de Vale d´Égua, do Préstimo, de Rio de Maçãs, do Carvalhal, dos Avelais, da Corga da Serra, do Bertufo, da Boa Aldeia, de Alcafaz, da Talhada, da Castanheira do Vouga, das Massadas, de Vale da Galega, da Maçoida, da Giesteira, de Rio Covo, das Cavadas, de Vale Sobreirinho, de Vale Domingos, do Gravanço… e também com uma boa abordagem a Águeda, essa aldeia com muitas casas, ainda atafulhadas dentro dos limites da vila.
Não se constrói uma floresta diferente, sem incluir a floresta na proteção civil; tal como não se inverte a desertificação das pequenas ou grandes aldeias, sem cuidar da sustentabilidade económica e da preservação do modo de vida, que tem história milenar e ainda conserva virtudes para fixar famílias e manter as aldeias vivas, coesas e invejáveis na qualidade das suas produções e da harmonia social.
É necessário interromper a monocultura florestal?... é! Os aceiros corta-fogo são falados e prometidos há décadas?... são! Os decisores operacionais e os responsáveis políticos procuram proteger as pessoas?... sim! Importam-se com o modo de vida do mundo rural?... não! Não, até ao dia em que lhes faltar queijo da serra, cabrito, chanfana, vinho do Dão ou strudel de maçãs de Moimenta da Beira (embora sejam originárias da aldeia de Esmolfe, em Penalva do Castelo).
É a zona de conforto dos governos: não ter notícias de pessoas mortas ou de aldeias queimadas.
Nunca um ministro se lambuzou com chanfana no Teixo, trincou a textura inigualável e alva de queijo fresco do Mosteirinho ou palitou os dentes februdos de paio enfumado com madeira de carvalho negral de Alcafaz. Não chegam à mesa dos eleitos de S. Bento, mas apenas aos eleitos da vizinhança serrana e dos turistas de natureza, que se tornarão tão escassos como a chanfana, o queijo fresco ou o paio.
Uma aldeia segura é uma aldeia onde os seus habitantes e o seu modo de vida estão solidária e igualmente protegidos, sem que nenhum deles arda. É urgente rever a definição de aldeia segura.
VOU CONSTRUIR CASA. POSSO BENEFICIAR DA REDUÇÃO DO IVA PARA 6% PREVISTA NO NOVO PACOTE HABITAÇÃO?
Sim, pode, desde que reúna as condições previstas no novo Pacote Habitação.
Uma das novidades do novo regime é a possibilidade de pedir à Autoridade Tributária a restituição da diferença entre o IVA pago ao empreiteiro à taxa normal de 23% e o IVA que resultaria da aplicação da taxa reduzida de 6% sobre a empreitada de construção da habitação própria e permanente.
Ao contrário do que muitas pessoas pensam, o empreiteiro não fatura a obra com IVA a 6%. O proprietário paga inicialmente ao empreiteiro o IVA à taxa de 23%, depois de concluída a construção, pode pedir a restituição da diferença.
O pedido deve ser apresentado no Portal das Finanças, no prazo de 12 meses após a emissão da documentação relativa ao início de utilização da habitação, dispondo a Autoridade Tributária de 150 dias para efetuar a restituição.
Um exemplo que ajuda a perceber. Imagine uma família que compra um terreno por 100.000,00 € e celebra uma empreitada de 300.000,00 € (valores sem IVA). Como o investimento total é de 400.000,00 €, abaixo do limite legal de 660.982,00 €, poderá beneficiar deste regime, desde que cumpra os restantes requisitos.
Neste caso, o empreiteiro faturará:
• Valor da empreitada: 300.000,00 €
• IVA (23%): 69.000,00 €
• Total a pagar: 369.000,00 €
Posteriormente, o proprietário poderá pedir a restituição da diferença entre o IVA pago (69.000,00 €) e o IVA que resultaria da aplicação da taxa de 6% (18.000,00 €), ou seja, 51.000,00 €.
Contudo, este benefício não é automático. Um dos principais requisitos é que o valor patrimonial tributário (VPT) da habitação ou, se for superior, o valor de aquisição do terreno acrescido dos custos de construção, excluindo o IVA, não ultrapasse 660.982,00 €. Existem ainda outras condições relativas ao destino do imóvel e aos prazos legais que devem ser cumpridas.
Eu concluiria, salientando: quem vai construir casa pode beneficiar de um apoio fiscal muito relevante, mas apenas se planear a obra tendo em conta as regras do novo regime. Um esclarecimento prévio junto de um Contabilista Certificado pode evitar a perda de um incentivo que pode representar dezenas de milhares de euros.
CHATGPT: UM DEUS PARA A NOSSA JUVENTUDE, UM QUEBRA-CABEÇAS PARA OS PROFESSORES
Há muito foi dito sobre a inteligência artificial. Mas quem se preocupa com as dificuldades com que se deparam os professores? Nada de recusar o progresso ou negar tudo o que a IA nos traz, nomeadamente no campo da medicina onde os diagnósticos acabam por superar os dos cérebros humanos. Todavia para o ensino tal qual existe por enquanto, não há duvida de que se torna um problema.
A instituição escolar permite treinar os aprendizes, fazer com que adquiram saberes e competências através do esforço proporcionado pelo treino. Com o ChatGPT, deixou de ser possível dar trabalhos de casa. O treino fora da aula acabou! Tudo tem de ser feito na aula. O que nem sequer garante o esforço do aluno ou estudante que, com a maior facilidade pode ter acesso à Internet e fazer perguntas ao ChatGPT. Antes dos exames, há que revistar tudo para evitar o uso do telemóvel, do relógio, dos óculos… chega-se até a pedir que os estudantes mostrem os ouvidos quando têm cabelo comprido. E mesmo revistando pormenorizadamente, mesmo vigiando atentamente durante a prova, tem-se a surpresa, ao corrigir, de apanhar um ou outro trabalho feito pela IA. Quando o comentário do texto está cheio de citações pertencentes a uma outra versão que a proposta para exame, é evidente que quem fez foi ChatGPT.
Se não houver aumento do número de horas de aula, como continuar com o sistema de ensino atual? Além disso, como criar gosto pelo esforço e inventar situações que permitam a aquisição de autonomia quando a dissertação, o comentário de texto, a resolução de um problema de matemática ou de físico-química podem ser obtidos com um simples clique? O recurso a ChatGPT dá uma sensação de poder tal que o aprendiz acaba por se pensar extraordinário tanto mais se evolui no meio de adultos que não utilizam. Só que essa superioridade é ilusória e está sujeita a desvanecer-se por completo se houver um apagão. Entretanto, impede que o jovem se dê ao esforço do estudo real. Agora perguntamos : será que um bebé aprenderia a andar se, com um simples olhar, pudesse trazer até si tudo aquilo que lhe desperta interesse?
A cegueira dos especialistas confunde. Dizia, há dias, um famoso francês que, nos EUA, surgiram duas tendências: os que pretendem aumentar a capacidade intelectual através da genética, permitindo a escolha de embriões com quociente intelectual superior, e os que preconizam a implantação, no cérebro, de uma micropeça eletrónica que poderá aumentar as capacidades cognitivas. Só que o problema do ensino não está na capacidade dos alunos ou estudantes; está na apetência. Está na faculdade que tem o professor de criar o desejo de aprender. Tal como um campo de terra rica produzirá apenas ervas daninhas se não for cultivado, também o cérebro, por mais capacidades que tenha, nada de bom produzirá sem esforço, método e regras.
Sem cairmos no exagero de pensar chegarmos a um mundo parecido com o que nos apresenta o filme Idiocracy, não há dúvida de que se criou mais uma dificuldade e um desafio para os nossos jovens. O que é assustador é que não se veem políticos devidamente preocupados com o problema.
É evidente que as desigualdades se vão acentuar de forma a poderem tornar-se abissais. Como poderão entrar em concorrência os alunos de famílias desfavorecidas, onde o desejo de conhecimento não ocupa o lugar que pode ocupar nas famílias privilegiadas? Se já havia desigualdade, muito mais haverá. Mais do que nunca, é necessário refletir e exigir dos políticos que se debrucem sobre esta situação. Mais do que nunca há que preservar o que constitui a nossa humanidade. Dizia o humanista francês do século XVI, poço de sabedoria, François Rabelais: «Ciência sem consciência é apenas a ruína da alma.» Qual a ligação? perguntarão. É que a consciência desenvolve-se através do esforço feito para atingir um alvo. Por isso, o esforço é tão importante na educação.
UMA FABRICA DO SÉCULO XXI, UMA ESTRADA DO SÉCULO XX
Há conversas de circunstância e há conversas que revelam problemas estruturais. À margem da visita às instalações fabris da Rodi, empresa que integra a Agenda Mobilizadora das Duas Rodas (AM2R) e está a concretizar um investimento de 18 milhões de euros, uma dessas conversas mereceu atenção.
O CEO da empresa, o aguedense Armando Levi, partilhava com Ribau Esteves, agora presidente da CCDR Centro, uma preocupação que há muito é conhecida pelas empresas da região: a necessidade de concretizar a ligação rápida Aveiro–Águeda, cujo concurso público internacional foi agora lançado.
O testemunho do empresário foi particularmente elucidativo. Sendo natural de Águeda, reconheceu as dificuldades em atrair quadros altamente qualificados para o concelho. Muitos preferem residir em Aveiro, e a atual ligação rodoviária, congestionada e imprevisível, constitui um fator adicional de desmotivação. Quem percorre regularmente aquele trajeto sabe do que se fala. Há dias em que a velocidade média entre as duas cidades dificilmente ultrapassa os 30 km/h.
Este testemunho encerra dois desafios distintos. O primeiro é da responsabilidade de Águeda: reforçar a sua atratividade como território para viver, captar talento e fixar profissionais qualificados. A qualidade do emprego, por si só, já não chega. As pessoas valorizam mobilidade, serviços, oferta cultural, habitação, e qualidade de vida.
O segundo desafio prende-se com a acessibilidade. A nova via rápida não resolverá todos os problemas, mas poderá eliminar um dos principais constrangimentos ao desenvolvimento económico do concelho e da região. Se os prazos forem cumpridos, a infraestrutura poderá estar concluída em 2029 ou 2030, talvez a tempo do final do atual mandato de Jorge Almeida.
A visita permitiu ainda desfazer alguns preconceitos sobre a indústria. A Rodi é um exemplo de como uma empresa industrial pode ser tecnologicamente avançada, ambientalmente responsável e oferecer excelentes condições de trabalho aos seus colaboradores. Quem espera encontrar uma fábrica pesada e desorganizada encontra, afinal, uma unidade moderna, limpa, eficiente e preparada para competir nos mercados internacionais.
É esse o caminho da indústria portuguesa: investir, inovar, qualificar e criar valor. Cabe agora ao poder público acompanhar esse esforço, dotando os territórios das infraestruturas que permitam às empresas crescer e competir em igualdade de oportunidades.

DENIZ RAMOS, MEMÓRIA DA ILHA, 2025
Deniz Ramos traz a público, em boa hora, um livro de poesia, porventura a face mais oculta do escritor, extremamente interessante sob múltiplos aspectos. Desde logo, porque permite ver a evolução da sua poesia de 1969 a 1988.
Deste último ano, falaremos posteriormente de quatro conjuntos de poemas. Por agora vamos centrar-nos nos treze poemas dedicados à ilha de Moçambique, escritos em 1969, cada um deles numa só estrofe, com um número variável de versos (de onze a quinze), que primam pela sobriedade formal num estilo, por vezes, elíptico, mas suportado por um eficiente recurso aos códigos retóricos.
2. Neste primeiro segmento do livro em apreço deparamos com uma busca da memória daquilo que a ilha de Moçambique nela deixou, não obstante o poeta saber que «envelhece o fogo / na oficina da memória», onde há um «rumor de silêncios / larvando a pedra / rude do texto». O verbo “larvar” aponta para que o poema surge após a memória da ilha agir de forma oculta e produtiva na antecâmara das palavras, essa «crisálida» que o poeta desvela. Eis alguns exemplos: a lembrança do mar «ou apenas o mar / por dentro do poema / marulhando de sílabas / a noturna luz»; a lembrança do vento e das estrelas «Então quando / nada se move a asa a folha / a superfície líquida; / então o golpe / súbito / do vento flagelando / a haste desamparada» que cresceu na ilha onde «Estrelas humedeceram / em tuas águas.».
3. Queremos ainda chamar a atenção para dois aspectos deste conjunto de poemas. O primeiro prende-se com uma revisita ao amor em que o poeta proclama «que mais posso ousar / se vi a morte em meus olhos / e era nos teus / que morríamos / sobreviventes / da noite / que amanhece» e pergunta «saberás dos trilhos / nos passos ásperos / furtivos / sinais domésticos / abrindo-se / e no rumor ágil / envolvendo-nos?». E mais adiante pergunta à destinatária se ouve «a voz calcária / de um poeta / quem sabe se a minha / a enfurecer-se / em teu ventre?».
4. Por último, referimos duas breves reflexões de Deniz Ramos sobre a criação poética. A primeira explicitada nestes versos «Eis o verso suspenso / em sua haste; / ainda não a flecha no arco / reteso em seu limite; / antes o frémito / endurecendo os dedos / sobre a clave / onde o poema / endurece no chão / matricial.». A segunda, nestes: «cintilam anjos tutelares / na suave língua / das paredes salitradas; / partilho a presença / suspeita; / de novo a sílaba inicial.». Ou seja, Deniz Ramos considera que o poeta é um artesão (il miglior fabbro) bafejado pelo sopro de «anjos tutelares».
5. Antes de abordarmos dois excelentes exemplos de uma prática intertextual, com que finalizaremos este texto, seria injusto deixar sem qualquer alusão o poema “Imprecações em Voz Própria”, onde se inscreve uma pungente evocação de Camões, «Nem a pátria sobreviveu contigo / e morres cada dia na pedra de lioz». «Que nos valeu passar a Taprobana / se estamos irremediavelmente sós / nesta praia que contigo foi lusitana?».
Noutro segmento do livro em apreço, intitulado “Para a Memória Última da Ilha”, o poeta volta à temática da ilha de Moçambique num poema de cuja narratividade, esmaltada de imagens, aliterações, metáforas e metonímias, ressuma um lastro de desolação, numa referência indirecta à guerra colonial, em versos como estes: «Por sobre os abandonos, sobre a nudez / da pedra calcinada nas cantarias frias / estala súbito o cristal de mil mortes». Sublinho ainda que o poeta também lança um olhar sobre um melancólico tempo posterior em que na ilha, que surge personificada em mais do que um poema, «pulsa uma harpa de relva / a recuperar o sabor e o asco, bálsamo / permitido para as feridas recentes / que se ocultam em tuas espáduas.».
Em “Lamentações Junto aos Rios

Turvos”, um longo, complexo e belo poema, porventura o momento mais alto deste livro, poema em que Deniz Ramos institui um narratário interno (Quem será? Descubra o leitor), deparamos também com alusões à guerra colonial em versos que reflectem uma memória do passado e um propósito do presente. Exemplificando: «Aquece em tuas mãos o perfume tão fam\iliar / das feridas abertas»; «Tu viste o fogo e as searas de cinza, / o extermínio, o silêncio dos silêncios» (haverá silêncio maior do que o da morte?); «secaram os rios em teus flancos, / emudeceram plantas e azagaias»; «e, de novo, lavraremos  / o rosado orvalho das cicatrizes.».
6. Terminamos a apresentação de Memória da Ilha com um breve comentário sobre dois poemas “Novas Lamentações em outras Vozes” e “POST- SCRIPTUM, dois excelentes exercícios de intertextualidade em que Deniz Ramos se revela um leitor emérito, com uma extraordinária capacidade de absorver a poesia de outros poetas, de tal modo que ela como que fica a fazer parte do seu arcaz poético.
      O primeiro poema patenteia uma prodigiosa associação de versos de vários poetas, nacionais e estrangeiros, e de vários livros. Não é necessário percorrer o poema todo para provocarmos o espanto do leitor, basta termos em conta o início do poema, em que vamos identificar os autores dos versos.
«Morrendo, estamos morrendo, agora só nos resta / aceitar a morte, (David H. Lawrence) misturando a memória e o desejo, / atiçando as raízes inertes com a chuva da primavera (T.S. Eliot). Está gente a morrer agora mesmo em qualquer lado, / está gente a morrer e nós também (M. Alegre). Pensa em Phelas, que foi em tempos alto e belo como tu (T.S. Eliot). Em ti choramos os outros mortos todos (Sophia de Melo Breyner). E tinha valido a pena depois de tudo, tinha valido mesmo a pena. (T.S. Eliot), (versos de um livro diferente do da primeira citação). Nunca até hoje eu morri tanto em alguém. (Ruy Belo), na mais longa viagem para o esquecimento.» (David H. Lawrence).
      Só um grande leitor de poesia seria capaz de fazer este espantoso entrelaçar de versos e poetas, com o requinte de abrir e fechar a estrofe com versos do mesmo poeta, invertendo curiosamente a ordem com que aparecem no livro “A Barca da Morte”, de David H. Lawrence. O primeiro é da VII Secção e o último da V.
Tudo neste livro é maduramente pensado até ao poema final, POST-SCRIPTON, que também é o título do poema com que Manuel Alegre encerra Praça da Canção. Esse é outro magnífico exemplo de intertextualidade, produzido por quem conhece profundamente a obra do poeta da resistência e da liberdade.
Deniz Ramos usa com subtil sabedoria versos ou apenas palavras de Manuel Alegre que enlaça com palavras suas, cujo resultado final é uma pungente elegia iniciado com um verso do livro Chegar Aqui e terminado com um verso, de uma só palavra usada também por Manuel Alegre no mesmo livro. É justo concluir esta proposta de leitura de Memória da Ilha, com a afirmação de que este é um livro singular porque reitera a qualidade do poeta e mostra a sua face de grande leitor de poesia.
AGITÁGUEDA COMO SE NÃO HOUVESSE AMANHÃ
As ruas da cidade aparecem engalanadas como acontece todos os anos no mês de Julho com o Agitágueda. Com a festa aparecem os forasteiros e todos os que amam ou detestam o evento, como se não houvesse amanhã.
Para muitos não passa de um evento propagandístico que faz as delícias dos eleitores que garantem o voto em quem comanda os destinos do concelho.
Para outros tantos, como eu próprio, é uma marca registada que projetou Águeda para fora de portas, com selo de retorno para a cidade e para o concelho, que de outra forma não passaria nas montras nacionais e internacionais do entretenimento e dos media.
A voz do homem da freguesia ribeirinha ou do lugar mais interior do concelho que clama pelo tratamento da valeta, pelo arranjo do cemitério, ou pela estrada, há muito desejada, por entre obras prioritárias há muito adiadas, por falta de meios, quando há concertos de borla para as massas. Essa voz que não é ficção, não passa de “populismo demagógico”?
O homem da associação que ganhou o direito à presença no stand gastronómico da festa, rejubila de alegria pelos jantares regados com taça de espumante a copo de plástico, debaixo da tenda gigante que traz as famílias e os amigos, acotovelados aos milhares, num espaço físico cada vez mais curto.
O visitante que quer jantar melhor do que ficar pelo Zé das farturas e do algodão doce do arraial, que clama por restaurantes a horas, hotéis ou hostels a preço módico, comércio para a recordação, e outros polos de interesse, queda-se pelas fotos da arte urbana, dos guarda chuvas coloridos, do carnaval fora de horas, e do festival das estátuas.
O evento que anda há muito para ser reformulado, melhorado, projetado para além do mesmo registo de sempre, parece não conseguir ler o futuro, antes preferindo a comodidade do presente.
Como cidadão de Águeda, adoro o evento, pelo que pode convocar de empatia do concelho pelo mundo de quem nos visita, e pelo orgulho de quem recebe, mas gostaria muito que o mesmo não começasse a resvalar para o cansaço morno das iniciativas que morrem, pela repetição e pela falta de ideias novas.
Há muito que defendo, aparentemente sem sucesso, que um evento desta grandeza, merece muito mais do que a rotina dos anos que passam. Há hoje condições financeiras e de gestão autárquica para alcandorar o evento para além da “imagem colorida” e do “efémero retorno”.
É verdade que um evento de entretenimento, não pode transformar-se num exercício chato de cultura ou de pretensiosismo intelectual bacôco em que o Agitágueda que é uma festa de “massas” se transforme num certame cultural para elites.
Mas não desisto de recomendar a ideia da realização de uma feira do “livro”, que honre a terra de poetas que somos (Manuel Alegre e outros), e que pelo menos durante uma das três extensas semanas do evento promova, na biblioteca municipal, no centro de artes, nas ruas da cidade, nos fóruns e auditórios das freguesias do concelho e nos seus lugares de tradição, a cultura popular que é a História de Águeda.
Vivemos um tempo de falta de memórias, de empatia cínica, ou pelo menos de falta de atenção pelas memórias que fazem um destino, uma identidade coletiva.
Quando há fome e miséria, guerra e catástrofes naturais e outros estados de alma do Mal que não param de fustigar o Mundo, preferimos o conforto do paraíso em que vivemos, como se não houvesse amanhã.
A ECONOMIA DE GUERRA E GUERRA PELA ECONOMIA
A História descreve as guerras, mas são as guerras que escrevem a História.
O mais elementar senso comum aconselharia os dirigentes mais poderosos do mundo a enveredarem pela paz, como caminho seguro para o progresso da Humanidade. Mas não é assim. As guerras florescem e a morte vai-se tornando pandémica. Será que anda tudo louco? Ou serão esses dirigentes aconselhados pela negra e invisível “inteligência”, pelos algoritmos económicos ou até pela IA a procurarem os caminhos da guerra, sacrificando as gerações de hoje em nome do poder político e económico acrescido do amanhã? Terá hoje, a ética, ainda algum significado?
A economia de guerra gera sempre grandes discussões e os números alimentam-nas. Durante a Segunda Guerra Mundial, os EUA encomendaram 519 milhões de pares de meias e 219 milhões de calças, excelente notícia para a indústria têxtil. Por essa altura, a Alemanha nazi, de matriz mais burocrática, terá encomendado 4,4 milhões de tesouras e 6,2 milhões de almofadas para carimbos. Se tivesse encomendado 519 milhões de pares de meias e 219 milhões de calças, talvez tivesse mais sucesso no seu Inverno russo de 1941 e 1942. A guerra dinamiza de forma brutal tanto a morte, como a produção.
Os políticos vivem assombrados pelos gráficos e pelo PIB. É aí que ganham e perdem eleições. E na guerra? Se a URSS, no período inicial da Segunda Guerra Mundial, perdeu 20% do PIB, em 1944 cresceu 15%. Os EUA, longe daqueles palcos sangrentos, teve outros resultados. Em 1941 cresceu 17%, em 42, 19%, em 43, 17% e em 44, 8%. Mesmo na Ucrânia, em plena guerra, em 2025, o seu PIB registou um crescimento real de 2% e na Rússia, em 2024, de 4,3% (para 2025 previa-se, no entanto, uma queda acentuada desse crescimento). O crescimento económico depende, em larga medida, do investimento público, que é superlativo em tempos de guerra e que tem como muletas o complexo militar-industrial e a reconstrução.
Naturalmente que existe o outro lado da moeda, que é o crescimento da divida pública consequente. No período da segunda guerra a divida pública russa passou de 60 mil milhões de rublos em 1942 para 150 mil milhões, em 45 e a dos EUA, no mesmo período, de72 mil milhões de dólares, para 259 mil milhões. Preocupante? Responde Trump: “adoro a inflação”.
Esta guerra Irão – EUA teve um desenlace estranho, mas talvez não inesperado. Segundo rezam as crónicas sobre o tal Memorando de Entendimento, os americanos acalmaram a ira religiosa fundamentalista dos ayatollhas, com a garantia de um fundo de investimento regional de 300 mil milhões na economia iraniana. E se não houvesse esta guerra? Haveria no Irão mais instabilidade interna, maior fragilidade do regime, uma economia em rutura, o estreito de Ormuz continuaria tranquilo e o mundo um pouco mais sonolento. E os EUA, o farol do mundo, continuariam a iluminar o planeta (dizem…). Mas os negócios exigiam mais, muito mais. Exigiam guerra!
Nunca vale a pena uma guerra, porque a vida humana não é descartável. Escreveu assim Maquiavel: “Dê-se poder ao homem e descobrir-se-à quem ele realmente é”. A democracia só será funcional, se for transparente. Esta democracia é cada vez menos transparente, emergindo da sua opacidade estas guerras brutais encomendadas que vão assolando a humanidade desde as planícies do Dombass até às areias escaldantes do Médio Oriente.
São os tiranos que decidem as guerras, mas são as democracias que elegem esses tiranos.
A ARTE DO POSSÍVEL
É voz comum que a Política é “a arte do possível”. Quer isto dizer que a gestão da cidade (“polis”) não é fruto da vontade autocrática de alguém, mas tem origem na negociação entre partes que, em última análise, sobre o mesmo problema, têm propostas de resolução diferente. Não podemos reduzir a política a uma luta de egos, o “eu sou melhor do que tu”, mas sim a um confronto de ideias que conduzam uma comunidade a um nível mais elevado de segurança e de bem-estar (ao fim e ao cabo, o objetivo final do Estado).
Quando, como em Portugal, o Governo assenta o seu apoio parlamentar numa minoria, esta regra deverá levar a negociações e acordos que, no final, levarão à cedência obrigatória das partes em determinados pontos. Quando os negociadores colocam o país e a sua população em primeiro lugar, em detrimento de interesses pessoais ou partidários, é possível que se chegue a algum tipo de acordo. Vimos já isso acontecer na actual legislatura com a lei sobre a imigração e a da nacionalidade, ainda que esta última tenha retornado ao parlamento sem promulgação pelo Presidente da República. As partes negociaram, cederam em determinados pontos, e foi possível a concordância. É certo que uns poderão ter achado que se foi longe demais e outros que se ficou muito aquém, mas o que aconteceu foi a aplicação da regra: a Política como “arte do possível”.
A negociação sobre outros diplomas não teve o mesmo desfecho.
As partes acordaram em negociar, estabeleceram os seus limites a essa negociação e, em diálogos mais longos ou mais curtos, não conseguiram encontrar-se. As rectas não se intersectaram… Foi o que aconteceu na negociação da “Lei Laboral”. Uns colocaram ênfase numa visão de sociedade e das relações de trabalho e outros colocaram numa visão diferente. O expectável, portanto, das relações políticas.
Também aqui a Política foi entendida como “a arte do possível”, só que foi impossível chegar-se a um acordo. Nem a Política acaba, nem o País fica parado. Para uns, impediu-se o País de ser dotado de uma ferramenta de bem-estar, para outros, impediu-se a redução da segurança dos trabalhadores. Uma vez mais, a segurança e o bem-estar como fim último do Estado.
Nada acaba! O processo mantém-se e, no final do dia, caberá ao governo governar e à oposição opor-se. Serão encontrados caminhos de consensualização ou, então, a voz será dada de novo ao povo, em nome do qual se exerce o poder.
Uma coisa é certa, a Política continuará a ser “a arte do possível”!
Ecologia à portuguesa
Desde o dia 10 de abril que o programa “Volta” está activo, uma iniciativa do governo português que visa aumentar a reciclagem de plástico e alumínio. Cada vez que o leitor comprar bebidas em embalagens de plástico ou lata, poderá devolvê-las. Uma máquina instalada nos hipermercados aderentes receberá as embalagens. Para incentivar este comportamento o programa devolve 10 cêntimos por cada embalagem entregue.
Até aqui parece interessante: as embalagens são recicladas; o consumidor é recompensado pelo comportamento cívico; o ambiente sai a ganhar. Parece uma excelente solução!
Não se entusiasme já, caro leitor, porque a história ainda não terminou.
Estes produtos vão aumentar 10 cêntimos. Da próxima vez que for ao hipermercado comprar um pack de 6 águas de meio litro, conte pagar mais 60 cêntimos. Dir-se-á que o preço não vai aumentar, que se trata de um valor que é reembolsado aquando da devolução (semelhante ao que acontecia com a tara das garrafas de vidro ou ainda acontece com as botijas de gás).
Na verdade, não é bem assim. No caso das botijas de gás, devolvemos a botija vazia e trazemos uma cheia – não é o caso das embalagens. Além disso, as garrafas de vidro até podiam estar sem rótulo, e isso não era problema na devolução. Neste caso não será assim, o que nos leva a outro “detalhe”.
Na devolução, as garrafas ou latas terão de estar em perfeito estado incluindo o código de barras do produto. Quer isto dizer que os bens mais preciosos que vai passar a ter em casa serão garrafas e latas vazias, guardadas com o maior dos cuidados para evitar estragos. Vai ainda passar a acumular sacos com garrafas e latas à espera da próxima ida ao hipermercado, para as poder trocar pelos 10 cêntimos.
A devolução não é feita em dinheiro, mas em vouchers para voltar a gastar em produtos. Portanto, e na prática, o leitor deixará de ser dono do seu dinheiro, porque será obrigado a gastá-lo no hipermercado.
Finalmente, o que acontece aos 10 cêntimos das embalagens que, por algum motivo, não forem devolvidas? Pode parecer insignificante, mas, em Portugal, consomem-se anualmente cerca de 2,1 mil milhões de garrafas de plástico. Ora se destas, 25% não forem devolvidas, são mais de 52 milhões de euros por ano que o consumidor pagou, mas nunca mais vai ver...
A devolução (que não é uma devolução) é um embuste: porque é um valor que o consumidor já pagou; porque se o consumidor por algum motivo não devolver ou a máquina não aceitar a embalagem, o que não era um aumento de preço torna-se... num aumento de preço; finalmente, porque ninguém explica para onde vão esses 10 cêntimos caso não sejam devolvidos ao consumidor.
Por tudo isto, o programa “Volta” mais parece ser algo a que, infelizmente, estamos habituados: uma manobra para obrigar, mais uma vez, o cidadão a pagar algo que o Estado, com os nossos impostos, já deveria fazer. E, pelo caminho, alguém vai arrecadar mais uns milhões...

Águeda prova que produzir continua a ser essencial
Águeda tornou-se, nas últimas décadas, um dos casos industriais mais relevantes da economia portuguesa. O chamado Vale dos Ciclos ultrapassou há muito a dimensão regional e afirma-se hoje como o principal centro europeu de produção de bicicletas, reunindo empresas que competem nos mercados internacionais com elevados níveis de inovação, especialização técnica e capacidade exportadora.
Numa Europa onde o debate político tende a concentrar-se na redistribuição de riqueza e no aumento da intervenção pública, o exemplo de Águeda recorda um princípio básico da economia - sem produção não existe prosperidade sustentável. Joseph Schumpeter, economista austríaco do século XX, defendia que o crescimento económico nasce da capacidade empreendedora, da inovação e da transformação industrial. O percurso do Vale dos Ciclos encaixa precisamente nessa lógica.
Empresas como a Rodi, RTI Sports Group, a Miranda & Irmão, FJ Bikes, entre outras, operam num setor particularmente competitivo, marcado pela pressão internacional e pela constante evolução tecnológica. Ainda assim, conseguiram consolidar a sua notável presença em vários mercados externos graças à produtividade, ao investimento industrial e à capacidade de adaptação às exigências globais.
O mais relevante neste modelo é que, mesmo que algumas empresas beneficiem de apoios públicos para investimento e inovação (AM2R - um projeto financiado pelo PRR), a riqueza gerada provém essencialmente da sua atividade económica e da criação de valor no mercado. São empresas que exportam, criam emprego qualificado e acrescentam valor à economia nacional. É precisamente por isso que a discussão sobre eficiência fiscal se torna central. Quando o peso fiscal sobre os setores produtivos aumenta excessivamente, o impacto acaba por refletir-se na capacidade de investimento, na inovação e no crescimento das próprias empresas.
Águeda demonstra igualmente como os pólos industriais se desenvolvem de forma orgânica quando existe estabilidade económica, previsibilidade regulatória e um ambiente favorável ao investimento. O sucesso do Vale dos Ciclos não nasceu de um plano centralizado, mas da ligação entre empresas, fornecedores, conhecimento técnico e mão de obra especializada que, ao longo de décadas, criou um verdadeiro ecossistema industrial.
Num país onde o debate político se centra frequentemente na distribuição de recursos, o caso de Águeda relembra algo fundamental - antes de distribuir riqueza, é necessário produzi-la. E essa capacidade continua a depender, sobretudo, das empresas que conseguem inovar, competir e exportar em mercados internacionais cada vez mais exigentes.
Café bom, café mau.
O poder dos incentivos vê-se quando são excelentes ou terríveis. Nem sempre quando são pouco bons ou não optimais. Ainda assim, a prazo podem ter um impacto composto, desastroso.
Um exemplo real, uma história bastante simples, sem punchline, aqui vai:
Na véspera de ano novo precisava de fazer tempo. Entrei num café para comprar uma água. Estava moderadamente cheio. Abruptamente ouço “não sirvo mais nada, vou fechar às 18h!”. Eram 17h30. Penso que não era o proprietário. Já vi proprietários com esta atitude, mas é muito mais raro. Entre outras considerações como tratamento justo, pagamento a horas etc., os incentivos certos poderiam ter evitado este incidente e outros parecidos naquele estabelecimento. Pelo contrário, os incentivos daquele colaborador poderão ter provocado a seguinte atitude mental: o que quer que faça vai dar ao mesmo i.e. pagamentos em atraso, desrespeito; portanto quer sair o mais cedo possível, até porque não ganha nada tangível por vender mais.
Tendo em conta esta experiência passei a ir ao café ao lado, onde, curiosamente, sou sempre muito bem atendido, superando qualquer expectativa. Se estes não são proprietários, têm outros incentivos e/ou uma excelente ética de trabalho, própria e/ou aculturada.
As pessoas não são todas iguais. Algumas, apesar dos incentivos, dão o seu melhor, com base em princípios seus. Mas obviamente não se pode contar só com um bom recrutamento ou com uma cultura imposta; especialmente se for incongruente com a prática.
Outros exemplos comuns de incentivos in loco com consequências negativas, que parecem óbvias:
Um projeto pago por hora e não em função de métricas relacionadas com o prazo de término.
Resultado:
O colaborador é incentivado a atrasar o projeto para receber mais; incumprimento, menor produtividade e maior custo de oportunidade. Acrescentam-se a isto horas extra, pagas a dobrar e faz-se um grande barbecue em vez de se cumprir o projecto.
Um manager comercial responsável por guiar e liderar uma equipa de outros comerciais e… simultaneamente competir com eles.
Resultado:
Mesmo que os comerciais juniores tenham os seus próprios territórios, o manager pode sempre intrometer-se nos negócios dos seus pupilos e dizer ao CEO que se não fosse ele não se tinha conseguido fechar este e aquele negócio, retirando crédito e motivação aos comerciais juniores, promovendo uma mistura de alta rotatividade e moral fraca.
Existem exemplos de todo o género em que o sistema de incentivos de uma organização efetivamente funciona inconscientemente e contra si mesma, donos/stakeholders em geral.
Penso que todos conhecemos sintomas da falta de incentivos corretos ou até a existência de incentivos perversos na função pública. Existem exceções, é claro, de pessoas fiéis a bons princípios. Mas são os incentivos que geralmente governam o comportamento humano.
Os “falhados”, à primeira vista
Fui, ao longo dos anos, ouvindo falar do sentido do falhanço. É claro que aprendi, com base em factos muito concretos, o que era falhar.
Quando trepava os pinheiros para ver jogar o clube dos pés descalços – eles não tinham chuteiras – da minha aldeia, já ouvia o desabafo triste de quem lamentava não ser marcado um golo com «quase em cima da baliza, falhou o golo e a vitória».
Minuto a minuto, agora, todos nós vamos deparando com a realidade insofismável de que qualquer ser humano está sujeito a “falhar”, isto é, não alcançar a realização dos seus objectivos concretos e justos que seriam uma base forte e firme para alguma felicidade duradoira.
E nem vale a pena apontarem-se os vários nomes que se aplicam ao falhanço. Depende de variadíssimas ocasiões do estado anímico, sentimental ou cívico de muita gente que desanima logo que apenas é anunciada a tempestade.
Indivíduos ou Empresas que fracassam podem estar dependentes dos mais diversos parâmetros e exigências, nem sempre medidas como acções necessárias à ligação entre todos os elementos constitutivos, chamados a fazer engrenar as variadas secções, de modo a haver no grupo um dinamizador que supera, pela sua experiência, competência e personalidade social, as dificuldades que começam a aparecer em muitos sectores vitais.
Antes que chegue a derrocada, é necessário, naturalmente, o consenso que será a cotização de cada um na responsabilidade geral para exemplar funcionamento da dita Empresa.
Mal vai é quando o senso comum se lança no monturo do lixo.
Constatamos, diariamente, que, em todos os cantos, as pessoas supõem um diálogo o qual sirva para se colocarem os dados nas devidas casas e o jogo chegue ao fim com a vitória de algum lado, mas sem quezílias nem rivalidades. Ninguém é mais que ninguém, mas todos possuem uma inteligência que deve ser humilde e dialogante. O acordo é sempre possível entre dois ou mais litigantes desde que cada um não olhe para o outro com a sobranceria do saber e, sobretudo, do dinheiro.
Em qualquer sector, onde se presume diálogo franco, subentende-se que há quem fala e quem ouve, cada um na sua vez.
Esse modo de entendimento mútuo chama-se hombridade, educação, sinceridade, compreensão, aceitação recíproca, cordialidade, correcção fraterna, respeito pelas opiniões alheias, virtudes e dons de cada qual e muitas outras mais atitudes que se vão descobrindo ao longo da convivência.
Falando para pessoas crentes, chamaria, a tudo quanto é união, AMOR.
Na vida social será, possivelmente, o mesmo conceito, ainda que disso não haja o conhecimento e a aceitação nessa grandeza.
No âmbito familiar qual será o elo de união? O Amor. Deus assim criou a família, Homem e Mulher, unidos no vínculo do Amor pela Vida. Essa união nunca foi tida como mera experiência, mas como algo que eleva ambos à categoria de colaboradores no Amor da Criação.
Não sendo vivido com a intensidade devida e decente, o Amor está moribundo, ou mesmo morto, e as novas experiências, feitas de galho em galho, cada um o mais frágil, levarão tudo a acabar estatelado no fosso da frivolidade e imoralidade.
Para uma vivência plena e sentida, haverá de procurar-se o amadurecimento recíproco, fundamentado na humildade e espírito de doação sem reservas nem limites, visando o progresso interior leal e sobrenaturalizado. Aí, quem falha não ama e quem ama vai até ao fim.
Nada acontece por acaso e à primeira vista, quando até um “cego” vê e agradece, espiritualmente, a grandeza de se encontrar como ser humano.
Transparência Salarial: O que Muda para as Empresas?
A igualdade de remuneração já não é apenas uma meta ética, é uma obrigação legal estrita. Com a aplicação prática da Diretiva Europeia (UE) 2023/970, o mercado de trabalho enfrenta uma das maiores transformações de gestão das últimas décadas: o fim definitivo do sigilo salarial.
O grande objetivo da lei é garantir o princípio de "salário igual para trabalho de igual valor", combatendo a disparidade de género. Esta nova realidade impõe três eixos de ação imediatos para as organizações:
1. Transparência no Recrutamento: As empresas devem
anunciar a faixa salarial nas ofertas de emprego ou
antes da primeira entrevista. Fica proibido perguntar
aos candidatos o seu histórico de remunerações.
2. Direito à Informação: Qualquer colaborador tem o
direito de solicitar a média salarial do seu departamento
ou de funções idênticas, detalhada por género. Os
critérios de progressão na carreira também devem
ser públicos e objetivos.
3. Fim da Confidencialidade: As cláusulas contratuais
que proíbem os funcionários de discutir os seus salários
são agora nulas.
A Regra dos 5% e a Fiscalização
A lei exige que as empresas com mais de 250 trabalhadores enviem relatórios anuais sobre o tema, prazo alargado para três anos nas empresas com 100 a 249 funcionários. Se os dados revelarem uma diferença salarial injustificada superior a 5% entre homens e mulheres na mesma categoria, a entidade patronal é obrigada a aplicar um plano de correção conjunto com os trabalhadores.
O incumprimento acarreta graves riscos. Além de coimas aplicadas pela fiscalização (como a ACT em Portugal), ocorre a inversão do ónus da prova: em caso de litígio judicial, cabe à empresa provar que não discrimina, e não ao trabalhador.
Como se preparar?
As organizações devem realizar auditorias internas imediatas, desenhar matrizes de funções claras e treinar as equipas de Recursos Humanos.
Mais do que conformidade legal, a transparência tornou-se um fator crítico de atração de talento e reputação corporativa.
Apesar de Portugal ter falhado o prazo de 7 de junho para a transposição da Diretiva Europeia, a lei final está a ser ultimada, pelo que as empresas devem fazer auditorias já, pois as regras europeias serão aplicadas respeitando integralmente o texto europeu descrito.
ARTE.RENEGERADA @ÁGUEDA.PT
A poucos dias do início de mais uma edição da Festa do Regime, também conhecida por Agitágueda, sente-se no ar a expectativa por mais um mês de animação na cidade.
Ironias à parte, é sabido que sou fã e frequentador assíduo daquele evento à beira-rio e apreciador de algumas instalações de arte urbana em vários pontos da cidade. Apesar de conviver com o mito de que eu (e outros colegas da Assembleia Municipal, noutra vida, há quase uma década) seríamos “contra o Agitágueda” quando, afinal, apenas insistíamos que os contratos e as contas fossem fidedignos e transparentes, sempre reconheci – e aplaudi – os méritos do evento que recolocou Águeda no mapa cultural nacional.

Para lá do frenesim dos espectáculos musicais, das tasquinhas e animações durante o mês de Julho, um dos aspectos que mais aprecio são as chamadas instalações de arte urbana na cidade. Penso, aliás, que a Câmara deveria ponderar e coordenar com as freguesias a possibilidade de estender este tipo de intervenção a outros pontos fora da cidade, contribuindo para a descentralização e expansão do Agitágueda ao resto do concelho. E é precisamente sobre a “arte urbana” que gostaria de partilhar estas linhas com os leitores…

Se algumas das “instalações” mais visíveis e impactantes são efémeras (o Umbrella Sky, as decorações sobre várias ruas, os adereços nos jardins, etc…), outras intervenções assumem um cariz mais permanente. Refiro-me, essencialmente, a vários murais e pinturas em edifícios, muros, bancos de jardim ou outras estruturas físicas. Seja em espaços devolutos, edifícios recuperados, ou mobiliário urbano variado, o Agitágueda trouxe à cidade algumas intervenções de qualidade e belo impacto visual. Os gostos, naturalmente, são subjectivos, tanto mais porque é de arte que se trata, mas julgo ser do agrado geral a maioria das pinturas na cidade.

O problema é que estas obras não são eternas e, após alguns anos, começam a apresentar sinais de óbvia deterioração. Não sei se existe algum “protocolo informal” para a manutenção e conservação das instalações de arte urbana, mas parece-me óbvio que a autarquia deveria fazer um levantamento do estado das obras existentes e decidir sobre a sua renovação, limpeza ou substituição.
Existem soluções para todos os gostos: desde a repintura integral pelo artista original ou sob sua supervisão, a aplicação de vernizes ou revestimentos protetores anti-UV e anti-grafiti, até à limpeza total e preparação para novas instalações. Penso, aliás, que esta será a solução mais habitual, promovendo o surgimento de novas obras e a renovação do espaço urbano.

Numa rápida volta pela cidade, facilmente verificamos a elevada degradação (e mau aspecto) dos murais junto aos CTT, na subida acima do tribunal, na enorme parede da torre dos bombeiros, etc… Mas o exemplo mais gritante, num estado absolutamente nojento, são as cubas junto ao antigo IVV. Ironia suprema: o título da obra é “Tão bela e preciosa”… A regeneração urbana, que tantas vezes foi bandeira dos executivos municipais, não pode confinar-se aos edifícios e ruas da cidade. A arte urbana também precisa, urgentemente, de regeneração…

Nota: o autor escreve segundo o antigo acordo ortográfico
A SARDINHA ENTRE TRADIÇÃO E NUTRIÇÃO
Em Portugal, junho é sinónimo de arraiais, convívio e, inevitavelmente, de sardinha. Mais do que um símbolo dos Santos Populares, a sardinha ocupa um lugar muito próprio na nossa cultura alimentar e continua a ser um dos alimentos mais característicos da gastronomia portuguesa.
Durante muito tempo, a sardinha esteve associada a uma alimentação mais simples, popular e acessível. Hoje, por ironia dos tempos, é muitas vezes vista quase como um luxo. Mudou a forma como a olhamos, mudou o seu preço e mudou o contexto de consumo, mas o que não mudou foi a sua qualidade nutricional.
A sardinha é um peixe gordo, mas com uma gordura nutricionalmente interessante, rica em ácidos gordos ómega-3. Estes ácidos gordos estão associados a benefícios para a saúde cardiovascular, ajudam a modular processos inflamatórios e têm também um papel importante na função cerebral e visual.
É também fonte de proteína, vitamina D, vitamina B12, cálcio, ferro e zinco, o que faz dela um alimento nutricionalmente muito completo.
A composição nutricional da sardinha varia consoante a época em que é capturada, sendo entre junho e outubro que apresenta maior teor de gordura. É precisamente essa gordura, mais abundante nos meses de verão, que contribui para as características organoléticas tão apreciadas pelos consumidores.
Claro que, como em tudo, também importa a forma como é consumida. Preparada de forma simples e acompanhada por vegetais ou outros alimentos equilibrados, a sardinha enquadra-se facilmente numa alimentação saudável. Já o excesso de sal, os acompanhamentos mais pesados ou os exageros tantas vezes associados ao ambiente festivo podem comprometer esse equilíbrio. A tradição só precisa de ser vivida com bom senso.
Em junho, a sardinha chega-nos envolta em festa e em imaginário popular, mas também podemos olhar para ela além da quadra, porque, mais do que um ícone das festas, a sardinha continua a ser um excelente exemplo de como tradição, sabor e valor nutricional podem sentar-se à mesma mesa.
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OPINIÃO | Carlos Abrantes | A Coreia do Norte é fixe
Quando disse aos meus amigos que ia de férias para a Coreia do Norte a reacção não se fez esperar. Para a Coreia do Norte? Tens a certeza que queres ir para a Coreia do Norte? E ficavam a olhar para mim com aquele ar compadecido de quem acha que eu tinha perdido o tino. Com tantos destinos de sol e mar, com Mediterrâneo e Caraíbas, com Brasil e Tailândia eu escolhera a Coreia do Kim Jong-Un, Mr. Rocket Man!
E foi uma óptima escolha.
Aconselho aos ambientalistas do PAN, tão na moda, e aos amantes das grandes causas politicamente correctas, uma estadia naquele paraíso ambiental. Não sofrerão com os engarrafamentos das grandes metrópoles capitalistas porque em Pyongyang, a capital, praticamente não circulam automóveis, nem camiões, nem autocarros. Emissões de carbono zero, ou quase.
Em contrapartida vê-se muita gente a pé, a caminho do trabalho ou de lado nenhum, promovendo um estilo de vida saudável, sem complicações cardiovasculares ou de diabetes. À excepção do “querido líder”, não vi gordos. Uma vitória do povo norte coreano que, desse modo, pode dispensar a existência de serviço nacional de saúde.
Também o regime alimentar muito frugal, pobre em hidratos de carbono, proteínas, gorduras e açúcares, com consumo de carnes vermelhas zero, é um exemplo para o mundo. Daí que seja seguido de perto pela comunidade científica, nomeadamente pela Universidade de Coimbra que, numa atitude pioneira e esclarecida decretou a proibição do consumo de carne de bovino nas cantinas estudantis.
Há, no entanto, um “mas” que perturbará os nossos amigos do PAN. Os Norte coreanos gostam, e consomem, carne de cão. Em ocasiões especiais, é certo, mas comem cão. Sopa de cão, cão guisado, cão frito, mil maneiras de cozinhar cão... Tal como o PAN eles também gostam de animais. Têm uma forma diferente de gostar, mas que gostam, gostam!
E gostam também dos líderes. Não os comem, porque não podem, mas têm um carinho especial pelos líderes. Erguem-lhes estátuas monumentais. Aos três – ao avô, ao pai e ao filho. Uma democracia, nas palavras de Bernardino Soares, transmissível de pais para filhos.
É tudo em grande! São enormes as estátuas, os cemitérios, os edifícios públicos, as bibliotecas, os museus, ou os estádios. E os espectáculos e as manifestações populares de apoio, ou de pesar. E as auto-estradas, ah as auto-estradas! Com três pistas em cada sentido, viajei a partir de Pyongyang para sul até ao paralelo 38 e para norte até Myohyang. Um espanto! Sem portagens nem congestionamentos, sem aselhas nem chico-espertos. Centenas de quilómetros sem um sobressalto ou um acidente. Havia, é certo, o problema do piso esburacado e das lombas, dos peões e das cabras, das bicicletas e dos controles militares, mas fora isso era maravilhoso.
Que sossego, que segurança.
Não admira que me tenha sentido muito seguro. É fácil quando cumprimos as regras, e as regras eram claras. Podíamos circular livremente dentro do hotel. Fora do perímetro do hotel, que estava estrategicamente implantado numa pequena ilha, teríamos de estar SEMPRE acompanhados pelos nossos guias locais.
A Coreia do Norte é fixe, mas nas minhas próximas férias vou para um país democrático. Para desenjoar!
- CARLOS ABRANTES

Quando a governança vira cartel - Parte V
Mostramos, antes de terminar esta rubrica, as 13 baixas de Ministros e Secretários de Estado deste governo da maioria absoluta do Partido Socialista (PS):
1 - Sara Guerreiro, Secretaria de Estado da Igualdade e Migrações – Baixa em 2-5-2022.
2 - Marta Temido, Ministra da Saúde - Baixa em 30-08-2022.
3 - Fátima Fonseca, Secretária de Estado da Saúde - Baixa em 30-8-2022.
4 - António Lacerda Sales, Secretário de Estado Adjunto e da Saúde - Baixa em 30-8-2022.
5 - Miguel Alves, Secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro - Baixa em 10-11-2022.
6 - Rita Marques, Secretária de Estado do Turismo - Baixa em 29-11-2022.
7 - João Neves, Secretário de Estado Adjunto e da Economia - Baixa em 29-11-2022.
8 - Alexandra Reis, Secretária de Estado do Tesouro - Baixa em 27-12-2022.
9 - Marina Gonçalves, Secretária de Estado da Habitação - Baixa em 29-12-2022.
10 - Pedro Nuno Santos, Ministro das Infraestruturas e da Habitação - Baixa em 29-12-2022.
11 - Hugo Santos Mendes, Secretário de Estado das Infraestruturas - Baixa em 29-12-2022.
12 - Rui Martinho, Secretário de Estado da Agricultura - Baixa em 4-1-2023.
13 - Carla Alves, Secretária de Estado da Agricultura - Baixa em 5-1-2023.
Tinha razão o Costa quando pediu a maioria absoluta.
O Marajá de São Bento nem precisa, sequer, de negociar à esquerda ou à direita para se tornar num autêntico rei-sol. O Estado sou eu!
Economia: Tortec inaugurou primeira fábrica no Parque Empresarial do Casarão
A Tortec - Tornearia e Peças Técnicas, do Grupo Ciclo-Fapril, inaugurou, na passada sexta-feira, dia 4 de Dezembro, as suas novas instalações no Parque Empresarial do Casarão e será a primeira empresa a instalar-se no novo polo industrial do município.
Carla Santos, directora financeira da Ciclo-Fapril, começou por relevar o desempenho do presidente do município, Gil Nadais, e do seu executivo, que, “em bom rigor, foram os impulsionadores por termos aqui edificado as instalações da Tortec”.
“Mais do que o projecto Tortec, há que enaltecer o esforço e a determinação do presidente da Câmara em fazer de Águeda uma cidade de indústria, de academia e de turismo”, salientou Carla Santos.
“Muito nos honra estar a viver este momento histórico de viragem na dinâmica industrial de Águeda, pois com toda a certeza o concelho vai reflectir a criação de valor que as empresas aqui instaladas vão gerar”, observou a directora financeira da Ciclo-Fapril.
Carla Santos considerou que o facto da Tortec ter sido a primeira empresa a edificar no Parque Empresarial do Casarão, resultou em “dificuldades acrescidas”, sublinhando, em particular, o desempenho do administrador Samuel Santos e do sócio Vitor Antunes, e de “todos os que nos ajudaram a realizar este projecto”.
“Aos nossos colegas de trabalho, esperamos que o transtorno da mudança (que será concretizada na segunda quinzena deste mês) seja superado pelo conforto que estas instalações vos venham a proporcionar. Sabemos que estão motivados com o nosso projecto de trabalho e contamos convosco para dar alma a este edifício”, sublinhou Carla Santos.

Dia muito especial
para Gil Nadais
O presidente da Câmara Municipal de Águeda, Gil Nadais, referiu-se a “um dia, muito, muito especial”, considerando que o Parque Empresarial do Casarão foi um projecto “muito sofrido, muito laborioso e só possível graças à colaboração de muitas pessoas”, destacando o trabalho “inexcedível” do aguadense António Figueira, e o desempenho “fundamental” do vereador João Clemente.
O autarca lembrou que “foram adquiridos mais de um milhão de metros quadrados de terrenos” e anunciou que “mais empresas pretendem vir para o Parque Empresarial do Casarão”, pelo que será necessário adquirir mais terrenos.
Gil Nadais anunciou que “o LIDL irá começar a construir, em 2016”, o seu entreposto logístico, e que durante o próximo ano estarão concluídas as estruturas da Triangle´s e da Sakthi (primeiro pavilhão), para relevar um projecto que, disse, “me custou, pessoalmente, alguns comentários mais acintosos”.



Jorge Almeida está esperançado em "derrotar" a Socibeiral no Tribunal
O presidente da Câmara Municipal de Águeda, Jorge Almeida, mostrou-se confiante no diferendo judicial que opõe a autarquia à Socibeiral, relativo à construção de uma central de betão e betuminoso no Parque Empresarial do Casarão (PEC).

O líder do município foi confrontado, na passada segunda-feira, em sede de Assembleia Municipal, pelo líder da bancada do Partido Socialista (PS), José Marques Vidal, que pretendeu saber em que ponto se encontra o processo, que corre, há vários meses, no Tribunal Administrativo e Fiscal de Aveiro.
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Pai Natal gigante de Águeda é candidato a maior do mundo
Um Pai Natal com 21 metros de altura e 250 mil lâmpadas LED de baixo consumo (24 volts), instalado no Largo 1º. de Maio, é a grande atracção da época natalícia, em Águeda.
O município pretende alcançar o reconhecimento pela instalação do “Maior Pai Natal do Mundo em LED's”, assente numa estrutura em alumínio, com altura de sete andares, forrada a tapy.
Para validar e confirmar a obtenção do recorde, será necessária a deslocação a Águeda de um juiz do Guinness World Records, no sentido de verificar todas as características da infraestrutura e de deliberar acerca da atribuição do recorde.
Os custos inerentes a esta candidatura, aprovada ontem (abstenção de Paula Cardoso e voto contra de Miguel Oliveira), dia 1, na reunião do executivo, são de aproximadamente 10.000 euros.
O Pai Natal, sentado numa caixa de presente de 9 por 12 metros, pode ser visitado até ao dia 11 de Janeiro, e a sua instalação obrigou a um investimento de 49.200 euros.
No passado sábado, 28 de Novembro, o presidente do município, Gil Nadais, deu luz às estruturas espalhadas pela cidade que assinalam o Natal, num momento acompanhado por centenas de pessoas.






Samuel Vilela no Conselho Nacional de Juventude
Samuel Vilela, presidente da JSD de Águeda, foi nomeado para a direcção do Conselho Nacional de Juventude (CNJ), assumindo a pasta das Relações Internacionais e a representação nacional junto de instâncias europeias e internacionais.
O CNJ é a plataforma representativa das organizações de juventude a nível nacional, abrangendo as mais diversas expressões do associativismo juvenil (culturais, estudantis, partidárias, ambientais, escutistas, sindicalistas e confessionais).
Samuel Vilela, de 26 anos, encontra-se a frequentar um programa de Doutoramento na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra e conta já com uma vasta experiência ao nível associativo e político.
Já presidiu ao Núcleo de Estudantes de Relações Internacionais, foi vice-presidente da Associação Académica de Coimbra e membro do Conselho Geral da Universidade de Coimbra.
James Arthur está confirmado no Agitágueda 2015
O Agitágueda deste ano vai ter lugar de 4 a 26 de Julho, estando já confirmados os concertos dos D.A.M.A. (dia 4 de Julho), Paulo Gonzo (11), Selah Sue (17), Jimmy P (24) e James Arthur (26), cuja contratação foi aprovada na reunião camarária de ontem, dia 7 de Abril. O executivo aprovou, também, a contratação dos serviços de vigilância e segurança, com ajuste directo à empresa Protek, e o regulamento de participação nos Talentos Agitágueda.